Alguém há de dizer que são palavras fortes, mas tamanha é a força do texto de Téo e do seu grito, que não haveria como dizer deles, se não fosse com força. Se você é capaz de enxergar a ternura encoberta pelo mito do forte que tem medo de que percebam sua doçura, então é capaz de amar este blog. por Ana da Cruz.
quarta-feira, 2 de maio de 2012
Permissão!
Eu permito que você fique acordada até mais tarde.
Que você esqueça sua cama.
Essa noite eu permito que você me chame de otário.
Que me ache lendário.
Que me desfrute com os lábios.
Essa noite eu permito,
que você ja não durma,
que eu ja não hesite,
que a gente se coce.
Essa noite eu não quero,
que a noite tenha hora,
que o sol dite o fim,
da nossa noite que permito.
Essa noite não,
não aos grilos,
não às estrelas,
não aos carros.
Essa noite eu quero,
que você saiba,
que estar ao seu lado
é como se pudesse
dar um beijo de despedida na dor,
virando de costas,
sorrindo de desdem,
de boca cheia,
armado até os dentes,
de munição pra viver.
Você sabe morrer? Você não tem colhões pra morrer!
Você sabe morrer ao comer batatas fritas?
E você sabe morrer ao tomar uma cerveja?
Você sabe morrer?
Você sabe morrer ao enterrar uma bola de basquete,
ou a cobrar uma falta?
Você sabe morrer ao quebrar ovos para
fazer um bolo?
Você sabe morrer ao dormir?
Você sabe morrer?
Você sabe morrer ao desdizer
uma jura de amor?
Você sabe matar!
Você sabe morrer ao ver um show do Paul?
Você sabe morrer ao tocar yer blues, John?
Você sabe matar!
Sim, eu estou sozinho, mas ainda não sei morrer,
nem escrevendo um poema eu sei morrer.
Você sabe morrer?
Matar você sabe!
terça-feira, 24 de abril de 2012
Filho da puta, Vadia e correções.
Certo que havia errado com uma delas, aliás, com todas. Mas jamais deixei de ser sincero, quando se percebe que as coisas estão escorrendo pro ralo é melhor deixar ir, se tampar o ralo, pode inundar sua vida com água suja, de corpos cansados, de suores inúteis e prazeres disfuncionais.
E se é pra ser assim, viva da melhor forma possível, não adote mais as coisas que adotava quando era alguém complacente, você deixa de ser complacente quando a outra pessoa age como uma inútil e faz de tudo pra te causar danos.
O bar era um bom lugar pra se submeter à fuga. Cervejas, mulheres com blusas decotadas, idiotas falando sobre drogas e um pouco musica pra relaxar. Até que uma das mulheres te olha e você a olha também, oferece a ela uma bebida, ela gosta da mesma que você, então já pode leva-la pra cama.
- Como é seu nome? – pergunto.
- Lídia, e o seu?
- Téo. As pessoas me conhecem aqui, como você não me conhece?
- Não costumo conhecer gente desinteressante.
- Entendo. Quer mais um conhaque?
- Talvez você não aguente me acompanhar, Téo.
- A gente pode tentar, Lídia.
- Prefiro não arriscar.
Ela se levanta, vai ao canto do bar, há um rapaz tocando algumas músicas, um outro a pega pelo braço, ela sorri, começam a dançar, me levanto, a puxo pelo braço, a jogo no chão, aponto meu dedo, a chamo de puta, falo pra ela pagar a porra do meu conhaque, se levanta, senta no lugar onde estávamos e o rapaz que estava com ela se desculpa e vai embora.
- Você é um filho da puta, Téo.
- E você é uma vadia.
Assim são os homens, em geral, na sua cultura, são péssimos. Subestimam as mulheres em tudo, seus carros, suas peças, seus jogos, seus gestos de amor.E enquanto as mulheres ligarem tanto em demonstrar a verdadeira face deles, continuarão agindo assim, porque os homens são, coma s mulheres que têm, exatamente o que elas amam que não sejam.
quarta-feira, 18 de abril de 2012
Bebida, mulheres e desistência.
A bebida era uma espécie de fuga, mas não havia nada que eu quisesse desbancar, a bebida ja não era fuga então, a bebida era só um êxtase, um caminho, procedimento esperado para alcançar a alquimia. E não havia limites,era o meu remédio, algo que esperava desde sempre que me curasse.
A ausência de mulheres, enfim, estava me fazendo bem. A falta de telefonemas, o excesso de músicas com violões de aço e um contato breve com o mundo cada vez que ia ao banheiro, havia uma janela, o mundo estava vivendo la fora, não o suportava.
A falta de suas saias curtas, suas pernas grossas, suas reclamações sobre a vida, seus amigos idiotas, seus apontamentos sobre o meu humor, suas reclamações por eu
andar pelado pela casa, por cagar de porta aberta, por me masturbar enquanto assistem programas de fofocas na tevê que um dia eu vou vender e elas jamais me amarão novamente.
As mulheres jamais me amarão novamente, creio que qualquer cachorro que eu arrume jamais me amará, qualquer bar que eu vá não haverá alguem pra me salvar. Era isso,as pessoas estavam todas à busca da salvação, mas não havia mais chance. Era assim a vida, você se prepara pra luta, coloca o roupão, o juiz chama teu nome, você sobe no ring, as pessoas te aplaudem, a maioria vaia, a garota passa com a placa do primeiro round, você o suporta, ela sobe no segundo, você com o supercílio cortado, mas ainda consegue ver a bunda redonda dela, aguenta por mais algum tempo e no terceiro round, quando ela sobe no ring, você mesmo joga a toalha. E seu técnico te olha feio, você
perde, por desistência. E vai pra casa humilhado.
Mentira e Bach.
uma carta.
Algo diz: fomos uma mentira.
E você finge que acredita.
Alguem que cre
que sua vida foi uma mentira
não te procuraria pra dizer:
você foi uma mentira.
E você rasga a carta.
Entra na sua casa,
abre uma cerveja,
liga pra outra mulher,
diz que sente falta do sexo
e desliga.
E liga sua tevê,
não há nada.
Liga seu rádio,
Bach não interessa,
e termina sua cerveja,
dorme e não quer acordar mais,
mas sempre acorda.
domingo, 15 de abril de 2012
Sexo, dor de cabeça e sono.
E são oito horas da noite,
você repousa nos colchões de solteiro juntados,
você e sua mulher.
Ela sente dor de cabeça,
ela está abalada,
com um tédio sem fim.
E você não sabe como prosseguir,
ela abre a blusa e diz:
amor, toca meus peitos, me faça relaxar.
E você toca os peitos dela,
e lambe os mamilos.
A vida com dor de cabeça,
pra alguns,
pode ser bem pior.
E ela vira as pernas
por cima das suas.
E você se encaixa nela,
Na tevê, um filme de rock'n'roll,
você fode sua mulher
e a dor de cabeça dela.
Até que você goza.
Ela pergunta se você realmente a ama,
e você vira para o lado.
Ela continua falando,
sobre a dor de cabeça,
e você relaxado, simplesmente, dorme!
sexta-feira, 13 de abril de 2012
Cervejas e sorrisos circenses.
No telefone uma mensagem: Téo, ja chego. Atrasarei-me um pouco. Essa chuva dessa cidade, esse transito, mas prepare a minha cerveja.
Ela mal imaginava, que ali, na mesa de dois lugares, algo alem da cerveja a esperava com afinco.
- Oi, Téo.
- Olá, meu bem. Como vai?
- Vou bem, Téo.
Levantei-me, dei-lhe um abraço e um beijo.
- Senta-se. - eu disse.
Ela tinha os olhos mais lindos que ja pude ver, e a tua boca dizia 'tu' como nenhuma outra havia dito. E teus olhos, brilhavam cores circenses, guarda-chuvas de frevo e tua boca tinha a carne que meu olhos adoravam.
- Essa cerveja está gelada, Téo.
- Pois é, por isso gosto desse lugar.
Você pode passar dias longe da felicidade e em poucos momentos você pode passar a felicidade de dias.
- Agora que você ja chegou, que ja tomamos a cerveja, poderíamos ir pra minha casa?
- Tudo bem, Téo.
Paguei a conta, recolhi o maço de cigarros da mesa, despedi-me do dono do bar e segurei sua mão.
- Seja bem-vinda.
- Gostei da tua casa vazia.
- Ela fica assim sempre, ficará sempre.
Liguei o rádio, tocava Bach, não era hora, troquei por uma coisa que ela tambem gostava, e Beth Gibbons cantava: give me a reason to love you!
- Separei esse vinho pra gente, Luana. É o meu vinho preferido - casillero del diablo.
Ela sorriu.
- Era tão esperado por ti que eu viesse à sua casa, Téo?
- Era.
Sorriu novamente.
Sentou-se à minha frente no sofá, com um vestido roxo, suas pernas, lindas, talvez havia feito com a intenção de me provocar, visto que eu sempre havia dito que adorava pernas, estavam cada vez mais à mostra.
Dado momento, levantou o vestido um pouco mais.
- Erga mais um pouco teu vestido.
- Ainda mais?
- Sim, ainda mais.
Tomava meu vinho, olhava tuas pernas, nada dizia, o silêncio não incomodava. Fui até o sofá, beijei sua boca, levantei seu vestido, coloquei a mão por dentro da sua calcinha, estava molhada. Beijei sua boca com mais lingua agora.
- Seu beijo é bom, Luana.
- Você quer me engolir, Téo.
Eu era um adolescente, a joguei na cama, de barriga pra baixo, fiz uma massagem em suas costas, beijei-a na mesma intensidade. Trepamos, gozamos, não uma ou duas vezes, infinitas. O cérebro brindava, o coração palpitava na mesma intensidade do pau. Era uma nova descoberta, era um novo homem, com a experiência de um amor falido e com a perspicácia de um homem fodido.
- Você é um puto, Téo.
- Tudo bem.
Beijei sua testa, com mais sensibilidade que quando beijei sua boca ou seus peitos. Não sabia onde estavam meus cigarros, pouco me importava tambem. Havia cinzas demais dentro de mim, era hora de tornar aquele monte de escuridão e torpor, em luz e sorriso. Ela olhou pra mim e junto à Beth Gibbons cantou: give me a reason to be a woman. Virei o restante do meu vinho, direto na garrafa. Olhei nos teus olhos e sorri. Estava ali, em abril, meu primeiro sorriso desde sempre.
quarta-feira, 11 de abril de 2012
Amor, cérebro e palpitações.
mas eu te olhava.
E meus olhos piscavam,
cheios de lágrimas,
num ritmo sonar.
Havia duas de você,
a que segurava o copo,
e a que me cedia o colo.
Na borda do copo,
tua boca.
E na borda da tua boca,
meu nome.
E meu nome sujo,
purificava-se
nos teus
lábios filtros.
Já não era mais um homem,
e infantilizado
pelo sentimento vil,
tu não estavas à vista.
Eu não te olhava mais,
e nas bordas dos copos,
minha boca,
e na borda da minha boca,
outras bocas.
E na borda das outras bocas,
ilusão.
Enquanto meu cérebro
palpitava teu nome
já limpo.
De outras vidas,
limpo.
De outros homens,
limpo.
De meus sonhos,
limpo.
Era então
amor.
E do amor
nascera
o sujo,
pro amor
nascera teu nome a
palpitar
em meu cérebro.
sacana, canalha e sexo.
- Sim.
- Te conheço.
- legal.
- você é aquele cara dos textos sacanas.
- nunca escrevi algo sacana.
- ué, mas você fala de putaria.
- putaria não é sacana.
- você quer um conhaque, Téo?
- já estou tomando, obrigado.
- uma amiga minha já deu pra você.
- deve ter sido terrível pra ela.
- ela disse que você é canalha, Téo.
- eu talvez esteja começando a acreditar.
- adoro homens cachorros.
- que pena. Sou no máximo canalha.
- você mora longe, Téo?
- considerável.
- Quer carona? Ofereço carona e carinho.
- tenho sapatos novos, sabe. Compro sapatos novos só depois de muito usar os antigos, preciso acostumar-me com eles, mas obrigado por oferecer a carona. E quanto ao carinho, sou canalha demais pra merecê-lo.
- Téo, você pode me comer hoje?
- tudo bem. Garçom, a conta por favor...
- eu pago, Téo.
- Ok. Te espero lá fora.
...
terça-feira, 3 de abril de 2012
Roto.
Seu maior erro,
não é estar entre os teus.
Seu maior erro,
é a sua palavra.
Água de uma fonte rota,
triste demais pra um pouco de felicidade.
Teus olhos findos,
sorriem noturnamente.
Embebedando-se em dias torpes,
Deus não está mais aí.
Mas até aí,
sem problemas.
Ele não está aqui tambem.
Você age,
maldosamente.
Teus nãos,
afunilam a graça,
e entope o trecho,
que os sins coloridos,
passariam
brindando o amor.
quinta-feira, 29 de março de 2012
doce.
mas no fundo, não é uma carga, no fundo é um balão azul, outro vermelho, outro verde e um pedaço de bolo com uns docinhos de festa infantil fazendo uma surpresa dentro de mim!
terça-feira, 27 de março de 2012
mentiras, livros e sexo.
E você sabe, menina. Que eu fui um bom homem pra você, que te dei flores, amores, cervejas, sexo - que você sempre elogiou - sempre não, até terminarmos e você dizer que era péssimo, só pra me atacar.
Lembrar-se-á que eu era o homem que te segurava a mão pra atravessar a rua, e quando você for atravessar a rua, com outro homem, ele não vai ser tão protetor quando fora meu corpo.
E você vai saber, que não se pode esquecer, que das coisas mais vis que nos acometemos, o amor era a mais gritante.
E você vai tomar seus cafés e ao olhar para a xícara, verás na boda, que nem os deuses te aprovam com outro protetor.
E você um dia vai ler meus textos, e elogiará enfim, porque nem tudo é musica de Tom Jobim e ao menos, na literatura, não me taxarás mais de desafinado.
E lembrará que teus livros, estes teus escritores prediletos, vieram de minha predileção.
Quando eu escrever um livro, vou contar sobre as palavras que usei em forma de mentira pra te levar pra cama e meu livro nao tera fim!
Mulheres, leis e assédio!
Com o passar dos anos, fui aprendendo a elogiar as guapas que passavam à minha frente e com muito esmero, mandava um 'fiu-fiu' pra uma prenda que passasse por ali. E sem falta de respeito e sem o crime, e sem o assédio.
E uma vez uma delas me disse: obrigado, meu rapaz. Mas você é muito novo pra saber o que é uma mulher gostosa ou não.
Eu não ligava, pra mim, no auge da adolescência, mulher gostosa era aquela que não acabrunhava minha mão, que me deixava, em meus pensamentos sólidos, à revelia da minha paixão.
Aprendi a lidar com algumas delas, e uma vez, um tapa no rosto, despertara minha primeira paixão. Os homens malandros, os pedreiros bêbados, os homens do bar mercenários, todos, eram os mesmos quando passava uma mulher vestida como uma deusa. Era ali, uma forma de adoração, o melhor do respeito que os homens podiam doar, o melhor do elogio que elas podiam receber.
Agora leio, que a cantada é assédio, que as mulheres não são objetos - e quem um dia achou que eram? - com certeza um homem que acha isso de uma mulher, jamais a achou gostosa pela bunda, pelos lábios, pelos cabelos ou pelos olhos e quem sabe, por um 'eu te amo' pós-coito.
Fato que as ameaças constitucionais, são tão chatas, tão ridículas e tão feias, que se fosse uma mulher, não receberia um 'fiu-fiu' ou 'gostosa' de homem algum na face da terra. Só de um politico ou outro, talvez!
sábado, 10 de março de 2012
Poema, conhaque e punhetas.
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012
Foi, como foi!
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
Bebado, cheers e malditas.
completamente. Eu gosto da pinga com mel antes da cerveja e do conhaque
durante. Eu gosto de mulheres loucas e aquelas que não fazem questão de ser.
Tenho anunciado avidamente o meu amor pela literatura e a literatura como forma
de protesto, mas alguns poucos, quase ninguém, acredita na possibilidade da
coisa. Manias infundadas de falar palavrão até a borda do rabo virar um
alfabeto vândalo. Não me importo em viver sem sexo, mas me importo em viver sem
bebida, mas eu amo sexo quando tenho a oportunidade, mas não o idolatro quando
distante. E veja você, tenho duas bolas e um pau, que já deram conta, se
marcar, até de uma de suas mães.
Agora não me venha com mania idiota de me taxar de maluco, retardado ou tolo. Não sou seu
rótulo abusivo de virtudes derrotadas, não me compare à sua vida, porque pra
mim, ainda que no chão de um bar, minha virtude é vitoriosa. Não se iluda com
os preceitos de amor e morte que prego em meus textos, muito menos se iluda com
as trepadas vis que tenho às vezes, porque pra mim, elas parecem muito mais
odiosas, na hora, que depois. E se você um dia fez parte de uma trepada minha,
daquelas mecânicas, em que não te ofereci mais que a terceira vez, sinta-se
idiotamente rebaixada, mulher. Porque se me julgas o magistral dos bêbados sujos,
fostes desprezada por mim.
E eu estou aqui, na minha cama, ansioso por um gole de conhaque, te dou mais alguns
minutos pra bater à minha porta e me gratificar com isso. Mas, como sou sempre,
realista demais, a porta vai continuar fechada e não haverá batida. O telefone
não tocará mais com um de seus números e eu vou ficar feliz assim, por me
evitar, complacente, com a tua ausência taciturna. Assim sendo, abro eu mesmo
meu conhaque, sirvo-me a mim e brindo à tua maldita existência. CHEERS, malditas.
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012
velho, puta e desconhecida.
Sentara ao meu lado, dissera coisas incríveis sobre como os urubus degustam suas carniças e os comparava às mulheres. Logo, de pronto, não hesitei em concordar.
Tirou dois cigarros do bolso, jogou um à minha frente, no balcão, e disse: fume um desses você
verá que gosto bom estes têm! Peguei meu isqueiro, acendi, traguei e tossi mais
que havia tossido com qualquer cigarro na minha vida, então apaguei no meu
conhaque e virei o copo. O velho sorriu da minha cara e me disse que era assim
mesmo, que na vida, a gente só pode experimentar o que estamos dispostos a
aguentar. Levantei-me, fui ao banheiro e quando voltei, ele não estava mais.
Perguntei ao dono do bar se o velho havia saído, ele não me respondeu, estava ocupado
recebendo um boquete de uma vagabunda que não tinha dinheiro pra pagar a conta.
Deixei o dinheiro no balcão e fui embora.
Chegando em casa, estava frio, eu não me lembrava de muita coisa do dia anterior, mas tinha
roupas no chão, alguma mulher veio e fora embora pelada... provavelmente.
Porque havia uma vestimenta completa ali, calcinha, calça, sutiã, blusinha com
uma foto de Marylin Monroe. Aos poucos fui recobrando a figura da mulher, não
lembrava-me do nome, estava fadado ao fracasso e subitamente a porta do
banheiro se abre, era linda, loura, olhos claros e um par de peitos
maravilhosos. Não era exatamente a que eu havia me lembrado, mas era mais
surpreendente.
- Oi, Téo. Como foi no bar?
- Foi tudo bem.
E eu a olhava,
dissecando, tudo, corpo, olhos, alma...
- Você não se lembra de nada de ontem, né?
- É, não me lembro de nada. – Enquanto eu colocava meu disco do Jeff Buckley pra rolar.
- Eu te lembro então. Você foi à zona, eu trabalho lá, então você me pediu pra vir morar
contigo, que me tiraria daquela vida. Mas você estava tão bêbado, que eu não
vim pra sua casa por escolha, eu gostei muito de você, eu vim te trazer, dormi
um pouco contigo, você insistia em trepar comigo, mas você estava tão bêbado
que não aguentou nada. Mas não se preocupe, só estava tomando um banho, está
aqui a chave de seu carro, vou embora, jajá começa meu expediente de novo e se
você quiser ir até lá, sem estar bêbado e me fizer o mesmo convite, eu aceito.
- Tudo bem, bom trabalho.
Dormi um pouco, não me lembrava como havia amanhecido, nem como havia deixado-a em casa e ido pro bar. Ao passo que dormia, meu corpo suava, dormi muito pouco, acordei muito
cansado, peguei minha garrafa de vodca e tomei inteira. Eu pensava naquela
mulher, eu pensava em outra também, mas agora não mais com tanto amor, esta
outra, inocente mulher, havia me feito apagar um pouco aquela que houvera me
deixado. O amor tem destas coisas, você sofre dias, você vai à bares, igrejas,
casas de amigos pra tentar dissuadi-lo e quando menos espera, numa zona, você
encontra paz. Tomei um banho, estava bêbado, não conseguia dirigir, mas sabia
exatamente o que queria... Fui à zona, perguntei sobre ela, não lembrava seu
nome, vi todas as mulheres da casa, nenhuma era ela. Ninguem a conhecia – você pode
virar amante de muitas mulheres, mas só uma é realmente sua amante – e meus
olhos brilhavam de tristeza, fundos e atormentados, batia na porta dos quartos,
atazanava todo mundo, um segurança preto bateu na minha cara e dizia: acorda,
Filho da puta. Quem se apaixona por puta é corno.
Fui pro bar, não a havia encontrado, bebi muito, muito mais que havia bebido na noite que a
havia encontrado e quando acordei, havia uma mulher ao meu lado, que não sabia
seu nome, nem sua idade, nem seus dotes, minha cabeça explodia e aí então, eu a
pedi em casamento e ela não aceitou. Foi-se embora e nunca mais a vi. E era
assim, desde o começo, as pessoas passavam pela minha vida só por momentos e na
maioria das vezes eu não lembrava exatamente quem eram, nem seus nomes e muito
menos como as havia conhecido. Decidi então parar de conhece-las e bebia no
escuro do quarto, como um corpo podre à espera da puta, da santa ou do velho
barbado e conselheiro.
bar, amigo e sol!
com um pouco de espaço e tempo,
viver tudo que ainda não tinha vivido.
E as dores,
desamores,
bebidas,
tudo,
será apenas questão de gosto.
E os teus melhores amigos
te acolherão num bar,
quando nada mais interessa.
E um deles não beberá nada.
Pra ensinar você que o horizonte
não acaba ali.
E você agradecerá.
Será o melhor de tudo,
e quando pensar que tudo está perdido.
Amanhecerá num dia de sol,
com teus olhares renovados,
e agradecerá teu amigo pela companhia.
E as coisas que não faziam mais sentido,
voltarão a fazer.
A vida,
a amizade,
teu amigo dizendo que você pode,
e você pode.
Aí vai se levantar,
e no dia de sol,
céu azul e gaivotas
te farão acreditar que é um novo começo.
Porque é um novo começo,
Agora, amanhã e depois.
E mesmo quando o dia estiver nublado,
será um começo.
E teu amigo, talvez precise de você,
e você não beberá,
pra conforta-lo,
porque pro horizonte basta uma luz,
e pra você, basta um bom amigo.
quinta-feira, 26 de janeiro de 2012
felicidade, segundo e desfecho.
A casa seria construída em cima da casa dos sogros, um puxadinho sei lá, estas coisas que costumam inventar. E então fizeram, então construíram, casaram-se. Mas o inesperado, aquilo que ela não constatava na solteirice, acontecera. Alexandre era um péssimo amante, trepava mal pra diabo. Então Samantha procurou fora de casa, e alguns meses depois, um amigo que os fizera visita, vira uma carta em cima de uma cômoda, enquanto Alexandre estava por chegar, e lera, constatara que era uma carta de um amante de Samantha, guardou-a, mostrou ao amigo mais tarde e Samantha então, teve seu casamento amputado, ela amava muito Alexandre, mas ela amava ainda mais o sexo bem feito. Dissera-lhe palavras horríveis, Alexandre não tinha reação, e ela dizia: pra você perceber, Alexandre. Tu és mole até quando és corno. Então fizera a vida dele, um inferno, maldissera seu nome por toda a cidade e saiu da casa em busca do amante. Que a desprezou. Pro amante, Samantha também só servia sexualmente. No fundo pra ela, o amante também.
Ao acordar, Samantha foi até a delegacia mais próxima, prestou queixa. Edson foi procurado pela polícia. Foi preso.
Alguns dias depois, infeliz com a vida e os desamores, Samantha questionara o que procurava. Um clichê absurdo, todo mundo, em todo momento da vida, questiona o que se passa, o por quê dos erros, o por quê das falhas. Samantha então descobrira que o problema não eram os outros, o problema, era seu coração, frio feito gelo seco, ardia e queimava. Samantha então teve uma ideia. Tocou fogo na casa, deitou-se na cama e esperou o fogo, que já ardia a casa, acender seu coração.
quarta-feira, 25 de janeiro de 2012
Tu, és... por favor.
sábado, 21 de janeiro de 2012
Bar, mulher e saudade.
Karen chega e nos cumprimenta com beijo no rosto, a mim, é mais receptiva, senta no meu colo e me diz ao pé do ouvido: essa noite posso ser tudo que você quiser.
Levanto, a pego pelo cabelo, e dou um beijo quente em sua boca. Ela sorri, diz que vai sofrer, com cara de safada, querendo sofrer e no meio do bar, coloca a mão por dentro da minha calça, pega no meu pau e ainda dizendo ao pé do meu ouvido: quero brincar com ele hoje. E fomos pra minha casa. Tirou um pouco de cocaína do bolso, cheirou. Eu não quis, não era algo que podia arriscar mais. Disse que com a cocaína ficaria mais elétrica, meteria ainda mais, eu já sabia, não era a primeira vez, mas com ela, tudo parecia primeira vez. Ela me dava calafrios. Era uma mulher de um porte intelectual sem medidas, conhecia de tudo, fazia de tudo, era artista plástica, cantava, dançava, rebolava, como nenhuma outra. Eu era apaixonado por aquela mulher. Mas não sabíamos disso, porque tudo que nos apetecia era sexo e não carinho.
Olhei em teus olhos, segurei seus cabelos, joguei-a na cama, arranquei sua roupa, chupei seus peitos, sua boceta, eu enfiei meu pau o mais fundo que podia e gozei dentro dela. Eu queria aquela mulher, eu tive, gozamos como nunca... Acendi um cigarro, ela cheirou outra carreira de cocaína e então, pedi pra ir embora, já era hora. Rasgou meu ‘mulheres’ do Bukowski, ficou emputecida porque pedi pra ir embora, a puxei pelos cabelos joguei na rua e mandei, implorei, pedi, rastejei pra que nunca mais aparecesse. E nunca mais apareceu. Às vezes o álcool não supre a falta de uma boa mulher, nem amigos feios, nem rock’n’roll, nem pinga com mel ou muito menos o conhaque. Claro que não. O álcool não supre os problemas, mas os incomoda. Nos faz preteri-los em detrimento da dor.
Hoje acordei com febre, chamei teu nome três vezes, pedi pra que alguém a ajudasse, Karen. Meus olhos não funcionam mais tão bem e meus ouvidos não te ouviriam se você quisesse pedir pra eu te comer de novo. Meu pulmão continua sangrando, minha tosse é insuportável. Escute: cuide-se. Pare com a droga, arrumAe um homem que não vá te bater por causa de um livro, mas que te ame tanto quanto aquele que o fez. Perdoa-me, baby... Se eu pudesse escolher viver novamente, sob o efeito do Eterno Retorno, eu viveria. Você me foi um prazer.. Toca agora a musica de Gardel, que tanto gostávamos: Cuantas veces embozada, una lagrima assomada, yo no pude contener.
quarta-feira, 18 de janeiro de 2012
Sem mim.
tinha que sobressair,
de alguns homens do local,
eu era o mais pervertido e o mais feio.
Ofereci um conhaque,
dois cigarros,
uma moeda pro jukebox.
Aceitou-os prontamente.
Tinha pele branca.
Cabelos negros.
Olhos castanhos.
Um corpo bonito,
peitos pequenos,
bunda arrebitada,
eu imaginava minha mão em sua cintura.
E foi assim.
Depois de tudo que dei,
depois de tudo que ela quis,
eu dei.
E me maltratou,
foi-se embora.
Não com algum homem,
mas sem mim.
quinta-feira, 22 de dezembro de 2011
Homem, beats e correr.
e quase que não da pra acompanha-lo.
Há pessoas sujas no caminho e alguns mendigos.
Com seu violão à espera da nota perfeita no case,
continua a caminhar.
Deus, ele diz, há algumas pessoas famintas,
e ele então, tira seu violão da caixa.
Os pássaros em coral.
As mulheres com suas saias a se levantar.
Os bares com alguns mortos, outros nem tanto.
Mortos e meio-mortos.
Sua mulher corre à beira da praia.
Ele está saudoso.
Eis que surgem algumas notas,
e a musica diz: hey, hey, my, my...
É Neil Young no seu violão semi-acustico.
Um livro do Stendhal dentro da caixa do violão.
Outro de Ferlinghetti.
E ele toca seu violão bem alto.
As pessoas continuam sujas.
As saias das mulheres começam a descer.
Todo mundo sabe,
Todo mundo vê:
que os acordes destoados,
que a desafinação da saudade.
Não tem conserto ali.
E não terá senão, à beira da praia. Correndo acompanhado.
terça-feira, 22 de novembro de 2011
Bichos, falta de arroz e indigencia.
... você não foi por minha causa, foi?
Aqueles discos que você levou, foi pra nunca mais voltar?
E se eu pedir, por favor, você os empresta pra eu ter o que escutar?
E aquela louça que está em cima da pia, é de quando?
Agora, o gato, o gato não, o gato culpa a ti.
Ele diz que foi você quem me desdenhou e me submeteu a isso.
E entre conhaques e cervejas, eu respiro essa porra desse cigarro que você deixou.
Mas os livros, aquele Decamerão, o Cartas na Rua, o On The Road, você levou.
Você deixou o livro do Desassossego e o Morangos Mofados.
Às vezes eu faço duas ou três orações e dou um gole no vinho.
As outras vezes eu somente bebo.
E aquele concerto de Mahler, que você gravou pra mim, você tambem levou.
Porra, aí é exagero, você nem gosta de Mahler.
O pássaro tá piando desde quando você bateu a porta,
E o caralho não para de cantar a quinta sinfonia.
Se você tivesse deixado ao menos arroz pronto
esses animais não me fariam sentir tanto sua falta.
Seria pior se você tivesse dado nomes a eles, mas eles não têm nome;
Nem Bukowski tem nome mais.
Mahler tambem não tem mais nome.
E eu tambem não tenho mais.
terça-feira, 13 de setembro de 2011
Panquecas.
Fui ao balcão, sentei-me, o Ramon que sempre me atendia, não estava lá, eu olhava pros lados pra procurá-lo e o filho da puta não estava lá! Devia estar num daqueles dias de ressaca e dera o cano no serviço. Atendera-me uma mulher bonita, tinha seus olhos negros e um cabelo tão negro quanto, escorrido pelo corpo, como se estivesse a se aproveitar daquele corpo todo.
Perguntei-a onde estava Ramon, ela disse que havia sido morto dias antes, há uns cinco, com um tiro no meio da testa. Assustei-me, Ramon era um bom homem, sempre me servia um conhaque antes da panqueca pra apurar melhor o apetite do grande e magistral prato que preparava com inexplicável dedicação. Ok - disse. Você pode me servir então uma panqueca, com bastante molho. E um copo de conhaque, por favor. Ela sequer sorriu me parecia uma mulher dura. Precisava talvez de um bom pau ou um bom amor, mas não tinha nenhum dos dois pra servi-la. A panqueca chegou; o conhaque já havia descido, já não queimava mais ou provocava gosto algum. Se com o conhaque havia sido daquela forma, imaginei a panqueca, mas arrisquei. É, era como eu imaginava, não era mais a panqueca do Ramon e agora, havia aquela moça linda ali, a fitar minhas garfadas, com tamanha pretensão, como que se tivesse nojo do ímpeto de minha boca a devorar insanamente aquela panqueca sem gosto e sem vida, o gosto da panqueca - o que podemos chamar de alma - havia morrido junto com o Ramon, ficara somente a massa - que podemos chamar de corpo, que, indolente, não sanava nada alem da fome física.
E eu estava perdido, porque ali, diante dos meus olhos, estava uma prova de Rubem Alves a dizer: É na morte que mora a saudade. - E enfim, eu estava saudoso da panqueca de Ramon que sua morte a alma levara. Levantei, paguei a conta, pedi duas garrafas de conhaque e aquela noite, fora a primeira, de outras tantas que bebi por dor da morte. O conhaque, as panquecas, as mulheres, a morte me levara vários gostos. Alguns que jamais voltaram. A morte já não me preocupava mais, o que me preocupava, era onde agora, me instalaria à procura de algum gosto pra sanar a necessidade de minha alma. Meu gosto também estava sumindo e as pessoas já não se importavam, procuravam outros. Aquela moça não me fitou a fim de sexo ou à procura de amor. Um brinde agora, a mim tambem.
quinta-feira, 8 de setembro de 2011
à sua morte, Léo!
Você morreu.
Você era um homem duro.
Mas morreu homem.
Você era frágil, às vezes.
Isso te infantilizava.
Agora há uma criança aqui,
Que chora ensandecida.
Como se quisesse questionar algo,
E se você estivesse aqui,
Me perguntaria o por quê
Dela chorar assim.
E afloraria seu lado criança.
E eu não saberia responder,
Porque só vocês dois têm
A velha afinidade das crianças,
De querer saber o choro do outro,
Inocentemente a fim de curar a dor.
Mas você não está.
A criança continua a chorar.
E eu espero que você tenha ido,
Não por acreditar em um lugar melhor,
Não, você não era tão criança assim.
E se foi por isso,
Eu juro, que nunca mais,
Pago aquela pinga com mel
Quando te vir novamente.
E aquele velho abraço,
Com um beijo no rosto.
Fará falta.
Assim como sua dureza.
Que impunha na gente
Um pouco de vivacidade.
terça-feira, 30 de agosto de 2011
Poema de morte e vida.
Como num começo, meio e fim,
De um maldito conto de fadas.
O maldito que,
Você se vai.
O príncipe fica.
E você diz que ama.
O Príncipe também.
E não há o que fazer.
A história da melancolia
envolve todos os romances.
O conto de carochinha,
O conto da vovó.
A Bíblia.
Seu deus,
Os deuses.
Todos se vão.
Tudo há de morrer.
Mas neste momento,
Esta lágrima vive.
E este homem ama
o que há de morrer.
sexta-feira, 26 de agosto de 2011
Dói bulir o desespero.
Estou ansioso pra chegar em casa, e quem sabe, ainda ter a fé, de ter você a me esperar. Mas eu sei, que a fé em algo inexistente, pode expurgar a razão. Estou tão burro diante desse sentimento. Que acho que estou prestes a cometer algum erro. Me declarar, talvez. Ou comprar doces. Chocolates. Me empanturrar de álcool com algum doce. Meu bem, você me acometeu loucuras, estou viciado em doces, porque, confesso, eu não conhecia nada, alem do ázimo da vida. Essa coisa sem gosto e fastienta que me levava à loucura da solidão. Há um pouco de consenso ainda, eu acho que há, porque eu ainda lembro seu nome. Mas o engraçado, é que fora de ti, não há nada tão virtuoso. Nem pasteis de calabresa têm mais o mesmo sabor.
Não que eles fossem iguaria, mas pastéis de calabresa, sempre, em qualquer lugar que fosse, tinham o mesmo sabor. Você passa dias a fio imaginando, que, agora, precisa de uma boa pastelaria, não passa? É. Não passa. Pastéis de calabresa, agora, ou sempre, pouco importam. Eu te desejo sorte, mas não muita, pra que não me esqueça, entende? É preciso um pouco de desventura pra ter-me dentro de você. E cuidado com os carros, eles são sempre traiçoeiros. Se eu pedir pra você voltar, você volta? Claro que não. Por que estou rastejando nestes sintomas todos se eu não sei nem o que você despeja sobre este chão? E se eu pedir pra você voltar, você volta? Talvez. Se os dias tiverem, aos cuidados dos momentos que passamos, talvez. Mas saiba, não será sempre assim. Não lhe farei poemas todos os dias. E nem assistirei sempre os teus filmes. Eu preciso de solidão, às vezes, entende? Eu preciso evoluir e a minha solidão é a minha forma de sinapse; absorvo sempre, minha inteligência, quando paro e me reconheço. Mas eu posso olhar sempre nos teus olhos, beijar sempre seus seios e alisar tuas costas. Eu prometo, e confesso, que é uma das coisas que me fez apaixonar, suas costas são lindas. Eu preciso parar de falar, minha língua queimada ainda dói. Dói não. Arde. O que dói. Não é a dor que você está acostumada a ver bulir os meus pulmões. É uma dor nova, agora você entende. Pressuposto desespero. Um beijo. E felicidades.
quarta-feira, 3 de agosto de 2011
Fada, foda-se, Téo e sinfonias.
Havia bebidas, bêbado.
Coloquei a terceira do Mahler.
Era uma história incrível.
Via pássaros coloridos,
uma fada verde, nua.
Ela havia vindo me visitar.
Queria o terceiro movimento,
da oitava do Dvorak...
Tananãaaaa, ta nanã, tannãaaa...
e segurava minha mão direita.
quase que valsávamos.
os tambores rugiam.
e tananãaaa, ta nanã, tannãaaa...
meu deus, não me lembro ao certo o que bebi.
trepamos a noite toda, em pé.
ouvindo Mahler e Dvorak.
Ou deus não existia,
ou estava muito ocupado.
porque qualquer um daria tudo pra estar no meu lugar.
E pela manhã, a fada ainda estava lá.
Não era bem uma fada.
a maquiagem estava borrada.
a musica me doía a cabeça.
a ideia de ter uma mulher, atormentava.
coloquei minha roupa.
Levantei. "Vou ao bar."
E quando voltei.
Lágrimas nos lençóis.
Batom no espelho:
"foda-se, Téo" estava concretizado meu conto de fadas.
terça-feira, 26 de julho de 2011
ônibus, ressaca e sobrevivência.
- moço, tudo bem contigo?
- tudo bem.
- não é o que parece.
- então sua pergunta tinha que ser outra.
- então; você precisa de ajuda, moço?
- não, obrigado.
- mas moço, você tossiu e sangrou.
- eu sei, estou doente dos pulmões e nãos dos olhos.
- que ignorante você é.
- oh, sinto muito.
Quando levanto os olhos, me surpreendo, ela tem olhos de coruja, me roubam o sentido, fico alguns segundo sem saber o que falar e por fim digo:
- é só a ressaca.
- mas moço, hoje é terça-feira, você foi beber na segunda?
- não há dia pros problemas aparecerem, menina. Os problemas estão aí, soltos no ar, você pode respirá-los e de repente vem um dos grandes e você não tem como se salvar. O álcool é anestesia porque a vida é um processo dolorido.
- então o problema que você respirou lhe fez muito mal, viu? Há muito sangue saindo daí.
Sorri, não havia outra forma de reagir àquela que se preocupara comigo em anos. Tinha um belo cabelo, parecia que um dia tombariam, patrimônio histórico, jamais vira algo igual antes... Vestia uma blusa branca, seu decote era qualquer coisa como: oh, céus. Deus está ali dentro. Tinha um sorriso acanhado, mesmo pela situação ela sorria; talvez de nervoso.
- Qual seu nome?
- Téo.
- prazer, Janaína.
- tive tantas janaínas na minha vida e todas problemáticas. Você me parece ser mais uma.
- não se preocupe, não farei parte da sua vida, Téo.
- Ok, Janaína. Pode me emprestar seu lenço?
Deu-me seu lenço, eu ardia em febre, era chegada minha hora, hora de descer. Então acenei com a cabeça, ela retribuiu... ... era a segunda vez que eu havia perdido o amor, em um mês! Havia sobrevivido há varias mortes, inclusive a do amor.
terça-feira, 19 de julho de 2011
Carol, amor e Beethô!
Sentou ao meu lado, mas não porque queria conversar comigo, o bar estava cheio, pediu uma vodca com soda, tomou em um só gole, não era deus quem estava ali, também não era o diabo, seria sacanagem. Levantou-se pra ir embora o garçom pediu o dinheiro, ela disse: ah, anota na conta desse bêbado aí. E apontou pra mim. Segurei-a pelo braço e disse que eu não pagava bebidas pra vagabundas, me deu um tapa na cara, segurei-a junto ao meu corpo, olhei em teus olhos e disse: vamos pra minha casa. Ela não hesitou, lógico, afinal, eu pagaria a conta.
Chegando a casa, eu queria ouvir Beethô, ela disse que queria ouvir Placebo. Eu queria trepar, ela queria beber. Eu nunca sabia ao certo o que as mulheres queriam e ainda diziam que eu era egoísta. Eu não era egoísta. Não sou.
Contou-me que era casada, que não largaria o rapaz pra ficar com qualquer homem. Você pode passar a vida procurando mulheres e nunca encontrará a certa. Um dia a correta lhe encontrará e não será mais a certa pra você! Você pode passar a vida sonhando com olhos azuis, bunda redonda, cabelo liso, curto, mas ao final, jamais terminará com seu sonho. O sonho dura uma noite a realidade dura o tempo todo, e é nela que esta a dor. Você pode sonhar com anjos, gaivotas, passeios nos parques de mãos dadas, comendo pipocas, vestidos longos, festas, bailes, tangos, amor. Mas sempre terminará com mendigos, pombos, praça da sé, pastores em pregação e uma puta queimação no estômago por causa do lanche barato.
Carol, Carol era seu nome, aliás, não era, mas era assim que eu gostava de chama-la. Das milhares de mulheres que apelidei até hoje, nenhuma era Carol, e Carol me excitava. Tirei o pau pra fora e ela não quis mais saber. Tirou Placebo do Play e foi se dirigindo à porta. Abriu, fechou e ouvi seus passos escada abaixo. Coloquei Beethô dessa vez, a terceira, explodiu dentro de mim um big bang, minutos depois a dor, horas depois o vazio e quando acordei, febril, lábios rachados e dizia insistentemente: Ah, como te amei, Carol. A terceira sinfonia já não rolava mais, não havia mais mulher – era assim toda vez. E meu zíper não fechava mais. Era um pau à espera da companheira perfeita. Mas agora, era meu coração quem dava falta.
quarta-feira, 13 de julho de 2011
bolas de gude, amores platônicos e mulheres.
É preciso um pouco de maturidade e absorção do divino pra lidar com as criaturas que você emborca. Mulheres de ponta-cabeça; era tudo isso que tinha no meu paladar adolescente, todas elas abaixo da minha cintura, desnivelando o poder democrático que elas buscavam.
No amor, nada acontecia, a falta do mesmo convívio social me fazia quieto demais, inseguro demais, as pessoas sempre me assustavam, as pessoas eram, desde sempre, o bicho que eu mais temia. Ver os amiguinhos pra cima e pra baixo com as meninas mais bonitas do colégio, tambem me causava repulsa. Inveja, talvez. Inveja não, ciúmes. Desde o começo eu sempre quis que todas as mulheres fossem minhas.
Lidou com as mulheres desde a minha infância. eu precisava despistar minha mãe e minha irmã pra sair pra rua em busca de pipas, bolas de gude e futebol. Não correria atrás de nada disso, se eu soubesse que as amigas da minha irmã eram as mais gostosas diversões entre o céu e a terra. Mas eu era muito jovem, talvez eu fosse muito jovem mesmo pra suportar as mulheres. Hoje continuo isolado, com ciumes de alguns caras, e ainda mais jovem pra suportar alguem. Inclua-se nisso. Bolas de gude, amores platônicos e mulheres, não se suporta isso por muito tempo!
quarta-feira, 6 de julho de 2011
tristes, lugares, tristes.
Não se pode cogitar chegar bem ao final de sua vida, se não estiver acompanhado de um bom uísque, uma boa boceta e um bom cigarro. Um livro de poemas, algumas boas musicas e uns três amigos são essenciais tambem pra sobrevida.
Ando vivendo com uns modos cognitivos, não que a vida precisa ter sentido o tempo todo e não que você estará lá toda vez que eu precisar de alguém pra meter o pé na porta. Eu não preciso de você pra meter o pé na porta pra mim, não sou chegado a companhias. Ando sozinho, livre da represália de idiotas tentando apontar caminhos. E não é que eu esteja desesperado, mas é que pode ser até bom viver, mas é tão difícil ser humano.
Vou caminhando, passo a passo, livre, liberto, em bares sujos, zonas repletas de mulheres mortas, mas mais vivas que as empresárias do seu setor fétido, onde há gente grunhindo e matando-te o tempo todo. Ando por aí, praças sem vilões, sem palcos, com garrafas jogadas, vazias – veja, não estamos tão diferentes.
Talvez o fato de eu frequentar tais lugares, lugares algures, sem pretensões, livres da luxuosidade de seus restaurantes, lugares tristes, isso, lugares tristes, seja pelo fato de eu me reconhecer em lugares tristes. Sejam quais forem os lugares tristes, estou lá. Apto a vivê-lo.
terça-feira, 28 de junho de 2011
sonho, leite e lambidas.
e não foi um sonho qualquer.
eu era um gato,
que lambia meu rabo por muito tempo,
e dormia por muito tempo.
e vc havia me deixado,
a vizinha me dava comida de gato,
como é ruim comida de gato.
não me lembro de gostar de Wagner,
ela colocava uma música tão chata do apartamento dela,
era engraçado que agora eu ouvia com mais nitidez.
eu odiava ser um gato,
vc sabe que eu jamais gostei de gatos,
não gosto de bichos, cacete.
Por que vc me deixou quando eu mais precisei de você?
E você não voltava,
passava dias a fio,
e me lembro que a única coisa que me identificava enquanto ser humano,
era odiar leite.
eu era um gato que odiava leite.
E a minha barba de gato, fazia cócegas no meu rabo.
Porra, você foi embora e não era o meu rabo que eu queria lamber.
Eu tava doido pra ouvir Dvorak, eu era um gato romântico, cara.
Mas quando eu pedia Dvorak, surgia um miau desconsertante.
Tinha pêlos vermelhos, mas não era um ruivo ativo, era talvez adicto.
E você havia saído pela porta da frente, era o que me contara a vizinha;
Ela pensava que eu era só um gato e ficava me contando da vida imunda,
sua e dela.
E você não voltou, por meses ela reclamou que você não pagou os aluguéis que devia.
E quando eu cagava fora da caixinha, ela me xingava e te xingava,
que você deixou pra trás, alem de dívida, um gato filho-da-puta.
E eu fiquei velho, barrigudo e cri-cri...
Ela não me dava mais comida de gato,
e nem pensava em você como devedora.
Aí não precisava mais de você!
Ela dividia o almoço e às vezes eu tomava a cerveja que ela deixava no chão.
Já bêbada, ia dormir e eu lambia o rabo dela.
aí você me acordou, com um beijo de bom dia. E eu te odiei pro resto da vida.
segunda-feira, 13 de junho de 2011
Amor é afronte.
Vista seus sapatos, primeiro calce as meias, há de ter bolhas caso não vista, entenda que você fica frágil demais nestas situações e isso pode ser perigoso. Calce duas, não dê sorte ao azar.
Entenda, por vez, que é necessário pensar, não deixo o amor ser afronte à sua inteligência, o amor é um afronte à inteligência de todos, olhe ao seu redor, que usa a porra do cérebro quando ama? Pense que não, há tantos paus imaculando por aí, há tantos filhos surgindo de amores bizarros, e quem pensa em ter filhos quando se usa o cérebro, quando sabemos que não há divindade lá, quando forem depositar seus restos mortais?
Talvez você só precise entender que os poemas de amor são escritos na ilusão. Por isso não têm valia. Ou você escreve pela loucura ou pela esperança. A ilusão é só uma forma de chegar mais perto do divino. E não há divindidade lá; onde você deposita seus restos mortais.
terça-feira, 10 de maio de 2011
à espera!
Quando você acha que tudo está perdido, talvez se afunde na cerveja à espera de algo que possa lhe ressuscitar, talvez se afunde na Bíblia, talvez você ande de um lado pro outro, essa é a forma mais correta, de um lado e pro outro, pensando no que fazer e não faz nada. Daí vem a espera, a espera é lenta e dolorosa, no meio tempo há coisas que foram feitas pra te iludir, paixões, amores, museus, saraus, este texto e uma porção de outras coisas enganosas. Você acorda, escova os dentes, olha pra privada, levanta a tampa, mija e pensa mais um pouquinho, ah, ah velha cagada antes de ir trabalhar, tão necessária, a sujeira do dia anterior saindo pelo seu reto, alguns guardam por até três dias ou mais, vai saber... ...cagar foi a ilusão mais gostosa que fizeram, sexo foi a mais divertida e prazerosa. Aos frígidos e ressecados sobra o castigo por acreditarem muito em outras coisas que não a espera!
E você trabalha, bebe, alguns trepam, outros não – que vida de merda devem ter. E alguns se apaixonam e amam – que vida de merda devem ter. E vão vivendo, se aposentando, casando e se fodendo e estão sempre à espera. Ou da morte ou da vinda de Jesus ou do próximo copo de cerveja! Ou esperando sua mulher voltar, seu marido voltar sóbrio ou a cura!
terça-feira, 22 de março de 2011
Viscoso, sóbrio e sem graça.
O primeiro que escrevo sóbrio.
Talvez você não saiba a realidade dele,
porque o poema é um poema,
e viver sem a bebida não é poema.
Não tem copo onde encontrar a dor,
não que toda poesia tenha que ter dor,
não que toda poesia tenha que ter verdade,
não que toda poesia tenha que ser ambígua,
isso tudo reserva-se somente às boas.
Não que toda bebida tenha que
ser despejada em cima das palavras.
Mas não há como molha-las;
não há como hesita-las,
risca-las com um lápis,
sem que haja um novo pensamento melhor por cima.
Não há como ter um pensamento melhor por cima,
sem que haja um conhaque ou um vinho.
Por isso, agora, isso NÃO é um poema.
Porque eu não acredito.
Porque não tem álcool.
Porque não existo sóbrio.
sexta-feira, 18 de março de 2011
Wagner, Idílio e aberração.
E os homens olhavam, babavam, um cara me tocou e disse: Puta que pariu, que mulher deliciosamente puta. Estes caras quase nunca sabiam como realmente identificar uma puta, as putas eram deusas, essa não era puta, era mais que isso, e não era o andar, nem eram os cabelos, nem era a cor do seu cabelo, muito menos a roupa, talvez fosse o mistério que a tornasse sexy. Vi um por um, chegando nela, pagando cervejas, gin tônica e uísque, até que todos saíam bêbados e ela ainda lá, bebendo, como se fosse a primeira. Talvez houvesse descoberto meu verdadeiro amor, talvez aquilo fosse motivo do meu tesão, meu pau ficou duro praquela mulher, ali, ao balcão, sentado e matutando de que planeta houvera chegado aquela deliciosa aberração.
- Olá, posso me sentar contigo? – eu disse.
- Vais pagar o que pra mim?
- Ah, eu esperava que isso fosse por sua conta.
- Não pago bebidas pra homens!
- E em que isso difere o contrário?
- O orgulho feminino.
- Vocês são todas iguais.
- Te garanto que não.
- Pode ser que não sejam na cama, mas as que não são boas, acabam sendo um dia, dependendo do pau que encontram.
- Vocês homens também são iguais, só pensam em sexo.
- Sim, mas ser homem é mais divertido, melhor pensar no sexo que no amor, os dois machucam, porem um machuca por muito ter e outro machuca por pouco ter.
- O que quer dizer?
- Gosta de Wagner?
- Quem é Wagner?
- Vamos em casa que eu te mostro, gracinha.
Eu já havia tomado algumas boas doses de conhaque, ela muito mais, posso garantir, e pra rivalizar os sexos a cada um que eu pedia, ela pedia dois, era uma filha da puta versão de Golias, mas tanto faz, esperava mesmo é que ela me fizesse gozar. Os caras do bar a viram levantar, ela tinha duas pernas, digo duas pernas maravilhosas, se ela tivesse só uma, já seria ótimo, nem todas as mulheres que eu já havia visto em revistas pornôs ou pessoalmente ainda que tivesse quatro, digo, nem se juntasse todas as mulheres, chegariam num nível de pernas daqueles. Era como um oleiro, doido, pra apalpar sua cerâmica, aquilo era puro barro, pura arte, era como ler Reinaldo Moraes ou Irvine Welsh, era um orgasmo visual e cerebral, tirei meu pau pra fora, embaixo da mesa, iria bater uma pra ela, mas ela me mandou parar de ser idiota, fechou meu zíper, me segurou pela mão e disse ao pé do meu ouvido que tinha gostado de mim e que queria ir pra casa, conhecer o Wagner. Segurou minha mão, jogou uma nota de cem em cima do balcão, disse pro garçom ficar com o troco, todo mundo me olhava, bêbado, tropicando, com uma mulher daquela me segurando pelo braço. Abriu a porta do bar, me jogou no carro dela, não me lembro que carro que era, caminhávamos pelas ruas a dez mil por hora, meu estômago revirava, eu jamais havia achado alguém que bebia mais que eu, não vomitava antes de chegar a minha casa e enfiar o dedo na goela pra ter mais forças pra beber mais.
Deus, eu havia achado o diabo. Você pode sempre achar que sua vida está perdida, que você está afundado na merda e sabe que há muita gente igual a você por aí, que se mexer, pode feder mais. Acontece que pode piorar.
Ela abriu meu zíper, segurando meu pau e dizendo: Pronto, meu brinquedinho, agora me mostre seu Wagner. Porra, não é possível, ela não fez isso, foi como me livrar da bebedeira, num acesso de raiva, levantei, fechei o zíper, coloquei o Idílio pra rolar, ela reconheceu, disse que amava ouvir Mahler, que tocava violoncelo. Começou a falar, falar muito, como todas as outras mulheres, dormi, acordei sem roupa, com muita dor de cabeça – você não pode extrapolar seus limites quando não tem mais 20 anos, você não pode deixar de comer uma mulher porque ela quer conhecer Wagner – o verdadeiro – você não pode dormir quando elas conversam, você não pode confiar sua vida à elas quando bêbado... Ela não estava lá, não havia preparado café amargo e não havia lavado os copos sujos de vinho da noite anterior. Não achava meu Idílio, você não pode confiar seu Idílio a uma mulher, não o de Siegfried.
terça-feira, 1 de março de 2011
Alquimia de merda.
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
Mulheres.
As artimanhas das mulheres, ao contrário do que muitos pensam, não está somente na boceta, caro amigo. A artimanha maior da mulher, não é o chá de buça, como costumam achar, a artimanha maior de uma mulher é conseguir beber mais que você e por fim, te humilhar por isso. Quando a mulher é dura, não se arrisque, elas podem ser pior que a gente, mais viris, menos inúteis e mais inusitadas. Mulheres não são previsíveis como os homens, mulheres não são iguais, mulheres estão por aí, de todas as formas, com vários sentimentos, com várias indoles, várias formas de foder-te.
No sexo, não vá alem da quarta trepada, quarto encontro ou quarto qualquer coisa, deixe a mulher antes que sua saúde vá pro limbo, elas costumam te jogar lá quando querem, e confesso, que se você chegar ao ponto de só sair do limbo se for por outra mulher, você acabou com a sua vida, então não corra o risco.
No amor, não se arrisque, se quiser faze-las de trouxa, basta que ouvi-las, porque mulheres falam demais, basta citar Caio Fernando Abreu, dar-lhe rosas e manter um pouco de esperança no futuro. Porque mulheres românticas são assim, decepcionantes, talvez valha a pena arriscar com uma dessas pelo sexo, quiçá, a vida pode ter até um gosto melhor, num caso desses, que a solidão.