sexta-feira, 11 de junho de 2010

Morena

Morena,
Um pedaço do mar, do infinito.
Há dois amores no peito.
Há um gosto por cerveja,
Há um tesão por sexo.
Há duas coisas iguais
Há um contexto igual.
Mas há uma novidade.
Sorriso branco, olhos brancos,
Pele lisa, corpo magro, mas envolto.
Há curvas que são perigosas,
Há uma delicia nas palavras.
Seu sabor vai à ponta da língua.
Seu desejo é um regresso,
Sua presença é um pecado.
Não há o que se fazer.

2 comentários:

Pearl disse...

cerveja ou sexo? já perguntei?

Aline Patrícia disse...

Não há mesmo.
Para quem dizia não saber fazer versos, estás cada vez mais atrevido!

Já foi dito por ti que o espírito dual não combina comigo.. não mesmo. Sou do tipo que quando tem interesse costuma focar no objeto desejado. Por isso, ao ler-te, sempre é necessária a tentativa de aproximação com um olhar tão cheio de facetas.


"Há dois amores no peito."

Esse eu-lírico não tem jeito! Numa leitura, podemos identificar a cerveja e a morena como os dois amores, sendo estes de sentidos distintos, um de gosto e outro de tesão, referenciais diferentes.
Por outro lado... falar em "novidade" permite ao leitor cogitar a entrada de um terceiro elemento, que seria marcado pela descrição física feminina. Mais uma moça ou apenas a retomada da morena, anteriormente citada?
Cilada interpretativa.
O bom é que eu acabo me enredando nela e me mostrando tão atrevida quanto quem escreveu. [risos]
Questões de estética às vezes fazem a gente se ater tanto à materialidade do discurso, aos meios de se dizer as coisas, que podem nos desviar da apreciação da expressão que, por si só, já basta. É esse o teu caso, mesmo com essa tua insistência em pensar que as coisas nunca são suficientes.

:)