quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Fodidos.

E que o mundo poderia não ser esse que vivemos,
vai que o mundo fosse o outro que estamos à espera.
E se Deus é o ponto forte das atmosfera,
o que esperar do excesso de calor que faz a terra febril?
E se nossa vida for um começo de tudo,
o que esperamos pra chegar ao final ou à partida.
E se tudo que contamos tenha fim,
e se os números são finitos?
E se a terra girasse sempre em torno de ti,
o que esperar da tua influência absurda sobre o âmago?
E se a cerveja não tivesse, ao menos na gente, meu amigo,
o poder de dissolver a tristeza dos problemas?
E se estes mesmos problemas não voltassem à tona todo dia,
e dormir bastasse pra que tudo fosse resolvido, qual a glória de beber?
Um dia houve Bach, Gaudi, Bakhtin, Dostoievski, Boccaccio, Hank.
E se agora, que somos homens vis, hostis, rudes e pseudo-mortais,
Deus quisesse de fato matar a todos com um dia de chuva ou de calor?
Às vezes acho, meu amigo, que a resposta pra todas as perguntas estejam sob o catre
daquela que um dia dormi abraçado, sobre a cama!
E se eu não voltar lá pra saber? Estaremos fodidos.

2 comentários:

Kellen disse...

Fudeu :D

Aline Patrícia disse...

Sabe, meu bem, viver nessa eterna dubitância é algo que não me agrada, mas ao mesmo tempo é algo de que talvez não possamos sair, escolhas implicam em consequencias e o não vivido, o não provado, as possibilidades da "vida que poderia ter sido mas não foi" podem ser nossos algozes...
Por isso eu nem penso mais, ou pelo menos tento pensar o mínimo possível, acho que teorizar a vida é muito chato! Resta agradecer, a cerveja, a poesia, a literatura, o sexo e outras coisas mais que não tornam ninguem melhor, mas pelo menos convertem-se em refúgio de muitos...
Lembrou-se do meu Bakhtin, essa teoria enunciativa da linguagem está me enlouquecendo hehehehe
Acho que não deves procurar as respostas, não adianta, todo o mundo e o resto dele podem ser encontrados se olharmos para dentro de nós, ou não...
Talvez seja melhor que essas respostas nunca venham, que as dores sejam cada vez curtidas, a escrita cada vez mais lírica, o gênio cada vez mais aspirado e solitário.
Natureza.

Beijo bem bom @@