quarta-feira, 7 de julho de 2010

Dúvida.

Eu não sei exatamente onde me lanço. Ando perdido. É dificil ter que decidir quando as duas coisas são boas. Você vai vagando por aí, sem saber ao certo se o mundo lhe oferece o bem ou o bem. Visto que esta escolha é a mais oportuna, você abre os olhos, vê à sua frente, uma é amor a outra é paixão, uma lhe devassa o cérebro outra lhe acalma o pau. Aí você diz: a da direita.
E pela sua escolha, o conhaque, acaba jogado na cama de sapatos no dia seguinte com a boca amarga. Hoje é dia da da esquerda: Cerveja.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

velho gagá

Como quando a todo momento eu sanava minhas dúvidas via pesquisadores on
line. A qualquer momento posso ir e invadir sua página, não, mentira,
não posso.
Ela estava lá, parecia-me que tal perto do velho pesquisador, em que me
mostrava conhecimento mas era ali, somente on line, na mesa da pesquisa,
na parte visual, a realidade que não se tornava material nem em se
tratando de lágrimas cumplices.
Lembro-me quando fiz a guria chorar, me senti um velho vagabundo safado
que ficara sentado na esquina, frente a quitanda; fazendo menininhas
inocentes se sentirem acanhadas pela tara do pinto mole em que apetecia
meu corpo inteiro. Baby, você esqueceu de tomar seus remédios - Era o
que dizia meu neto em que apelidara em dias anteriores meu psiquiatra; o
meu velho e gagá subconsciente.
Assim me sinto até hoje, um gagá sem idade, ora adolescente o suficiente
pra cagar no tapete de entrada. Ora velho o suficiente pra ser impotente
nas minhas verdades. Por um tempo me senti adulto responsável, quando a
moça esperava de mim algo que alcançara somente ao lado dela. Ao lado
longe, como o resultado de uma página de pesquisas, assim, tão legível,
mas um vidro cheio de manchas de meus dedos. Preciso tocá-la; pelo sexo
ou pela morte

Tudo Certo.

Tudo certo,
Cada um pra um lado.
Você vê
Às ordens.
Um pedaço,
Pernas,
Cabeças,
Corpos decepados.
Você não sabe
Tirar
O Johnny Cash do Play.
A pausa é angustiante.
Tens quinze álbuns.
Cada pedaço
Dos corpos espalhados.
Pede uma música.
Você não agrada ninguém,
STOP!
Impossível,
A música continua.
Indubitavelmente
No córtex.
Lançando um: he
Was
The kind
Of man, who
Would gamble on luck!*
E te virava
Do avesso
E seu corpo se partia
Braços, pernas pro lado de lá.
E um coração rindo,
Da fraqueza do cérebro.



*Trecho de A Thing Called Love - Johnny Cash.
Tradução do trecho: Ele era do tipo de homem que brincava com amor!

DADA!

Coloca um. Um, meio, dois, tanto faz, na vibe que estamos a vida já ficou pra traz. Não é que eu queira viver, mas não quero morrer. E se por acaso houver um meio-termo, qual você há de preferir? Uma vida sóbria com problemas entalados na garganta, ou ainda, um ébrio sem condições de enfrentá-los? Seus problemas a esmo, jogados sobre a mesa, como um carteado de truco, esperando virar o coringa e você dá um sinal: nada.
Você tem duas opções: blefar ou fugir. Mas quando bebe toma coragem, blefar? Não, blefar é pra quem consegue mentir, mas se lembra de alguém dizer: você não sabe mentir porque tem memória fraca. Mas e daí? O jogo é tão rápido, precisa ser posto à mesa em questão de segundos. Você sabe mentir o suficiente pra enganar por segundos? Claro, você já mandou um “eu te amo” pra levar alguém à cama, conseguiu, depois que terminou foi embora. Como um cafajeste. O suficiente pra gozar, deixa-la masturbando e sair por aí dançando na chuva, como um Gene Kelly e se sentiu suficientemente realizado.
As cartas são feitas de realidade e a essa deve sua acepção, porque sua vida é mais dadaísta que Cabaret Voltaire. E termina ingrato, feito DADA, porque a beleza está morta.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

mata-mata

Havia amanhecido, após um final de semana doloroso, não se via uma pessoa nas esquinas, só nos bares. E estar no bar não era uma boa sensação, muita gente me deixa estranho, mal-humorado, você pode passar a vida dentro de um bar, desde que todos os outros estejam do lado de fora. A não ser uma ou duas mulheres bonitas pra não perder totalmente o encanto pela vida. Os amigos já não estavam mais por perto, acho que nunca estiveram. A mulher perfeita deixara de existir, o âmago relutava em existir e as manchetes traziam sangue, as colunas política e o caderno de esportes um mata-mata descomunal.
Fui ao supermercado, comprei um litro de conhaque, voltara, havia brigado com deus e o mundo, aos olhos de deus o inferno não existe, mas ao olho do diabo o próximo morador do inferno já estava se preparando. Havia perdido o medo da morte. Não tinha influência sobre ninguém, os horóscopos eram as consultas prediletas das mulheres, uma de peixes outra de Áries, mas nenhuma ali, na prontidão de ser descrente feito eu. Eram todos felizes, nos bares riam, o que era em demasia fazia minha revelação vir à tona, tudo, tudo era de mentira, exceto a minha verdade. O amor era um pedaço do corpo, do meio pra baixo, como diria o Gabo. A sensação esperançosa havia ruído. Sexo era pecado e amor agora tomava conta. Todos diziam que um bom sexo se fazia com amor. Não deu tempo.
Agora meu nome era “Ridículo” e eu estava no meu canto, no meu quarto, com as janelas fechadas às 14h31min o cheiro forte aninhava meus cabelos e ninava meu sono. Agora era isso; o conhaque, o cheiro e a falta de esperança. Desamor por todos os lados esperando o mata-mata.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Relógio

Não era tempo disso, não era tempo daquilo. Não era tempo. Lia na Bíblia que há tempo pra tudo. Mas não, ali não havia tempo. Meu relógio estava parado, meu copo na metade como quando o tempo parou. Não sabia que horas o tempo havia parado. Tinha na parede um relógio com o mesmo tempo que o meu relógio mostrava. Mas não ia alem, nem aquém, todavia estava lá, pra mostrar que estava parado. Uma senhora ao meu lado se definhava, tinha belas pernas que pra elas o tempo não passava, mas sempre que descia os olhos e subia à face novamente o tempo passava no rosto, olhava o relógio e não, não saía do lugar. Os ponteiros cretinos esperando a correção do relojoeiro, um faquir ao lado, esperando o tempo passar pra que mais um quilo fosse pro limbo. O tempo não me era amigo, eu não tinha amizade com quem me acabasse com o decorrer dos dias, é loucura ser aliado do que lhe envelhece, não havia o que se pensar, nem a maturidade se alcançava, não havia nada pra absorver, minhas pernas não se mexiam, meus olhos sim, olhavam tudo o que pudesse ser visto naqueles noventa graus oculares e eu desesperado pra tomar meu conhaque, o tempo não passava, eu não estava bêbado quando o tempo parou, era meu primeiro copo, não sabia como iria lidar com isso, o tempo parado, sem movimento e eu são. Mas a vida passava, aquela mulher se acabava, rugas por toda a face, os lábios caíam aos poucos, os peitos, as pernas continuavam impecáveis. O que era afinal? Um velho passou por mim, como ele conseguia andar? Como ele conseguia estar com aquele copo na mão? Uma cerveja, duas, três e conhaque à revelia. Eu só queria mais um gole. Mais uma punheta. Mais uma trepada com aquela tia das pernas lindas e do rosto feio. Qualquer coisa que fizesse me sentir envelhecendo mais com prazer. Mas não, estávamos ali, o rosto dela começou a pingar, escorria pelo chão e eu assustado com aquilo, quem era aquele velho sacana? Só ele aproveitara até o fim. Eu me senti pingando, minhas pernas foram se esvaindo, a pele branca e os pentelhos ruivos percorrendo o chão e eu não via mais os relógios.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

ópera

Vamos à ópera.
Não gosto de ópera.
ó-p-e-r-a, Téo.
Não vou à ópera.
Vai sim.
Fui à ópera.
Péssima ópera.
Ela bocejava.
Eu odiava.
Levantei.
Fui pra casa.
O diabo ria.
Ha-ha-ha.
Filha-da-puta.
Havia samba,
na esquina.
Mulatas,
suadas,
exalando sexo.
e o diabo ria.
"é isso que merece,
um belo filho-da-puta,
acabar na punheta,
depois de uma ópera."

todoescritor

Sentado, um frio enorme, tomava um conhaque pra esperar a quentura prevalecer. Havia um velho por ali, que escrevia bem demais, eu era seu fã, escrevia crônicas feito ninguém, me apresentou Bukowski, Hemingway, Kerouac, Caio F., Ana Cristina César, Reinaldo Moraes, quer mais? Tem muitos.
- Bom dia, Téo.
Balancei a cabeça, como um sinal positivo, esperando que aquilo servisse pra apartar o assunto, mas aquele dia o velho tava insistente.
- Te observei Téo. Duas horas com esse copo na mão, porque não bebe logo?
- Porque o problema é meu, vai à merda, velho.
- Vamos em casa, Téo, lá tem uísque, vamos tomar e tenho mais algumas coisas pra te apresentar.
Levantei, esperei pelo velho, pagou a conta, fomos pra casa dele, chovia, o asfalto estava molhado demais, escorregadio feito sabão ou eu não agüentava mais que um copo de conhaque. Tomamos chuva, não falávamos nada no caminho, ele subiu as escadas bem mais rápido que eu, disse que um velho de 73 anos não poderia ser mais forte que um rapaz de 26. Eu mandei-o tomar no cu. Ele me perguntou se eu me lembrava do trecho de velho safado quando Bukowski fala que no fundo todo mundo é viado, que todo mundo deveria se assumir, pra ser melhor. E eu dei um murro na orelha do velho, mas ele era forte pra caralho, me segurou pelo pescoço, jogou no chão, quebrou um pedaço de madeira na minha cabeça e desmaiei. Acordei e meu zíper estava aberto, meu pau molhado, aquele velho fodido, disse que eu não prestava nem pra ficar de pau duro enquanto desmaiado, se roçava em algo, ele tinha uma cenoura na mão e enfiava no próprio rabo, aquilo me deixava com asco, mas eu não podia fazer nada. E me dizia que no fundo, todo escritor é assim que se acaba, todo escritor é sempre enrabado por trás, ou pela morte, ou pela loucura ou por uma cenoura.

terça-feira, 15 de junho de 2010

aespera

Era comum, já havia vivido bastante, conversava com sua ultima mulher como se a moça fosse uma criança. Dizia: já fiz de tudo nessa vida, amiga. As drogas, o sexo, o rock’n’roll, a literatura, as noites em claro com um Celine aberto ao alcance das mãos e mais próximo a mente que o coração. Você não sabe muita coisa, moça. É necessário andar com os dois pés, um passo nunca pode ultrapassar a velocidade da alma, você precisa observar, vivi tanto tempo sem observar as coisas, as cores das casas, as mulheres à espera na janela, os rapazes sambando a noite toda em busca de um rabo-de-saia, vezenquando é necessário paz, deixar o seu corpo descansar, depois de uma noite embebedando-se é necessário se ter a ressaca, pra se ter idéia de que tudo que é divertido tem custo.
Você precisa saber distinguir o vinho a oferecer pro seu companheiro, meu bem. O melhor vinho não é o mais vermelho, o mais doce, o mais branco. O melhor vinho é o que te mata menos no dia próximo, aprenda a controlar o sexo, seu corpo precisa de realização tanto quanto sua mente, menina. Não queira ir direto ao ponto, dê mais tesão ao seu cérebro, não dê sempre no primeiro encontro, almeja ser feliz, um mato, duas paineiras, sim, duas pra estender a rede. Laranjas, cigarro de palha e um bom rio pra se banhar. Esperar a vinda de deus ou do diabo é angustiante, você nunca sabe como se vestir.

queda

Até que haja um raio que me parta, ela dizia, estarei contigo pra não esquecer da pacificação do mundo que nos prometemos. Ela dizia que sim, era assim que tinha que ser, ele era absurdamente cretino, ela absurdamente romântica, no começo, depois se moldou a ele e trepavam no andaime construído pra se reformar a igreja que era vizinha.
Pra se viver trepado e trepando no andaime é preciso equilíbrio, é preciso que tire do seu lado esquerdo o que te faz pesar mais que o lado direito, ou ficarás penso e ruirás. O chão não é tão perto quanto se parece, você precisa de um pouco de gordura extra- corporal, alguma proteção divina e uns dois ou três copos de conhaque pra agüentar a queda. E não basta que sejas feliz, felizes também se fodem, dizem que a felicidade é passageira e o que segue a linha da vida é mesmo a tristeza, então se acostume com a melancolia repentina que lhe bate quando ouves alguma música nostálgica ou um perfume de puta que fica na tua mente e te remete àquela vadia que comestes anos atrás.
E vocês, mulheres, se acostumem com o que fica, o cheiro de cigarro de creme que seu homem fumava, o mesmo cigarro que serviu de desculpa pra ele ir à padaria e sumir da sua vida. Aquele cd que vocês botavam no sony de vocês, que ele puxava sua mão, levantava-te e dançavam aéreos feitos dois bobos da corte. O amor não é exatamente o que vocês esperam, se o amor tem algo de bom é ao final, que nos mostra que não era sonho, porque dá uma beliscada, veja, uma bela beliscada. E se o perdeu, não adianta fingir que a vida lhe ajudará com o tempo, o tempo não ajuda em nada, nem um novo amor que o fará chorar após dois anos ou alguns meses. Vá ao bar, beba cerveja, ache um homem e trepe, dê pra ele até o dia raiar, assim esquecerás a merda do sexo mal feito que seu homem te dava já ao fim do relacionamento e verás que tudo se renova em se tratando de sexo e sempre pra melhor.
Por fim ela dizia que primeiro veio receio, depois veio o carinho, no momento havia vontade de cuidar ou de estar junto o tempo que fosse, afinal o saldo era positivo. Ele dizia que o saldo é irrisório, era curiosidade, visto que o enterro seria pago pela prefeitura.

sábado, 12 de junho de 2010

Motel

E daí que os homens constroem pontes se você não tem pretensão de atravessá-las? É que nem sempre tens muita aspiração pras coisas. Você tem duas coisas que mais ama na vida, mas falta saber o quê!
E se há desejos ponha-os à mesa, assume-os. E daí que rola um “saí da sua vida” de Reginaldo Rossi no seu som? É teu lado brega aflorando a futura trepada que planejas.
Ou você é muito homem ou continua sua vida nessa idéia de não conquistar quem te dê respeito. Você não precisa de respeito, precisa só de sexo, sexo move o mundo. É por causa do sexo que amplias teus horizontes, o amor não te dá experiências, o sexo sim.
Dia dos namorados, planejei fazer um motel na minha casa, pra ganhar algum dinheiro, contei sobre a idéia pra uma amiga, ela disse que seria uma boa, pra eu convida-la que ela não conhecia motéis. Eu disse que assim faria, se ela pagasse. Ela pagou por mim e pelo quarto, não sou o melhor puto do mundo, mas consegui dar uma boa trepada com a vagabunda. Foi embora e agora já quer mais.
Não sei saber de muita coisa, meu conhecimento é muito pouco, seja em qualquer área. Há muito frio aqui, há uma quermesse na igreja da esquina, há uma querença no peito que ninguém dá jeito. Há uma pitada de sal no arroz. Um desejo alucinado pela cura. Ainda é dia dos namorados, ainda há essa merda toda de comprar o presente a prazo.
Amantes mentirosos, há tanta gente espalhada por aí mais amorável que os seus. Tá, eu sei, eu não!

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Morena

Morena,
Um pedaço do mar, do infinito.
Há dois amores no peito.
Há um gosto por cerveja,
Há um tesão por sexo.
Há duas coisas iguais
Há um contexto igual.
Mas há uma novidade.
Sorriso branco, olhos brancos,
Pele lisa, corpo magro, mas envolto.
Há curvas que são perigosas,
Há uma delicia nas palavras.
Seu sabor vai à ponta da língua.
Seu desejo é um regresso,
Sua presença é um pecado.
Não há o que se fazer.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

barbitúricos

Ela tem barbitúricos,
Diz que é necessário.
Na agitação da alma,
Não há nada resolva.
Eu ofereci um pedaço de pica,
Ela achou engraçado.
Mandei à merda,
Drogada do caralho.
Ela disse o mesmo de mim.
Somo tão parecidos,
Enquanto ela chegou à merda.
Eu voltava.
- olha, não é bom.
Ela não gosta de me ouvir mesmo.
Dá um pouco do seu calmante, vadia.
Ela quis dar outra coisa.
Eu aceitei, não teve muita valia.
Lingerie toda fodida,
Boceta toda fedida.
Era assim que tinha que ser,
Fui pra casa,
Ainda sinto saudade dos barbitúricos,
E toda noite faço uma oração
Pra Adolf Von Baeyer!

covardeteo

Agora eu era herói, mas não tinha cavalo. Um Dom Quixote sem Rocinante é a pior espécie que se pode contratar. Ela queria que eu fosse seu herói, que lutasse por ela, mas não se chamava Dulcinéia, muito menos era de Toboso. Queria mesmo que estivesse perto, não havia moinhos-de-vento, mas havia eu. Não era suficiente.
Dormindo de dia, acordado pela noite, acordado na verdade quase o dia todo, tinha insônia. Tinha um amigo viciado em morder a orelha, pára com isso, vai. Ou se era azul ou se era preto. Normalmente era preto, tudo preto, mesmo de olhos abertos.
Ouve a idéia do Neil Young: Get off of that couch, turn off that MTV!
Caralho, Neil Young, eu nem assisto tevê, na minha casa nem tem sofá. Não tenho nem espada, nem cavalo, não tenho armadura, meus moinhos são de mentira, você tem uma guitarra, eu tenho contra-baixo, você tem dinheiro, eu tenho a alma, sorte que você chegou mais rápido ao diabo. Ele já não tem quisto novas almas.
Não, agora eu não era mais herói. Precisa de muita coisa, principalmente coragem e como diria minha Cass: você é covarde, Téo.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Entende

Um pouco
No copo
No corpo
Um sonho
Desejo
Frígido
Repouso.
Agora
O que está
É fora.
O que há
é dentro,
entende?
Amanhã
Verde
Cervejas
E copos descartáveis.
Estamos
Vivendo
O ócio do amor.
E no
Entanto
O que sobra
É resto.
O amor
Também
Oferece
Restos.
Como
Nós
Depois de mortos.
Entende?

oquemaisagora

De manhã o frio, tem sol, mas é frio. Duas cobertas, blusa de moletom, calça de moletom, meias e nada aquece. Nada aquece. Não há mulher, não há conhaque, não há vontade. O que dita o ritmo é ser preterido. Se você é preterido por quem mais gosta, faz frio, você ser preterido por você é o ápice da idiotice. Mas não se arruma jeito de escapar, se não há paz, não há calor, dá-se a impressão de que falta somente ter idéia do que há de se escrever na lápide. Quem irá cavar tua cova, quem jogará a flor por ultimo no seu caixão, se alguém estará lá pra fazer isso. Se sua vida continua ou para por ali. Eu precisava de cigarros, drogas, cachaças, cervejas, mulheres, mas não, nada disso faz sentido, nada disso tira de dentro do âmago o vazio que não se camufla. É necessário deixar duas ou três larvas vivas pra que virem borboletas, não? Não! Três borboletas não mudarão nada sua vida, nem a minha, não mudará o efeito. Se a sinopse da sua vida é o que passa na tua mente quando fecha os olhos é que tua vida é muito pouca. E ser pouco é o espírito do ser humano moderno. Era muito melhor quando a vida se resumia em música, mulheres, cervejas e cigarros. Mas não tens mais efeito diante das mulheres, seus ouvidos entupidos, seu fígado infeccionado impede a cerveja e seus pulmões pretos dispensam cigarros. Olhas pro céu, o sol. E cospes pro alto. O que mais agora?

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Donamorteeocaralho

Pra se ler ouvindo: Everybody’s gotta learn sometimes - beck

Estava no bar, balcão molhado, ruiva ao lado, cerveja até o talo no copo, conhaque dessa vez não, isqueiro branco em cima do balcão, pensando na mudança do clima, a ruiva era uma delicia, tinha olhos verdes, um corpo delicioso, seios redondos o suficiente pra caberem nas mãos. Eu tinha um desejo enorme de fumar, uma placa na minha frente dizia que ali não, ali não podia, eu não costumava respeitar esse tipo de coisa, acendi um cigarro, a fumaça subia lentamente escrevendo um nome no ar que eu não conseguia identificar, havia alguns homens no bar, de mulher só a minha ruiva que nada falava, alguém talvez pensasse que fosse acompanhante, talvez fosse, não me lembro muito bem de onde surgira. Eu lia um texto que não havia parágrafos, lia pulp de buk, pensava no time que não ganhava há quatro jogos, queria encher a cara, mas eu não tinha dinheiro. Queria armar uma pindureta como diria o velho Mussum. Eu amava estar diante de tanta pinga, lembrava-me da minha infância rude e hostil, de brigas por causa de pipas, mulheres e time. Era todo verde, era todo comum, ninguém me olhava mais com cara de desejo, só desdém, era por isso que a ruiva deveria ser acompanhante. O garçom falou que não podia fumar ali, eu mandei um foda-se, ele me deu um murro no canto da boca, dei outro logo em seguida, tirou uma arma, atirou em mim, conheci Dona Morte, a ruiva saiu correndo, os caras do bar só me olhavam deitado no chão com a boca cheia de sangue, fechei os olhos, fiquei um tempo desacordado, abri os olhos, lembrei de Chicó de Suassuna, Nossa Senhora e Jesus Cristo, não haviam marcas, não sei o que aconteceu no meio tempo, sei que não sei onde era o bar, nem quem era a ruiva, nem que arma era, nem se de fato acordei da morte ou do sono.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

amoresefodas

Ou eu metia ou parava por ali. Resolvi meter, não é sempre que se encontra uma boceta gostosa pra se por o pau inutilizável.
Nina o nome dela, uma bela mulher, tinha dois filhos, um de seis e outro de quatro anos, o pai da pivetada trabalhava na roça, era somente isso que se fazia por lá, povoado de São João em Pernambuco. Ela era baixinha, tinha poucos dentes, por fim era melhor assim, o que ela fazia sem os dentes mulher alguma no mundo conseguira com.
Eu a deitei na mesa da cozinha, ela gritava pra molecada ficar deitada na sala, eu com um tesão da porra, medo de que o marido chegasse virado na pitu e nem percebi quando o pivete mais velho olhava pela fresta da cortina que dividia os cômodos. E ela gritava:

- moleque do caralho, fica na sala com seu irmão.

Quando menos imaginei o outro também olhava, mas não queria saber, era sexo, e sexo com espectadores não faz tão mal, foda-se que os moleques olhassem, será que contariam pro pai? Será que o cara cortaria o pescoço dela? Na cidade do nordeste é comum os homens andarem com peixeiras na cinta a fim de qualquer briga boa que pudesse haver pela frente. Eu não me sentia tão macho como na minha cidade natal. Eu me sentia nada só um adolescente sem freios, jamais houvera descoberto tanta mulher gostosa num só lugar.

- moleque, seu filho-da-puta, esperai, Téo, vou amarrar estes moleques.

Levantou-se, foi à sala, sumi pela porta dos fundos que contornava a casa e dava ao portão de frente e logo fui embora. Cheguei a casa onde estava, tomei um bom copo de café, era vizinho à casa de nina, eu ouvia cada vez mais forte a mulher socando os moleques na porrada, a vida nestes lugares era de fato uma coisa de doido. Fui ao bar, tomei uma cachaça, comprei algumas cervejas, sentei frente a casa onde estava hospedado, observei a rua, o marido da mulher chegou em casa, mais trêmulo que vara-verde, um bambu em se tratando de altura e tremedeira, estava mais bêbado que porco-cego, agradeci aos céus, eu tinha mais um dia de vida.

- Téo, por que você fugiu de mim?
- Porque tive vontade, ué.
- Você não pode me tratar assim!
- Eu posso e vou.
- Você tem que me levar contigo à São Paulo, eu me apaixonei, acho que tô grávida.
- Nina, nem as mulheres que tive em São Paulo conseguiram me enganar com isso, você não será a primeira que tenta e nem a que vai conseguir.

Com raiva a peguei, joguei no sofá da casa que eu estava, a fodi, danei com a vida dela, no outro dia enquanto o marido saia pra trabalhar eu fui embora, ela me olhava do portão de casa com os olhos cheios d’água. Talvez havia visto chegar e ir embora com a mesma proporção a chance de mudar de vida. Ninguém muda de vida com um cara pior que o que se tem em casa. Deve ter esperanças até agora, enquanto ainda danço o forró que ela tanto me ensinou!

segunda-feira, 24 de maio de 2010

fodaperigosa

Havia chegado em um bom lugar, Caetés o nome da cidade. Terra de Lula, como estampam as paredes por todas as ruas. Fui ao hotel mais próximo, na verdade não era hotel, era um barraco comunitário, intitulado: seu conforto.
A atendente do hotel era linda, cabelo liso, rosto redondo, cabelo comprido, castanho, pele morena, lembrei de uma mineira que tive há um tempo. Atendeu-me divinamente, quando paguei olhou bem pra minha carteira, viu que eu não tinha muito dinheiro, logo virou a cara. Homem feio, sem dinheiro não faz sucesso em cidade de interior. Muito menos um cara como eu. Parece que o adjetivo de cafajeste me acompanha escrito na testa. E isso faz de mim um homem menos adorado, cafajeste, sem dinheiro, bêbado e sem rumo.
Deixei as coisas no quarto 13, pedi informações pra moça se ali haveria um bar por perto, ela disse que ao lado do hotel havia um bom. Fui ao bar, pedi uma cerveja, tomei, depois a dose de conhaque, tomei, depois mais uma cerveja, tomei. Outras tantas vieram depois, pedi uma porção de tripa, tinha vontade de comer aquilo e sabia que acharia só numa cidade das boas em Pernambuco.
Uma mulata que estava sentada na mesa ao lado veio até mim, perguntou se queria companhia, porque ela queria, e tinha fome. Ela me dava uma má impressão, era suja, mas era bem gostosa, tinha umas pernas lindas, estava com uma saia, uma miniblusa, mas se ela tomasse um banho, se ela deixasse eu a esfregar, comeria fácil.
Ela me perguntou se eu a queria comer, ela tava doida pra dar, aquele sotaque deixava meu pau louco pra invadi-la inteira, uma mulata safada, que me deixava maluco, paguei a conta, peguei na mão dela, a levei pro hotel, a moça da recepção olhou feio pra mim, disse que eu tinha que pagar a diária de um quarto duplo se eu quisesse levar alguém pra lá, então paguei. Chegamos no quarto, a mulata tirou meu pau pra fora, me chupou, ela foi pro banho, se lavou, ficou bem cheirosa, tava outra mulher, e eu maluco, a deixei na cama, a chupei, o cheiro daquela mulata era qualquer coisa alem do maravilhoso, ela gozou na minha boca, disse que adorava homem safado, pediu pra eu come-la, enfiei meu pau naquele rabo gosto logo de imediato, alguém bate à porta, insiste, bate rápido, forte, diz que vai arrombar, é um homem, eu não vou parar de meter, vou gozar, eu fodo rápido, forte, quero gozar e que ninguém me atrapalhe, eu gozo, o homem arromba a porta, tem em mãos uma peixeira, diz que vai matar nós dois, provável que seja esposo dela, a moça da recepção está olhando tudo, o cara enfia a peixeira na mulata, revira dentro dela, é só o tempo de eu fugir e nunca mais saber de nada...

terça-feira, 27 de abril de 2010

úhhhhhhhhhhh

Odeio quem tenta explicar burrada colocando culpa no amor, no destino ou no outro. Felicidade é individual, não coletiva! Há muito eu não especulava o amor, a felicidade, a brisa, a cachaça, o cigarro e a companhia, a ultima delas é de menos importância.
Ou a gente se abre pro mundo ou ele nos arromba.
Ela tinha dois olhos da cor de jabuticaba, era um doce, uma pequena grande mulher. Falávamos de John Mayer, sexo, tequilas e... sexo? É Muito.
Eu não era muito agradável, não fazia a barba, barba ruiva e grande, tinha alguma sujeira embaixo das unhas, não ligava muito pra estética, nem pra higiene, visto que andava deturpado feito o horizonte, desde muito menino aprendi a não ser agradável ou aprendi que ser agradável era questão de mérito e não perspicácia ou unhas cortadas, barba feita, um Azzarro e água perrier.
Um dia ela me disse: quero você!
Um dia eu disse à ela: tudo bem.
Outro dia ela me disse: estou indo.
Outro dia eu disse: tudo bem.
Tinha impressão de que fodia muito bem, uma boca gostosa, um corpo bonito, algumas tatuagens, ficava pensando se me encaixaria muito ou pouco naquele corpo turvo e curvo. Foda-se o que eu imaginava.
Acabei na cerveja, pensando naquilo que havia escrito em um texto uma vez: E se a cerveja não tivesse, ao menos na gente, meu amigo, o poder de dissolver a tristeza dos problemas?

domingo, 25 de abril de 2010

...

Você tenta seguir por caminhos incorretos pra que não haja problema entre o viver, existir e sentir-se humano. Porque se é pra errar, vamos fazer a coisa certa, é preciso que se viva muito alem do limite, é preciso que suba e desça diversas vezes da sua montanha de relação ódio/amor. Quando você se cobra demais tem que se cuidar, porque pode não haver condições de fornecer o troco ou salário. Entre viver e sobreviver não tens apenas duas escolhas.
O maior problema é quando a vida se demonstra mais egoísta que você! Ah, aí você sabe que há alguém sempre pior que tua alma dilacerada, enfadonha e minimalista.
Quando você vê que a vida te rouba tudo, honestidade, sinceridade, competência, força, inteligência, sabedoria, amor, paixão, carinho e capacidade, a vida te furta tudo, só não te furta a culpa, o arrependimento e o desdém.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

ज!

Isso é um pouco de amor,
Não há contra mão na estrada.
Placas que não limitam a velocidade,
Você ao meu lado, estamos a mil.
As árvores movem,
Gente pedindo carona no canteiro.
Rolando All around the world do Oasis no play.
Uma mulher das melhores, confesso.
E não há nada que limite também o âmago.
Sou tão feliz com essa subida de tom, no final, ouça.
O Lian sobe a voz, confesso que nada me deixa tão feliz
Quanto a sua presença e a felicidade da música.
Segura minha mão, ficamos em pé, deixa o carro ir.
Quanto à direção, deixa que a intuição toma conta.
Quanto a mim, você!
Quanto a você, eu.
Quanto a gente, o muito do amor.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

प्रिमिरो capíतुलों, इ daí?

Meio- dia e trinta, acabo de acordar, confesso que dormi sem escovar os dentes, tomei muito conhaque, minha boca amarga à espera do próximo, vou ao balcão, ao bar – como queira – e pego mais uma dose dupla, minha cabeça ainda roda, pela “manhã” a coisa é muito menos natural que à noite, não gosto de companhias quando acordo, eu seria capaz de cometer um crime sexual sem mesmo ter o sexo, estava à espreita, fui ao maço de Lucky strike e só havia um cigarro, acendi, normalmente, pelas manhãs os cigarros que eu fumava me deixavam tonto, esse era mais um. Sentei à mesa, uma mesa velha, com três pernas de ferro e uma de madeira, que improvisei quando caí em cima dela e quebrou semana passada, estava bêbado, pensei que fosse minha cama, a mesa já não era tão nova, se não quebrasse comigo, quebraria com um prato de comida, o próximo que eu colocasse ali em cima. Eu nunca colocava pratos de comida na mesa, lembrei que não comia há uns dois dias, nada, exatamente nada, sequer um petisco, salgado, salsicha, torresmo, qualquer coisa do boteco, não havia nada. Fui à dispensa, nada. Corri pro fogão e uma panela com uma raspa de arroz queimado, torrado, provável que havia esquecido no fogo, pela sorte da divina casa, o gás havia acabado, ou aquilo poderia ser pior.
Havia um sutiã em cima do sofá, duas calcinhas em cima da televisão, pelo que me lembro não trouxe ninguém ontem em casa, saí do bar, não me lembro pra onde fui, não exatamente, havia luzes, mas luzes havia em todos os lugares, era época de natal, aquelas merdas piscando pra todo lado, algumas vermelhas, verdes, azuis, brancas, que inferno era o natal, eu odiava ter que compartilhar a dissimulação alheia, apesar que eu era mais dissimulado que muitos, já havia conseguido comer algumas mulheres pela minha idéia sobre a fatídica vida.
Fui ao banheiro, ainda de cueca: filha-da-puta, quem fez isso com meu saco, caralho? A cueca melada de sangue, um corte artístico bem no meio do escrotal, lavei bem, porra, doía demais, parece que queriam levar minhas bolas de brinde, mas com a graça divina elas ainda estavam lá, era um corte superficial, acho que não me prejudicaria muito. Ah, eu pego quem fez isso, juro que pego. Joguei a cueca na pia, deixei de molho. Saí do banho, me sequei, havia lavado meu saco melhor que meu corpo, mas isso era praxe, talvez por isso ele tivesse mais valor pras mulheres que minha boca ou meu corpo. Coloquei as calças, minha carteira ainda lá, com os mesmos dinheiros míseros, meus documentos não, havia uma copia mal feita do RG, mas nada que pudesse durar o restante da minha vida, a não ser que tivessem me matado. Fui ao bar, cigarros, conhaque, ovos cozidos vermelhos, salsichas, torresmos, tudo dentro do mesmo saco de papel, pela manhã eu não reparava muito nas coisas ou nas pessoas: Joaquim, volto mais tarde pra acertar.

quarta-feira, 31 de março de 2010

Poema Chulo

E há ainda fio de cabelo no travesseiro,
quando puxei à noite, quando fazíamos amor.
Há um pouco de você no ar,
eu te respiro como fosse vital.
Há um city and colour no play,
há um beijo no canto da boca.
Não é que eu te ame, sabe?
é difícil dar significado a tudo,
é difícil conseguir.
Te levei em casa,
fomos ao bar.
você me disse: eu te amo.
Eu sorri.
você me cortou ao meio,
metafísica, sou o mesmo,
dois dois lados,
dividido, apaixonado.
Dá-me a impressão de gozo,
a cada toque nos teus lábios.
Conhaque, cigarros, gemidos
espalhados pelo chão.
Agora faz sentido,
a bagunça da casa
reflete a bagunça do coração!

sexta-feira, 26 de março de 2010

Insuficiente.

Você não precisa ficar feliz se
tens algum vinho e uns livros.
Se seu cinzeiro está cheio, se tens ressaca
ou 43 horas sem dormir pensando
na melancolia companheira de toda insônia.
Você não precisa ficar triste, riste e insone
se não tens a mulher que deseja
ou os amigos que já não fazem falta.
Se toca o Ídilio no seu subconsciente
você não ficaria triste por não haver pilhas no seu rádio,
e se tivesse, qual rádio tocaria Nestrosvski pra você?
Há trilogia suja de Havana,
há crônicas de um amor louco,
há Folhas de Relva
Há Melhores Contos de Caio F.
Há Hollywood,
Há on the road,
há meio litro de vinho Casillero Del Diablo
que você ganhou da sua ex-mulher
aquela que te deu um chute na bunda por beber demais.
Ela te deu o vinho pra ter motivos pra dar
à outro aquela bunda redonda e saborosa.
Se tens livros, Vinho, Cigarros e uma mão
pra te bater uma punheta,
por que ainda a vida continua triste?
Porque o problema não é o que tens,
o problema é o que não produzes.
Se tens tudo que é produzido por outrem,
pra que serve a merda da tua vida?
Porque o pior não é o que lês ou bebes,
o pior é aquilo que está por vir,
e o susto é o que te deixa acordado. INSUFICIENTE!

terça-feira, 23 de março de 2010

Alter-ego filho-da-puta!

uma vez dei um tiro na porta do cara que tava comendo minha mulher e disse: Filho da puta, saia daí de dentro e venha aqui pra ver o que faço contigo. Ele saiu, abriu a porta arrombada pelo tiro de doze, ergueu a cabeça, que estava baixa na hora que abriu, me olhou nos olhos e acabei descobrindo que era meu alter ego. Ele sempre foi mais filha-da-puta que eu, eu sempre fui mais bêbado que ele, agora sabia, que as acusações que me apontavam era de fato culpa de parte de mim. Agora vamos trocar de lado ele bebe e eu fodo!

segunda-feira, 22 de março de 2010

Il Gladiatore - Pavarotti!

Um domingo, um jogo na tevê, novamente um ótimo futebol, mais uma derrota, talvez eu gostasse desse lado sofrível, afinal, sempre torcia pro vilão, porque tinha certeza que sempre morreria ao final, eu me identificava, visto que não havia ninguém que me amasse por aí, a não ser eu, com muito esmero.
Ouvia Pavarotti – Il gladiatore! Era como se não precisasse de mais nada, só algumas cervejas, só a televisão ligada sem som, só a companhia de um amigo que ficava quieto, levantei-me e saí, fui ao bar, deixei o amigo em casa, a televisão ligada e o Pavarotti ainda ressoava nos meus ouvidos, olhei pro lado e lá estava ela, aquela que um dia tinha sido um ótimo gosto meu – “e giustizia sarà fatta per tua mano” – era uma delicia, trepava muito bem, bebia tanto quanto eu, mas havia virado puta, dizia que se era pra dar de graça, era melhor cobrar. Eu apoiei, desde que continuasse me dando de graça. Lembrei-me do passado, do presente, esquecia sempre do futuro, eu queria que ela me desse a ultima vez, eu tinha um pressentimento de morte, estava muito acabado, tossia sangue de meia em meia hora, fumava de cinco em cinco minutos, bebia o dia inteiro, esquecia de dormir, descansar, não precisava mais disso, tinha que aproveitar o restante dos dias. Sentei ao balcão, simplório, inefável, desce-me o conhaque, bebo o primeiro, o segundo, o terceiro, a garrafa, duas, três, levanto-me tonto, acendo um cigarro, não consigo dar o primeiro passo, tusso, pego um lenço de papel, passo na boca, limpo o sangue, dou o primeiro passo, me apóio n’uma mesa ao lado, seguro uma cadeira, faço de andador, paro, tusso novamente, mais sangue, é desesperador o momento, continuo, olho pra ela, ela me vê, se levanta, não consigo mais andar, vem até mim, com passos curtos, cigarro na mão, copo de cerveja na outra, meu cigarro ainda aceso, com uma ponta grande de cinza, cabelos negros, pele branca, batom vermelho na boca, vestido com decote grande, está mais gostosa que nunca, rebola até mim, todos do bar olham, ouço um comentário: será que ela vai falar com aquele cara bêbado, fedido, à beira da morte, como pode uma mulher dessa dar atenção a um cara daquele?. Continuo um passo à frente, ela caminha mais um passo, não estamos tão distantes, nos conhecemos exatamente naquela mesa que está com outro homem, ficamos, namoramos, moramos juntos por dois anos, ela dizia que me amava, eu dizia que não existia o amor, o amor não existia, trepávamos todos os dias, ao menos três vezes, jogávamos pôker por dinheiro, sempre, quando não, trocávamos por sexo, com outros casais, tomávamos ao menos um litro de vodca por dia, ela era apaixonada por isso, não sabíamos data de aniversário um do outro, nem idade, nem nome, chamávamos-nos por apelidos, Cass eu a chamava em homenagem ao conto que eu mais gostava, Romeu chamava-me ela, por ser apaixonada pela bicha do Shakespeare. Continuou em minha direção, passou por mim, deu-me um beijo no rosto, foi ao bar, pediu vodca, passou novamente por mim, disse-me: em sua homenagem. E voltou à mesa. Sentei na cadeira que fazia de andador, cansado, tossindo, mas feliz da vida porque ela ainda se lembrava de mim. Quando ela me largou disse que não poderia ficar com um homem que não falava sobre amor. Acho que eu a amava, amava o suficiente pra me contentar com pouco.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Fodidos.

E que o mundo poderia não ser esse que vivemos,
vai que o mundo fosse o outro que estamos à espera.
E se Deus é o ponto forte das atmosfera,
o que esperar do excesso de calor que faz a terra febril?
E se nossa vida for um começo de tudo,
o que esperamos pra chegar ao final ou à partida.
E se tudo que contamos tenha fim,
e se os números são finitos?
E se a terra girasse sempre em torno de ti,
o que esperar da tua influência absurda sobre o âmago?
E se a cerveja não tivesse, ao menos na gente, meu amigo,
o poder de dissolver a tristeza dos problemas?
E se estes mesmos problemas não voltassem à tona todo dia,
e dormir bastasse pra que tudo fosse resolvido, qual a glória de beber?
Um dia houve Bach, Gaudi, Bakhtin, Dostoievski, Boccaccio, Hank.
E se agora, que somos homens vis, hostis, rudes e pseudo-mortais,
Deus quisesse de fato matar a todos com um dia de chuva ou de calor?
Às vezes acho, meu amigo, que a resposta pra todas as perguntas estejam sob o catre
daquela que um dia dormi abraçado, sobre a cama!
E se eu não voltar lá pra saber? Estaremos fodidos.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Não estava tão feliz daquela vez, sentado num canteiro, à beira do posto de gasolina, enquanto passavam travestis e prostitutas, estava na décima nona lata,esperava a vigésima e iria pra casa, havia um pouco, o suficiente pra dois goles, queria um amor, amar era dificil, queria ser feito aqueles idiotas lá no canto, amississímos de todas as mulheres do posto, dançando funk, indo até o chão, rebolando nas pontas dos cascos, belas éguas, vadias, a revolta com elas talvez fosse porque davam bolas pra eles, não pra mim.
Sentia-me feio, havia ficado com tantas mulheres, fui de tantas outras mulheres, a maioria feia, confesso. Tive umas bonitas, duas ou três lindas de morrer, não tinha mais. Meus olhos deviam estar vermelhos, no caminho havia visto dois rapazes morrerem n'um acidente de carro, minha cabeça pesava, a cena foi feia, eu tinha ódio de Deus, eu tinha ódio de mim e daquelas vacas dançando bonde do tigrão porque queriam dar pra eles e não pra mim.
- Alô!
- Téo, aonde você está?
- Bebendo.
- Vem em casa, comprei algumas cervejas, há uns dois ou três filmes, vamosassistir.- Não quero filmes.
- Como você está?
- Vestido, e você, nua?
- Como você é deselegante, Téo.
- Se achas, por que ainda me procura?
- Porque acho que você precisa de cuidado.
- Não sou criança, ainda não sou velho, pelo que sei sobrevivi por 25árduos anos, acha ainda que necessito de cuidado?
- Vem pra minha casa, Téo. Vamos conversar, há tempos não te vejo, tenho saudades de olhar pros teus olhos.
Desliguei o telefone, odiava melação, queria alguem que colaborasse com os meus palavrões diante do mundo, alguem que apontasse aquelas moças do funk e dissesse algo mais pesado que o que eu poderia ser capaz de pensar ou dizer.Lembrei-me de uma certa vez que um amigo que tive disse que eu era o extremo da maldade, talvez eu não achasse mais alguem capaz de servir o meu vocabulário com coisas novas, neologismo estava fora de cogitação, eu não era mais o surpreendido, a cerveja estava acabando com as minhas idéias, fumei um cigarro, virei o resto da cerveja no chão, a vi escorrendo até o ralo, será que se misturaria com a gasolina, as moças delá me olhavam com caridade e desdem, os rapazes com ironia, a vida me olhava com fervor, as mulheres com dó, os amigos com interesse - em quê não sei! A familia com delicadeza de um viciado, com olhares furtivos e mórbidos, como à espera de um milagre, andava, começara a chover, eram cinco horas da manhã, havia um corpo jogado perto da casa que eu morava, a polícia havia acabado de chegar, não havia tumulto, por uma noite já havia visto o suficiente, o sol apareceria dentro de alguns duradouros minutos, era hora de dormir.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Amiga.

Éramos dois corpos numa cama, duas mentes em outro mundo. Ela me dizia que talvez aquilo tudo estivesse errado, eu dizia que aquilo tudo não nos podia fazer pior. Ela dizia que poderíamos ter problemas, eu dizia que poderia ser depois, mas na hora poderíamos ter prazer, ela sorria, eu a beijava, ela prendia, eu libertava. Éramos duas amebas à espera da osmose.
- pega uma cerveja pra gente.
- não pego.
- pega logo essa porra, aproveita e traz um cigarro.
- você acha que sou quem, Téo?
- você é qualquer coisa que se habita, mas você é insana.
- o que isso quer dizer?
- que você é adorável, mas deve ser porque é tão boba quanto.
- só porque beijei sua boca, achas que tens o direito de não me olhar nos olhos?
- acho que você sabe que não somos mais tão amigos assim, Téo.
- então não quero mais sua amizade, quero cerveja e cigarros. E se puder, na volta, me dê um pouco de sexo.
- você acha que sou o quê, Téo?
Levantei, fui à geladeira, peguei uma lata de cerveja, cocei o saco, olhei, não havia nada pra comer, o cinzeiro estava cheio, o amigo dormia no colchão da sala, a janela aberta, um sofá no canto - verde com coisas rosas - era a coisa mais caipiria que havia visto nos ultimos anos, o sol estava alto e forte, as paredes eram azuis, o banheiro era grande, a casa era grande, pensei que poderíamos morar ali, os dois, pensei estar mais louco ainda, acendi o cigarro, queimei o dedo, gritei, mandei alguem tomar no cu - reação instantânea - ela veio correndo ver o que havia acontecido, mandei-a à merda e ouvi o tilintar do anel na lata de cerveja, tomei num gole, caiu um pouco na camiseta dos Beatles que sempre usava, estava descalço, chão frio, de repente pisei na porra do cigarro que havia caído no chão, xinguei a deus agora, uma bolha do caralho no pé e na mão, depois de um banho pus a roupa, escovei os dentes sem pasta - queria beber mais e sem a porra do gosto ruim da pasta na boca - dei um beijo nela, não falei com o amigo que dormia, peguei a bolsa marrom que sempre usava, pus a alça no mesmo lado que o resto, olhei pros céus, o sol ainda estava lá, um pouco de ressaca, sem muito ânimo pra ir embora, fui até o meio da rua, voltei, dei um beijo nela e disse que iria dormir um pouco, pra ela não me incomodar, merda. Mas ela não parava de falar, ela falava muito, lembrei-me da minha mãe,lembrei de todas as outras que tive, eu era um confessionário incrível, desisti de dormir, ela levantou, ligou o som, tocava placebo e enquanto Brian Molko cantava: Without U i'm nothing, ela me beijava.

sábado, 28 de novembro de 2009

Hora de dar no pé!

Já não aguentava mais acordar com a minha companhia. Era fruto podre de um amor desmedido e consequentemente era pouco maduro, suave feito a neve incondicional da rocinha, suave e endemoniada. Eu tinha dores pelo corpo, meu estômago doía, não tinha pra onde ir, parecia um coitado, estudara a vida inteira a fim de... virar mendigo.
Eu não me sentia bem naquela condição, até porque o que me deixava muito confortável eram cobertores, adorava me cobrir e nem isso eu tinha mais, a vida havia se tornado uma gangrena bem da filha-da-puta dentro da alma, e todo dia era como acordar depois de um sonho muito legal e descobrir que aquele presente que você havia ganhado no sono era de mentirinha e que a porra do papai noel não existia, que o coelho da páscoa não podia trazer-lhe os ovos, cara. Coelhos não punham ovos, no saco do papai noel – havia descoberto – que só cabiam duas bolas, era um saco igual a de qualquer outro, papai noel era qualquer um, a máscara divina havia caído sob minhas condições, eu jamais fui digno daquela bobagem toda de homenagem e menage à trois que foi me prestada no decorrer destes anos. Havia agora lugar algum pra ir, havia chances desmoronando, dívidas correndo, curva de rio do caralho que era minha vida agora.
Deus não foi muito legal, havia mantido a idéia de que se ele tivesse evitado o casal de humanos na arca de Noé, talvez a vida fosse diferente, aliás, poderia ter deixado pra trás mais alguns bichinhos comuns e tolos. Cachorros, gatos, baratas, ratos, formigas – formigas são chatas pra caramba – mas sem o sexo ninguem viveria, meu Deus eu não sabia mais criar expectativas, novas idéias, eu estava perdido e como diria Bukowski morrer não era ruim, ruim era estar perdido e pra onde iria agora? Virar um falante de ratês, andar no submundo, em meio a esgotos. Talvez fosse o lugar certo pra mim, porque era o que todas as mulheres que já havia tido agora queriam. Mas um dia eu voltaria pra fodê-las novamente. Uma com cada toque, algumas à base da porrada, pra todas as outras o Téo que merecessem.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Cocaína VI!

Pensar na minha vida anterior me matava, eu tinha saudades de quando eu não tinha relação nenhuma com o vício apesar de não lembrar-me muito bem como eu era quando sóbrio. Eu não era mais um homem, não era mais um menino ou um jovem, eu já era velho. Tinha algumas dores que o vício me causava, dores no estômago, nos rins, meus pulmões já estavam condenados há tempos pelo médico, há pelo menos vinte anos eu já sofria de pneumonia eosinofílica crônica; era um caos, eu não sei como permanecia vivo.
Eu tinha medo de me manter vivo, mas tinha medo de morrer, encontrar todas as mulheres que eu já tivera algo que agora estavam mortas no inferno e elas contarem ao diabo o quão mal fui com elas, eu sofreria retaliações ou seria tratado como um deus no inferno, eu não queria morrer e encontrar a que deixei morrer e fugi, eu havia cheirado muito, meu coração batia a mil, eu estava no mínimo esperando a minha morte, dizendo adeus ao amor, já havia encontrado pessoas boas na vida, que puderam me ajudar a ser um novo homem, um bom homem, sem vícios, acontece que éramos duas vidas andando no juntas no aquário, ou éramos várias, e eu preferi me manter sozinho, feito um predador esperando a presa mais fraca pro meu bote, pro meu prazer, eu tinha prazer em estar com alguem, mas era raro, na hora da trepação, na hora do desabafo. Não tinha mais dinheiro, havia uma carta sobre a cômoda que fazia dias que não abria, resolvi abri, se fosse alguma doação de alguem eu ficaria feliz. Era uma ordem de despejo, por fim eu não tinha pra onde ir, era tudo ou nada, era eu, viciado e a cocaína meu vício, eu não tinha familia, não tinha amigos, não tinha pra onde correr. Fui ao bar, bebi tudo que podia na minha velha nova conta, mais de vinte garrafas de cerveja, mais de dez doses de conhaque. Faltava-me somente o pó. Fui ao caixa do banco, peguei todo o dinheiro que ainda tinha pra um limite de cheque especial, uns trezentos reais, comprei tudo de cocaína, cheirei metade daquilo, coloquei tudo no espelho do banheiro que havia retirado e colocado sobre o chão, sob o teto, aquilo me dominava tanto, eu era tão feliz quando cheirava, eu era tão sobressalente, eu era tão homem, meu coração acelerado ainda mais, sentia minhas mãos tremerem, fedia, fedia muito, não tomava banho há muitos dias, minha barba estava muito grande, meu cabelo ainda maior, via isso pelo reflexo do espelho a cada vez que abaixava pra cheirar, fui à rua, olhei pro céu ainda vivo, minha visão da lua era extremamente única, era como se eu tivesse alcançado-a por namorada, as estrelas eram tão estreitas, me cativavam, deitei na calçada, minha boca borbulhava, passei a mão pelo nariz e não vi nada alem de muito sangue jorrando, meu braço esquerdo adormeceu, um cachorro lambeu meu beiço, achou péssimo o gosto de sangue que escorria do nariz e foi embora, morri ali, por fim, sem condições, sem ter uma vida, sem alcançar meus objetivos, eu sabia que sentiria falta da cocaína no inferno, eu não queria ter morrido tão cedo, queria mulheres, uma ultima trepada, um ultimo delírio, um ultimo beijo, um ultimo abraço da minha garrafa de conhaque, mas nada mais surtira efeito, talvez fosse ser enterrado como indigente, não tinha documentos, ninguem sabia de onde viera, ninguem nunca soube por fim.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Ela e o mar.

Eu tinha um desejo enorme por ela, não sei se havia me apaixonado. Tinha
alguns desejos insolentes, quando ela tirava a roupa pra mim; eu fazia o que jamais
fizera antes, dizia que a amava, que a curtia, que a aspirava, que queria casar com ela. Mas logo gozava, íamos dormir e no outro dia era a mesma coisa. Jamais casamos.
Num certo dia fui trabalhar logo cedo, ela ficou arrumando a casa, abri o
guarda-roupas, não havia reparado que as roupas dela não estavam lá, mas jamais iria reparar eu a amava sem roupas e quanto menos ela tivesse, melhor era pra mim.
Trabalhei muito aquele dia, tomei duas ou três cervejas no almoço, dois
copos de conhaque. Paquerei a garçonete, comi dois torresmos fritos ao puro óleo, eram óleo puro.
Não queria voltar pra casa, passei na zona, tomei uma cerveja, depois um uísque, meu
dinheiro era escasso, resolvi não gastar com nenhuma trepada, talvez fosse melhor pra
comprar uma garrafa de vodca.
Cheguei em casa, havia uma carta dela dizendo que tinha ido embora pro mar, não sei, talvez ela foi pescar, voltaria alguma hora daquele dia, algum dia daquele mês,
mas voltou num ano dá próxima década.
- Amor, posso voltar e morar contigo?
- Se quiser, ficaí, mas tenho outra mulher.
- Tudo bem, mas eu ainda te amo, voltei por sua casa e vou te reconquistar.
- Tudo bem.

A outra mulher foi embora, eu não queria mais que ela visse a casa com
cheiro salgado de mar que a outra houvera trazido. Peguei a outra, tirei a roupa dela, disse que a amava, trepamos por noites inteiras e dias ativos, sol no céu, quentura na cama. Mas ela voltou tão débil e menina que perdi o encanto.

- faço uma proposta. disse ela.
- não aceito propostas, não quero mais nada.

Ela não havia percebido que era enjoativa, menina e puta. Todas elas eram
putas, algumas gostavam às vezes de alguma adoração. Como diria Anaïs Nin.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Cocaína V!

Eu tinha muita ressaca, aliás, a ressaca me tinha. Resolvi me levantar e ir à casa da Patricia, pedir desculpa pela atitude do dia anterior, claro que por interesse, eu tava morrendo de vontade de trepar com ela, ela de fato fazia falta, era uma das poucas mulheres que me incitavam a mentir só pra eu ter a presença dela. Eu tava com uma puta vontade de cheirar, eu passei na boca, mas era cedo, tive que me virar, pedi pro índio me dar alguma coisa ainda que fosse a sobra. Eu precisava muito, ele me deu, eu disse que pagaria depois. Era um pouco mais que três gramas, daria até a noite, eu esperava que desse mesmo, minha cabeça explodia, eu queria algo pra aliviar. Meu nariz estava doendo, inflamado talvez. Aquele dia não estava legal, era muito sol, muito vento, minha mãe havia ligado, como sempre eu não atendi, o que será que ela continuava pensando de mim? Lembro-me que uma vez ela me disse que eu era diferente dos meus irmãos, que eu era incomum, um bastardo, uma discrepância, que não parecia filho dela, que não tinha futuro, que eu não ligava pros sentimentos dela, nem da família. Aliás, eu não ligava pra sentimento de ninguem, e não era bem assim, eu ligava pros MEUS sentimentos e já era muita coisa.
Cheguei à casa da Patrícia, porta aberta como sempre, barulho de água caindo no banheiro, não quis incomodar, sentei no sofá, havia uma mesa no centro da sala, uma bagunça do caralho, eu era muito organizado, até pra cheirar eu precisava enfileirar bonitinho, enrolar o canudo com uma nota boa, não muito suja, mas a casa dela tava uma bosta mesmo, mas era uma casa muito bonita, como será que ela havia conseguido aquela casa? Ou, ainda que alugada, como ela fazia pra pagar o aluguel? Pensei em mim, se não fosse o dinheiro das coisas que eu escrevia alheio à título, pra qualquer bobagem, até discurso de vereadorzinho de cidade de 200 habitates, se não fosse ao menos isso, eu moraria na rua. Eu tava com vontade de ouvir música, liguei o som da Patricia, tocava Black Sabbath, aquilo me chapava ainda mais.
Ela saiu do banho, tão linda, tão cheirosa, com as bochechas rosadas, coçava o nariz incessantemente, a vagabunda tinha dado um tiro e não me chamou, mas foda-se, saiu do banheiro linda, eu pedi desculpas, ela mandou eu calar a boca, sentou no meu colo, abriu meu zíper, me beijou – ela sabia que beijar me excitava – e meu pau foi ficando duro, ela me beijava, estava pálida, coçou o nariz e desmaiou, vagabunda do caralho, não iria terminar o serviço? Há tanto eu esperava por mais uma trepada e a mina desmaia agora? Começou a tremer, enrolar a língua e quando dei por mim ela sem pulso, fria, e eu lá... com vontade de meter. Olhei pra ela, pensei em dar mais uma antes de lígar pra policia; mas lembrei do Jim do Buk, dar uma com uma viva às vezes já é foda, com uma morta deve ser cruel, liguei pra policia, passei o endereço, saí, encostei a porta, fui pra casa, tomei um conhaque no bar antes. E nunca mais a Patrícia apareceu, não sei se morreu de fato, não sei o que houve, sei que fiquei sem a porra da trepada, punheta não me agradaria aquela noite. E nunca mais conheci uma mulher daquela.
Abri os olhos, lembrei que com 25 anos a vida era melhor que com 48, meu estado era deprimente.
Ter uma vida vivida num cofre, tentar adivinhar o que a vida tinha de melhor sentido, já não era mais pra mim, que tem gente que confunde luxo com luxuria, sempre fui luxurioso, porém nunca luxuoso.
Já não comia muitas mulheres, aliás, não comia nenhuma, não tinha amor, tinha dois pulmões que me martirizavam, meus livros haviam vencido, a língua que eu falava mudara de sentido, haviam regras que não permaneciam mais, eu queria ler Bukowski, mas Bukowski não tinha mais. Queria uma casa, mas não tinha paredes, nem teto, nem rede. Queria um amor, mas não existia coração, até que não quis mais nada. Só um ou dois cigarros pra eu não passar a noite sem companhia.
Nunca tinha conhecido alguem mais doente que eu, mais debilitado, havia algum momento na vida em que eu tentava levantar, mas era só pra sentar na latrina outra vez e cagar tudo que tinha vivido, eu queria morrer, mas morrer não vingava – era de propósito que Deus me ressuscitava toda vez que eu morria.

sábado, 24 de outubro de 2009

Téo

Ainda tinha muito tempo antes da chegada da visita, mas por precaução se arrumara com antecedência, olhadinha rápida no espelho, “nada mal”, pensou consigo mesma, queria estar bonita aos olhos dele. Olhou para o relógio, tinha muito tempo mesmo, deveria estudar, em cima da cama uma montanha de papéis, livros, textos de leitura obrigatória, mas nos quais não conseguiria se deter, não naquele dia, estava ansiosa. Decidiu ao menos organizar tudo, que bagunça estava aquilo ali!
A campainha toca estridente, num salto ela põe-se de pé, já seria ele? Abre a porta ainda um pouco hesitante... Ele era realmente um belo exemplar de homem, tinha uma cara de safado como ela sempre imaginara, e bastou um primeiro olhar para que seu desejo de beijá-lo, de estar em seus braços, de se entregar fosse despertado. Convidou-o para entrar, ainda um pouco embaraçado por se dar conta que não havia organizado as coisas que deveria, mas “tudo bem, tudo bem...” Conversaram sobre amenidades, ele perguntou sobre sua estadia na cidade, ela ofereceu-lhe uma cerveja, que foi prontamente aceita, enquanto retirava o material de estudo de cima da cama e levava-o para a mesa próxima à janela.
Mesmo de costas percebeu que ele se levantara e vinha em sua direção, enfim, “já haviam conversado demais mesmo”! Seus braços envolveram-lhe a cintura, agilmente ele puxou-a para si, sentiu seus lábios quentes roçando-lhe a nuca, e o volume de seu cacete em sua bunda.... “Gostosa”, sussurrou ele ao pé do seu ouvido enquanto suas mãos deslizavam por baixo da blusa que lhe tirara sem a menor dificuldade. Virou-se para ele, queria sua boca, queria seu beijo, sentir seu gosto, beijou-o com vontade, com fome mesmo, e que deliciosa era aquela boca! Já estava maluca de tesão, tanto que buscou seu corpo, sua roupa, e ela própria tratou de tirar-lhe a camisa, abrir-lhe a calça, queria logo libertar aquela pica! Beijou-o todo, mordendo. chupando-lhe o pescoço, descendo pelo peito, barriga, enquanto ele a incentivava, pedia que a “menina” mostrasse o que sabia fazer.
Ajoelhou-se diante dele, segurou aquele pau lindo.. “pau de ruivo”, lembrou que certa vez havia lhe dito que nunca havia ficado com um ruivo, enfim sua curiosidade estava em parte satisfeita, em parte, por quê aquilo era apenas o começo. Ensaiou uma punhetinha, levantou a cabeça e o brindou com um sorriso safado, deliciou-se provocando-o, lambia de leve só a cabecinha: “Que gostoso que você é, Téo!” e continuava seu ritual, agora contemplando aquele pau por inteiro, enquanto ele mostrava que queria mais: “vai, chupa gostoso safada!” Depois abocanhou-o, sentindo aquele pulsar em sua boca, tentando engoli-lo por inteiro, mas ainda precisava adquirir uma certa prática. Por ela chuparia até que a porra inundasse sua boca, mas ele a conteve, afastando-se: “calma mocinha, sem afobação!”, ela levantou-se e recebeu mais um beijo daqueles, delicia! Só pensava em sentir aquele homem possuindo-a.
Conduziu-a para a cama e arrancou-lhe rapidamente o short branco e a calcinha, beijou-lhe a boca com febre e dedicou-se a explorar seu corpo, primeiro saboreando aqueles seios, mordiscando os mamilos, arrancando gemidos a cada centímetro que sua boca percorria. Acariciou-lhe a boceta, estava totalmente molhada, latejante, pedia para ser invadida: “vou fazer você gozar na minha boca, delícia!”, e, abrindo-lhe as pernas, começou a chupar gostoso, sua língua invadia cada centímetro, ora lambendo, ora mordiscando de leve só com os lábios, fazendo-a gemer alto até alcançar o gozo estremecendo em sua língua. Subiu, beijando-a de novo, e posicionou seu pau na entrada daquela bocetinha apertada, olhou-a com um ar sério, perguntou se era isso mesmo que queria e disse que se queria tanto teria que pedir. Obteve resposta mais que satisfatória: “Vem Téo, quero sentir esse pau gostoso todinho em mim, me fode!”, penetrou-a de uma só vez, aumentando cada vez mais a intensidade dos movimentos, fazendo-a gemer forte apertando suas costas, acariciando-lhe a nuca enquanto ouvia o quanto era gostosa. Ela mordia os lábios, se contorcia, procurava sua boca, se encontrara naquele beijo, seu corpo vibrava, e entre gemidos anunciou que mais uma vez alcançara o êxtase. Apertou suas costas com mais força, fechou os olhos enquanto ele continuava os movimentos de vai e vem, até que ela relaxou e ficou parada, ouvia-se apenas sua respiração ofegante.
Nunca se sentira tão devassa e tão solta na cama, ficou de quatro pra ele, tinha cara de quem queria mais, muito mais: “Cumpre o que tu tanto me prometeu, que me daria uma canseira, vem, me fode até a exaustão!”. O safado meteu de uma vez só, sem dó, segurava-a pelos quadris, as estocadas eram tão fortes que ela sentia choques de prazer, delirava entre tapas e puxões de cabelo, rebolou gostoso naquela pica até que seu corpo mais uma vez estremeceu de prazer. Ele também chegara ao seu limite, nem precisou pedir, ela fez cara de gulosa e, ávida por aquele “leitinho”, engoliu tudo, sem desperdício! Realmente estava exausta: “tudo bom demais, que cretino gostoso!”, recebeu mais um beijo “caliente”, permaneceu deitada ali, estava exaltada demais para adormecer, logo ele veio deitar-se ao seu lado. Tinha vontade de aconchegar-se em seus braços, sentir o calor do seu corpo, mas, temendo uma recusa, não o fez. Não sabia muito sobre aquele homem, só sabia que ele a fez se sentir mulher do início ao fim, de resto, seu silêncio e a personalidade peculiar constituíam um mistério, o mistério que ela começara a desvendar naquela tarde.



conto que ganhei de uma amiga!:)

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Cocaína IV!

Acordei com uma sensação de um péssimo gosto na boca, meu nariz escorria, mas estava escuro, eu não sabia o que era, levantei-me rápidamente, fui ao banheiro, tropecei em algumas coisas, fiz barulho, ela ouviu e perguntou se eu tinha algum problema, se passava por algo, eu disse que tava tudo bem, no espelho vi que meu nariz sangrava minha boca tambem, na real eu não sabia o que era tudo aquilo, foda-se, vou cheirar, talvez a coca ajude a cicatrizar, peguei uma carreira, estiquei na pia do banheiro, ela veio pra ver se havia acontecido algo, viu meu nariz sangrar, assoprou o pó e eu mandei-a tomar no cu, ir se foder, filha da puta do caralho, todos os palavrões que houvera aprendido no decorrer de 25 anos soaram hostis de fato num intervalo de dez segundos. Coloquei as calças e ela disse: espera, Téo. Você precisa saber o que há. Não esperei, coloquei a camiseta nos ombros e saí, não morávamos tão longe, andei, andei, passou uma senhora por mim, me olhou, mas minha barba era grande, pensou ser um drogado, um mendigo, um nóia e estava certa, eu parecia sujo, minha roupa estava fedida, há três dias eu não tomava banho, há três dias que eu só cheirava, trepava, bebia e ouvia musica, ouvia Wagner. Fui pra minha casa, na minha casa as coisas eram mais arrumadas, parecia o inverso, minha casa parecia a dela, eu sabia onde estava o algodão, onde estava o soro fisiológico, lavei, limpei, o sangue estava grosso, ressecado, quando passei o algodão senti uma dor fodida. Agora eu podia cheirar em paz, enfileirei uma carreira, cheirei, liguei o som – era tão viciado em música quanto em cocaína – ouvia city and colour a musica: forgive me.

- Téo, pelo amor de Deus, abre a porta, eu quero saber como você está.
- Estou bem, Patrícia.
- Abre a porta.

A porta estava aberta, ela sabia que eu não trancava, empurrou a porta, veio, viu que eu estava bem, eu havia cheirado, estava pego, com uma vontade do caralho de transar, eu queria que ela fodesse bem gostoso comigo, como na primeira vez, agarrei-a, tentei beijá-la, ela tentou se soltar, tentei absorvê-la, ela tentou fugir, como todas as vezes anteriores eu tentava, acontece que eu tentava fugir e agora era ofício dela. Eu não sabia se estava apaixonado ou a porra da carência infiltrava meu ego. Ela disse que me ajudaria, eu disse que a única ajuda possível era trepar comigo, ela não se lembrava de muita coisa dos dias anteriores e eu também não, tinha um abscesso no nariz, talvez a morte atracava-me, talvez eu tivesse medo e queria terminar a minha vida do melhor jeito possível, queria de qualquer jeito sentir aquelas mãos, aqueles seios na minha boca, aquela boceta latejando no meu pau, carreguei-a pro quarto e por fim desmaiei na minha cama, com aqueles lençóis brancos e a bandeira do Palmeiras na parede exposta: Libertadores 99!
Ela não chamou ambulância, ela não me conhecia, ela não gostava tanto de mim a ponto de tentar me salvar, eu faria o mesmo por ela se fosse o contrário, acordei e não sabia o que havia acontecido, estava deitado, na cama, com lençóis brancos, a minha bandeira do palmeiras estava ali na parede e escrita: libertadores 99! Era um orgulho pra nossa torcida, um título incrível, era ainda mais um orgulho pra mim, porque eu sabia que estava em casa. Levantei-me, fui ao banheiro, tomei um banho, não havia me olhado no espelho, me lavei a água ainda desceu um pouco suja de sangue, normal, pensei que tivesse sido do nariz e era. Ela dormia, dormia no sofá, um sofá de dois lugares, pequeno, laranja e encostado à única janela da casa. Fui à minha caixinha, um souvenir que houvera ganhado de uma amiga que trouxe de Londres, era onde eu guardava meu pó, mas a porra estava vazia.

- Patrícia, acorda, acorda, porra, você cheirou tudo o que tinha aqui?

Acordou assustada, com os olhos grandes, que me dominavam se olhando pra mim e disse:

- Joguei fora, joguei tudo fora, você não fará isso novamente, nem eu. Você foi a primeira pessoa que conheci aqui que gosto de sair, gosto de estar, que me realiza, não vou deixar você morrer, não vou aturar que se mate.
- Sem falsas delongas, eu quase morri, você me deixou deitado no mesmo lugar que estávamos quando apaguei, era meu quarto, eu sabia, eu havia te trazido pra cá.
- Não chamei a ambulância porque havia muita droga na porra da caixinha, fiquei com medo da polícia achar algo e nos acusar, mas eu estive contigo, cuidei de você, fiz curativo no seu nariz, você tinha um coágulo na boca, quase morreu sufocado de tanto sangue, você é injusto, Téo. Estou vendo a hora de começar a te odiar antes de amar.
- Eu nunca tive esperanças de que você me amasse, Patrícia. A minha única esperança era morrer trepando contigo.

Ela saiu, bateu a porta, esqueceu o casaco, era o mesmo casaco que usava todas as vezes que nos víamos, talvez sentiu frio, abriu novamente a porta, pegou o casaco em cima do sofá laranja e encostado à única janela da casa. Eu não tinha mais forças pra sair atrás dela, eu não tinha vontade, talvez sentisse falta mais tarde, mas agora eu sentia falta de ficar louco. Fui ao bar, bebi, dessa vez não cheirei, voltei pra casa e tocava city and colour – forgive me.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Cocaína III


Acordei, dessa vez eu dormi, não tinha dinheiro pra muito, bebi muito pouco, cheirei menos ainda, logo, tive sono depois de tantos dias sem dormir e dormi.Até sonhei.
Sonhei com a Patricia, acordei com uma vontade do caralho de trepar, ela foi uma das melhores trepadas que tive na minha vida, era uma mulher incrível, inteligente, viera de um estado distante, formada em jornalismo, tentava a vida em São Paulo, mas jamais conseguiu ser uma pessoa bem sucedida, éramos de fato a contrapova da física em que os opostos se atraem, éramos muito parecidos, singelamente ela era capaz de tudo, sinceramente era uma pura vadia.
Certo dia estava bebendo em um bar na Vila Madalena, a vi de longe, era um tesão de mulher, muito bela, branca, bochechas rosadas, cabelo escuro, vermelho pintado, olhos verdes, tatuagem no pescoço, camiseta dos Beatles, bebia cerveja - eu adorava mulheres que bebiam cerveja - eu não era de se jogar fora, só estava, como sempre, com os olhos fundos, nariz coçando, medo de que escorresse algo do meu nariz, limpava de dez em dez minutos, ainda que não estivesse sujo. Peguei um cigarro, pus na boca, procurei incessantemente meu isqueiro, não encontrei, tirei o cigarro da boca, coloquei novamente na mesa, não tinha como acender. Ela percebeu, veio até minha mesa, com passos cautelosos, charmosa, uma calça jeans escura, apertada, mas era mais apertada ainda do joelho pra baixo, usava um tênis branco e tinha os cabelos lisos soltos. Não me disse nada, chegou perto, me ofereceu o isqueiro já aceso em sua mão. Fiquei estático.
Pedi pra ela sentar, me acompanhou em duas cervejas, ela questionou o por quê eu estar sozinho num lugar onde todo mundo tem companhia, por que eu não participava das rodas de conversa das mesas ao lado, e eu disse que morava por ali, a cidade no centro era muito solitária, as pessoas que estavam sentadas às mesas vinham de longe, traziam amigos, mas os moradores da região eram solitários, eu era muito solitário, talvez por isso tenha arrumado esta desculpa, talvez eu tivesse vergonha de falar que não tinha amigos, eu não tinha amigos e a questionei sobre ela estar só, ela me disse que por escolha, pedi a terceira cerveja, a quarta, queria cheirar, mas ficava tímido e ela me disse:
- queria um pó, você usa? Eu adoro cocaína, me deixa bem, feliz, faceira, me deixa com tesão, você gosta de mulheres que dão no primeiro encontro?
Eu fiquei com vergonha, confesso, mas a vergonha não me impediria de comê-la naquela noite, eu era novo, tinha uns 25 anos, tinha toda euforia do mundo, tinha todo tesão do mundo, tinha todo pique, toda droga que quisesse, talvez por eu ser calmo, de poucas amizades, era bem confiado na boca de fumo.
- eu gosto, na real não tenho muita percepção pra isso, a maioria das mulheres que saio, ou quase todas, fica muito louca e dá no primeiro encontro, e se você quer cocaína, vamos à minha casa, tenho um pouco aqui, toma, vá ao banheiro, mas cuidado, ponha na mão, cheire rápido e volte, deixe um pouco pra mim, a gente fica mais um pouco, toma uma cerveja e depois vamos pra casa.
Assim ela fez, ela voltou coçando o nariz e sorridente, me deu um beijo no rosto, colocou o restante na minha carteira de cigarros, fui ao banheiro, na esperança de que ela ainda estivesse na mesa quando eu voltasse, ela era tão linda, tão irreal, que eu achava que não era pra mim. Voltei, ela ainda estava lá, fomos à minha casa depois de mais três cervejas, pedi ao dono do bar que me vendesse mais algumas, me vendeu junto ao litro de conhaque, tomamos algumas cervejas, cheiramos, não conseguimos transar, meu pau não subia, ela chupava, mas nada de render, a masturbei, ela gozou, fiquei acordado, ela conseguiu dormir, dormiu lindamente, rosto rosado, branca, como uma princesa. Mal via a hora da minha brisa passar, pra acordá-la e comê-la, tentei dormir, não consegui, tomei mais conhaque, tomei muito conhaque, tomei todo conhaque. Chapei, dormi, acordei antes dela, na real eu não a entendia, ela não cheirava?
Como ela conseguia dormir tanto? Acordou insaciável, me pegou, fez tudo comigo, o melhor sexo que já tive na vida, eu não queria deixar que ela fosse embora. Pediu mais coca, era insaciável tambem com a droga, éramos de fato um pro outro, trepamos mais umas nove vezes aquele dia, ela disse que precisaria ir pra casa, eu a pedi pra morar comigo, eu disse que a amava, ela sorriu e disse que voltaria mais tarde, pra mais diversão.
Não consegui dormir mais, dessa vez não pela droga, mas pela moça, não exatamente pela moça, mas pelo sexo da moça. Ela fodia tão bem quando as bonecas infláveis que tivera sem nunca ter tocado, sei disso, porque jamais abriu a boca pra falar merda, ela falava tudo que eu adorava ouvir enquanto fodiamos.
Ficamos mais alguns dias indo à minha casa, quase dois meses entre encontros, drogas e muita putaria, me convidou pra ir à sua casa, um purgueiro, uma merda de lugar, não tinha contato com ninguem, não havia família, ela jamais falara de família comigo.



Imagem: Marianna Rafaella!

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Cocaina II

Na verdade a coisa era muito mais real que pela manhã, meus olhosinchados, a boca cortada, dor de cabeça, eu poderia viver mais uns dias assim, mas não suportava, viver superava minha expectativa da morte e isso me matava psicológicamente.Enquanto o mundo rodava, meus olhos estavam vermelhos, peguei um caderno,tentei escrever alguma coisa, mas eu nunca achei bonito o azul no branco,sempre preferi um verde, talvez pelas cores do meu time, eu era fanático por aquele jogo, ia sempre ao estádio enquanto moleque, participava das torcidas, adorava brigas, adorava vê-las, brigar não era comigo, eu era forte no pensamento, mas era todo desajeitado pra brigar, preferia cheirara qualquer outra coisa, preferia beber a defender meu time de outros idiotas que torciam pra times mais idiotas ainda. Não consegui escrever.Havia recebido uma proposta de uma editora, pra lançar um miniconto,alguma desapropriação do meu eu, publicar à revelia o quão tóxicos eram meus pensamentos e ludibriações.Fui ao bar, pedi um conhaque, tomei numa virada só. Olhei no bolso, haviao cartão do banco e mais alguns trocados em moedas, aquilo daria somente pra comprar mais uma dose de conhaque, pensei em pedir fiado, mas fazia pouco tempo que eu estava ali, havia sumido do outro bairro, porque abri conta no bar e não paguei, deixei de pagar dois meses o aluguel.Meus 48 anos me traziam uma alma pesada e a esperança de um bom jazigo quese fazia breve.Na fila do banco esperei dois rapazes que estavam na minha frente,tentaram tirar um dinheiro, não conseguiram e foram embora. Fui, vi que tinha pra dois, DOIS, era incrível, fazia tempo que eu não pegava tão pouco pó, fui à boca, peguei dois pacotes minimos da droga, de no máximo um grama cada, ainda menos talvez, ali mesmo na boca deis alguns passos à frente, peguei a carteira, abri um papelote, coloquei inteiro e cheirei.Meu alívio subia pelas pernas, era como um corpo em chamas que se jogasseao mar e eu insistia em desdizer ao mundo o que diziam, de fato a droga não me fazia mal ou talvez eu não visse o maleficio com tanto esmero. O mal da cocaína era relativo. Fui ao bar, já anoitecia, meu time jogaria, o Palmeiras me faria feliz, era quase campeão, faltavam poucas vitórias pra congragulação. Talvez ali, no auge da velha idade era eu e o Palmeiras se ganhasse era motivo pra comemorar - ia na boca e pegava dez - se perdesse era motivo pra esquecer - ia na boca e pegava vinte.Fui ao bar, sentei, pedi um conhaque - dinheiro ainda era escasso -assisti ao jogo todo com um copo de conhaque somente, Palmeiras havia ganhado novamente, a torcida vibrava, o time jogava como raras vezes jogava, era meu motivo de felicidade. Fui ao banheiro, coloquei mais uma carreira cheirei pela vitória e em homenagem ao time. Estava bem, feliz,sorridente, ao sair um rapaz me disse: Tio, seu nariz tá sujo, cara.Limpei, sorri feliz e segui adiante. Fui pra casa, não hesitei agora, com coragem, em pedir uma conta no bar o dono não gostou muito da idéia, mas talvez por eu ser novo no lugar ele queria me dar as bem-vindezas e aprovou meu crédito, tomei mais dois conhaques, quatro garrafas de cerveja, cheirei o restante do pó e fui pra casa, ao chegar por lá, a vizinha da casa de baixo estava prostrada na janela, fumava um cigarro, me olhou com cara de vagabunda, dei boa noite, perguntou se eu tinha companhia, falei que não precisava. Fechou a janela e nunca mais olhou na minha cara.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Cocaína!

Era uma saga, uma relação contínua, era maior que qualquer livro eterno, era uma luta pela libertação do vício das drogas. Era enfim uma guerra nas biqueiras. Lembro que enchia a cara e antes disso dizia: não usarei esta coisa novamente, mas era inevitável, meu nariz pedia, meus olhos ferviam, meu humor mudava, minha vida insana vinha à tona e eu era só feliz se pegasse três ou quatro, colocasse uma inteira na mesa, esticasse a fileira e vruuunnnn, mandasse tudo para o cérebro, a parada era louca, eu sentia bater um tuín, era como um trem descarrilhado no cerebelo.
Tinha uns 48 anos, eu era um homem formado fisicamente, era um pré-velho, minhas mãos tremiam, minha boca se mexia, era como se quisesse morder a orelha, minha visão deturpava, entrava nos bares, bebia cerveja, olhava as mulheres, não era mais o comedor da adolescência, a cocaína havia enfim acabado com a minha estima viril e sórdida, era extremamente desprezível. Não tinha dinheiro pra muita coisa, tomava cervejas e conhaque, quando era menino tomava corote, barris de pinga mínimos, eram eles que me acompanhavam, depois conheci o conhaque, me mantive ali, era o primo pobre do uisque, eu adorava uisque, mas não tinha dinheiro pra eles. Sempre que me lembro no começo do mês me esbaldava em beber e cheirar, afinal, havia dinheiro. Mas da segunda semana em diante, meu vício virava nóia, arrumava um jeito de ganhar dinheiro ou cerrar o pó alheio. Comecei a trabalhar estabilizadamente, ficava nos empregos por pouco tempo, era um homem forte, viril, arrumava mulheres facilmente, lembro-me da ruiva que conheci numa estação de trem, eu estava louco, maluco, tinha cheirado pela noite inteira, levei-a pra um hotel, ela reclamou do estado do hotel, trepamos, acho que fui mau com ela, ela reclamou da minha lascívia, diz que fui intempestivo, ela queria carinho e eu porrada, acabei gozando na cara dela, ela não gozou comigo, levantou-se, foi embora, não me deu telefone - eu pouco ligava se me desse - sabia que arrumaria outra logo ali na esquina; isso veio tudo surgindo e saltando à minha mente de velho, olhei pro lado, vi uma moça bonita, uma morena tão bela quanto a mineira que daria minha vida que um dia houve na realidade ou na mentira que existi, que existiu, fui lá e disse:

- hei, quer sair comigo hoje? - segurei pelo braço dela, ela levantou-se.
- você vai me machucar, me solta, seu velho. Obrigada. Seu nariz tá sujo.

Olhei pros lados, todos me olhavam, não sabia que lugar era aquele, se pertencia aquele lugar, tirei outro pó do bolso, filei na mão, cheirei na frente deles. Alguem me pegou no braço, disse que ali não era lugar, me jogou na calçada, me deu três chutes, chamaram a polícia, corri, corri, corri, suava feito sudorese, meu corpo em chamas, não havia puteiro por perto, entrei numa igreja, um pastor falava, mas nada que eu entendesse. Fui pra casa, fechei a porta, dormi no único comodo, num único colchão no canto, molhado de mijo, mais um dia pro meu cartel de ilusões - era dia, ansiava pra que anoitecesse novamente, era mais um dia que eu não tinha esperança de acordar morto, visto que não dormiria. Queria drogas, mais drogas, mas durante o dia não havia boca, rezava aos céus pra que anoitecesse, eu tremia, minha boca tinha gosto de sangue, os chutes dos rapazes do bar me doíam, eu não iria voltar lá.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Battleships.

Eu poderia tocar o mar, o céu, qualquer indecência criada por Deus. Agora eu era rei. Havia muito de você na inocência da minha órbita, havia um pouco de mim em cada astro que a medicina não criasse. Havia um pouco de mim em cada cura que a medicina alcançasse, havia algo meu em tudo, em nada, no sim, no não, eu era um completo talvez.