sexta-feira, 18 de março de 2011

Wagner, Idílio e aberração.

Era necessário, que a partir daquele momento, eu criasse uma idéia nova, visto que todas as mulheres daquele antro me conheciam e sabiam muito bem das minhas mentiras, mas eu precisava de uma trepada. Ela entrou estonteante, com seus cabelos esvoaçantes, ruivos, hidratados e uma roupa que mais parecia uma camisola, daquelas mais sexys, que não me lembro o nome. Parecia comercial da aloe e vera ou qualquer outra baboseira dessas que enganam as mulheres e as fazem de idiotas num comercial de televisão.
E os homens olhavam, babavam, um cara me tocou e disse: Puta que pariu, que mulher deliciosamente puta. Estes caras quase nunca sabiam como realmente identificar uma puta, as putas eram deusas, essa não era puta, era mais que isso, e não era o andar, nem eram os cabelos, nem era a cor do seu cabelo, muito menos a roupa, talvez fosse o mistério que a tornasse sexy. Vi um por um, chegando nela, pagando cervejas, gin tônica e uísque, até que todos saíam bêbados e ela ainda lá, bebendo, como se fosse a primeira. Talvez houvesse descoberto meu verdadeiro amor, talvez aquilo fosse motivo do meu tesão, meu pau ficou duro praquela mulher, ali, ao balcão, sentado e matutando de que planeta houvera chegado aquela deliciosa aberração.
- Olá, posso me sentar contigo? – eu disse.
- Vais pagar o que pra mim?
- Ah, eu esperava que isso fosse por sua conta.
- Não pago bebidas pra homens!
- E em que isso difere o contrário?
- O orgulho feminino.
- Vocês são todas iguais.
- Te garanto que não.
- Pode ser que não sejam na cama, mas as que não são boas, acabam sendo um dia, dependendo do pau que encontram.
- Vocês homens também são iguais, só pensam em sexo.
- Sim, mas ser homem é mais divertido, melhor pensar no sexo que no amor, os dois machucam, porem um machuca por muito ter e outro machuca por pouco ter.
- O que quer dizer?
- Gosta de Wagner?
- Quem é Wagner?
- Vamos em casa que eu te mostro, gracinha.
Eu já havia tomado algumas boas doses de conhaque, ela muito mais, posso garantir, e pra rivalizar os sexos a cada um que eu pedia, ela pedia dois, era uma filha da puta versão de Golias, mas tanto faz, esperava mesmo é que ela me fizesse gozar. Os caras do bar a viram levantar, ela tinha duas pernas, digo duas pernas maravilhosas, se ela tivesse só uma, já seria ótimo, nem todas as mulheres que eu já havia visto em revistas pornôs ou pessoalmente ainda que tivesse quatro, digo, nem se juntasse todas as mulheres, chegariam num nível de pernas daqueles. Era como um oleiro, doido, pra apalpar sua cerâmica, aquilo era puro barro, pura arte, era como ler Reinaldo Moraes ou Irvine Welsh, era um orgasmo visual e cerebral, tirei meu pau pra fora, embaixo da mesa, iria bater uma pra ela, mas ela me mandou parar de ser idiota, fechou meu zíper, me segurou pela mão e disse ao pé do meu ouvido que tinha gostado de mim e que queria ir pra casa, conhecer o Wagner. Segurou minha mão, jogou uma nota de cem em cima do balcão, disse pro garçom ficar com o troco, todo mundo me olhava, bêbado, tropicando, com uma mulher daquela me segurando pelo braço. Abriu a porta do bar, me jogou no carro dela, não me lembro que carro que era, caminhávamos pelas ruas a dez mil por hora, meu estômago revirava, eu jamais havia achado alguém que bebia mais que eu, não vomitava antes de chegar a minha casa e enfiar o dedo na goela pra ter mais forças pra beber mais.
Deus, eu havia achado o diabo. Você pode sempre achar que sua vida está perdida, que você está afundado na merda e sabe que há muita gente igual a você por aí, que se mexer, pode feder mais. Acontece que pode piorar.
Ela abriu meu zíper, segurando meu pau e dizendo: Pronto, meu brinquedinho, agora me mostre seu Wagner. Porra, não é possível, ela não fez isso, foi como me livrar da bebedeira, num acesso de raiva, levantei, fechei o zíper, coloquei o Idílio pra rolar, ela reconheceu, disse que amava ouvir Mahler, que tocava violoncelo. Começou a falar, falar muito, como todas as outras mulheres, dormi, acordei sem roupa, com muita dor de cabeça – você não pode extrapolar seus limites quando não tem mais 20 anos, você não pode deixar de comer uma mulher porque ela quer conhecer Wagner – o verdadeiro – você não pode dormir quando elas conversam, você não pode confiar sua vida à elas quando bêbado... Ela não estava lá, não havia preparado café amargo e não havia lavado os copos sujos de vinho da noite anterior. Não achava meu Idílio, você não pode confiar seu Idílio a uma mulher, não o de Siegfried.

2 comentários:

William Silva (Mumu) disse...

Só quando estamos bebados não devemos confiar nossas vidas a elas?

O pior é ver que cometemos esse erro mais vezes quando estamos sóbrios!

Confusa disse...

Acho que não devem confiar nem sóbrios, nem bêbados, e nem de forma alguma!
Somos o diabo, isto é FATO!