Alguém há de dizer que são palavras fortes, mas tamanha é a força do texto de Téo e do seu grito, que não haveria como dizer deles, se não fosse com força. Se você é capaz de enxergar a ternura encoberta pelo mito do forte que tem medo de que percebam sua doçura, então é capaz de amar este blog. por Ana da Cruz.
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012
Foi, como foi!
Eu não era mais o mesmo homem da noite anterior. Acordara renovado, e entre poucas vezes, a cerveja não havia acabado com meu dia posterior. Acordara, um belo dia, ensolarado, havia brigado com qualquer pessoa, era a isso que minha vida se resumia, brigar, brigar, brigar... Fui à rodoviária, comprei uma passagem. Sei lá, qualquer lugar, o próximo ônibus, por favor, e fui.Deus, você não pode ser tão incólume assim, me ouça. Entrei no ônibus, uma moça loura, de belas pernas, ouvindo um funk carioca, com um short curto, as pernas pra fora, imaginei aquilo tudo rebolando num baile, desconcentrei, eu não queria e nem poderia me excitar aquela hora. Abri meu livro do Nelson Rodrigues, A Vida Como Ela É, e li, li muitos contos, todos incríveis, falando sobre machos e vagabundas, pois bem, minha vida estava voltando ao centro de mim e não de outra. Não de outros. Eu havia retomado o controle da situação. A loura tentou falar comigo, mas não dei bola, não gosto de mulheres atiradas. Chegando à cidade, havia um bar, uma cidade pequena, as pessoas se reuniam em um só lugar e ao que me parece, todos se conheciam. Um grupo de amigos bebendo cervejas de um lado, um outro senhor tomando sua dose de cachaça que tinha um valor fixado em um cartaz na parede: cachaça 51/velho barreiro; R$1,50! - Tirei algumas moedas do bolso, paguei uma dose para o senhor e pedi uma dupla pra mim, misturadas, velho barreiro e 51 e mandei pra dentro.Sentei-me à mesa ao lado de fora, o grupo de amigos reconhecera-me como um turista, ofereceram-me sua mesa, sentei-me, dois rapazes e um milhão de mulheres. Eu não podia ter mais sorte, Deus não era mais tão incólume assim. Perguntaram-me de onde era, o que fazia, eu não queria amigos, não novos amigos, seria muito trabalho pra alguem que estava somente a se aventurar em terras estranhas. Uma do grupo, esbelta, cabelos grande, claros, branca, como todo mundo parecia ser naquela cidade, brancos demais, pálidos demais, por isso eu preferia os negros, todos os negros me parecem mais dispostos à ventura, às emoções, no entanto, ela era linda, e sorria com os olhos, aquilo me cativava, tinha um vestido florido, suas pernas - e era isso que mais me atraía nas mulheres - estavam expostas e eu olhava, imaginava-me como um oleiro, com as mãos ali, ela em um torno e uma obra de arte sendo criada. Enfim, logo bebi outra dose de cachaça, por hora, não era isso que eu queria. Não era. Agradeci a companhia, havia um hotel ao lado do bar, despedi-me de todos e me indicaram o hotel por ser 'o melhor' e era tambem, fiquei sabendo depois, o único da cidade. Tomei um banho, tirei um cochilo, acordaria às 20hrs e isso era umas 18, para que os meus mais novos conhecidos e, consequentemente adversários, porque, ali no grupo, a moça que paquerei, parecia-me a mais assediada, tambem por isso não me empolguei muito, eram rapazes bonitos e endinheirados. E eu, com uma bolsa rasgada e roupa rota, não sobressairia. Às 20hrs o telefone do hotel toca, a recepcionista, Fabiana, informa: Boa noite, Sr. A sra tal lhe aguarda aqui embaixo. Eram os rapazes e as moças, não estava a fim de uma diversão, pensei em dormir mais, mas não, era uma moça bonita e valia o olhar. Desço,converso com a moça da recepção, era diferente da que havia me atendido, mudara o turno, Fabiana seu nome, olhos verdes, bonitos, um sotaque diferente, era assim que o interior me fascinava, suas mulheres, sua inocencia e suas bocas falando algo que eu não ouvia em qualquer lugar. Ainda que fossem as mesmas palavras de outras. Dou boa noite, me despeço, deixo a chave e quando saio na porta do hotel, esta lá, a moça, ainda mais bela que pela tarde, a luz natural, das estrelas, da lua, do verão, fez com que ela parecesse-um-milhão-de-sonhos-dentro-de-um-sonho-acordado. Mas havia um porém, ela estava sozinha... E eu não sabia se isso era bom ou ruim, porque eu não me controlaria mais! Perguntei se ela aceitaria uma pizza, o hotel oferecia o serviço, sugeri que comessemos no quarto, ela não hesitou, troquei a estadia de solteiro para casal e isso sim foi impactante. Subimos, conversamos, assistimos um filme, o hotel era realmente bom, a tevê era a cabo, havia um trem-fumaça na cidade, ela me contara os caminhos do trem, as fazendas que corta, os escravos que ja sofreram por ali. E só me lembro dos assuntos e não dos detalhes, porque agora havia tambem, um-milhão-de-palavras-e-caricias-dentro-de-uma-boca-tão-bela-quanto-os-olhos-que-sorriam. Segurei-a pelo cabelo... ... era a boca mais macia que ja havia beijado nos ultimos milhares de anos. Ela rubrou-se, mas não deixou de rir depois do beijo. Aquele riso que era fado, estava selado. Eu havia vencido os rapazes endinheirados e bonitos, talvez ela os preteriu, em troca do mistério e da aventura. A noite se deu como devia se dar, uma cidade pequena, o trem-fumaça triunfando a cidade, o barulho de um carro ou outro a cada meia-hora, os suores, o cheiro, a pizza fria e um 'tchau, preciso ir, Téo'. Fui ao bar, briguei mais um pouco com ninguem, bebi caipirinhas, chopes e ela ja devia dormir, feito princesa que era sorrindo e feito mulher que era tendo prazer. Eu não podia querer viver sempre assim, não se reduz a vida à aventuras, mas se um dia, ela aparecer de novo, aventuro-me, porque entre brigar e viver, prefiro viver, ainda que seja longe, ainda que seja caipira e ainda que o trem-fumaça me encha o saco a noite toda.
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
Bebado, cheers e malditas.
Pois é, tenho meus defeitos, minhas qualidades e ninguem alem de mim, aceita-os
completamente. Eu gosto da pinga com mel antes da cerveja e do conhaque
durante. Eu gosto de mulheres loucas e aquelas que não fazem questão de ser.
Tenho anunciado avidamente o meu amor pela literatura e a literatura como forma
de protesto, mas alguns poucos, quase ninguém, acredita na possibilidade da
coisa. Manias infundadas de falar palavrão até a borda do rabo virar um
alfabeto vândalo. Não me importo em viver sem sexo, mas me importo em viver sem
bebida, mas eu amo sexo quando tenho a oportunidade, mas não o idolatro quando
distante. E veja você, tenho duas bolas e um pau, que já deram conta, se
marcar, até de uma de suas mães.
Agora não me venha com mania idiota de me taxar de maluco, retardado ou tolo. Não sou seu
rótulo abusivo de virtudes derrotadas, não me compare à sua vida, porque pra
mim, ainda que no chão de um bar, minha virtude é vitoriosa. Não se iluda com
os preceitos de amor e morte que prego em meus textos, muito menos se iluda com
as trepadas vis que tenho às vezes, porque pra mim, elas parecem muito mais
odiosas, na hora, que depois. E se você um dia fez parte de uma trepada minha,
daquelas mecânicas, em que não te ofereci mais que a terceira vez, sinta-se
idiotamente rebaixada, mulher. Porque se me julgas o magistral dos bêbados sujos,
fostes desprezada por mim.
E eu estou aqui, na minha cama, ansioso por um gole de conhaque, te dou mais alguns
minutos pra bater à minha porta e me gratificar com isso. Mas, como sou sempre,
realista demais, a porta vai continuar fechada e não haverá batida. O telefone
não tocará mais com um de seus números e eu vou ficar feliz assim, por me
evitar, complacente, com a tua ausência taciturna. Assim sendo, abro eu mesmo
meu conhaque, sirvo-me a mim e brindo à tua maldita existência. CHEERS, malditas.
completamente. Eu gosto da pinga com mel antes da cerveja e do conhaque
durante. Eu gosto de mulheres loucas e aquelas que não fazem questão de ser.
Tenho anunciado avidamente o meu amor pela literatura e a literatura como forma
de protesto, mas alguns poucos, quase ninguém, acredita na possibilidade da
coisa. Manias infundadas de falar palavrão até a borda do rabo virar um
alfabeto vândalo. Não me importo em viver sem sexo, mas me importo em viver sem
bebida, mas eu amo sexo quando tenho a oportunidade, mas não o idolatro quando
distante. E veja você, tenho duas bolas e um pau, que já deram conta, se
marcar, até de uma de suas mães.
Agora não me venha com mania idiota de me taxar de maluco, retardado ou tolo. Não sou seu
rótulo abusivo de virtudes derrotadas, não me compare à sua vida, porque pra
mim, ainda que no chão de um bar, minha virtude é vitoriosa. Não se iluda com
os preceitos de amor e morte que prego em meus textos, muito menos se iluda com
as trepadas vis que tenho às vezes, porque pra mim, elas parecem muito mais
odiosas, na hora, que depois. E se você um dia fez parte de uma trepada minha,
daquelas mecânicas, em que não te ofereci mais que a terceira vez, sinta-se
idiotamente rebaixada, mulher. Porque se me julgas o magistral dos bêbados sujos,
fostes desprezada por mim.
E eu estou aqui, na minha cama, ansioso por um gole de conhaque, te dou mais alguns
minutos pra bater à minha porta e me gratificar com isso. Mas, como sou sempre,
realista demais, a porta vai continuar fechada e não haverá batida. O telefone
não tocará mais com um de seus números e eu vou ficar feliz assim, por me
evitar, complacente, com a tua ausência taciturna. Assim sendo, abro eu mesmo
meu conhaque, sirvo-me a mim e brindo à tua maldita existência. CHEERS, malditas.
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012
velho, puta e desconhecida.
E já não mais acreditava em coincidência, era um homem com dores, bêbado, mas com dores.
Sentara ao meu lado, dissera coisas incríveis sobre como os urubus degustam suas carniças e os comparava às mulheres. Logo, de pronto, não hesitei em concordar.
Tirou dois cigarros do bolso, jogou um à minha frente, no balcão, e disse: fume um desses você
verá que gosto bom estes têm! Peguei meu isqueiro, acendi, traguei e tossi mais
que havia tossido com qualquer cigarro na minha vida, então apaguei no meu
conhaque e virei o copo. O velho sorriu da minha cara e me disse que era assim
mesmo, que na vida, a gente só pode experimentar o que estamos dispostos a
aguentar. Levantei-me, fui ao banheiro e quando voltei, ele não estava mais.
Perguntei ao dono do bar se o velho havia saído, ele não me respondeu, estava ocupado
recebendo um boquete de uma vagabunda que não tinha dinheiro pra pagar a conta.
Deixei o dinheiro no balcão e fui embora.
Chegando em casa, estava frio, eu não me lembrava de muita coisa do dia anterior, mas tinha
roupas no chão, alguma mulher veio e fora embora pelada... provavelmente.
Porque havia uma vestimenta completa ali, calcinha, calça, sutiã, blusinha com
uma foto de Marylin Monroe. Aos poucos fui recobrando a figura da mulher, não
lembrava-me do nome, estava fadado ao fracasso e subitamente a porta do
banheiro se abre, era linda, loura, olhos claros e um par de peitos
maravilhosos. Não era exatamente a que eu havia me lembrado, mas era mais
surpreendente.
- Oi, Téo. Como foi no bar?
- Foi tudo bem.
E eu a olhava,
dissecando, tudo, corpo, olhos, alma...
- Você não se lembra de nada de ontem, né?
- É, não me lembro de nada. – Enquanto eu colocava meu disco do Jeff Buckley pra rolar.
- Eu te lembro então. Você foi à zona, eu trabalho lá, então você me pediu pra vir morar
contigo, que me tiraria daquela vida. Mas você estava tão bêbado, que eu não
vim pra sua casa por escolha, eu gostei muito de você, eu vim te trazer, dormi
um pouco contigo, você insistia em trepar comigo, mas você estava tão bêbado
que não aguentou nada. Mas não se preocupe, só estava tomando um banho, está
aqui a chave de seu carro, vou embora, jajá começa meu expediente de novo e se
você quiser ir até lá, sem estar bêbado e me fizer o mesmo convite, eu aceito.
- Tudo bem, bom trabalho.
Dormi um pouco, não me lembrava como havia amanhecido, nem como havia deixado-a em casa e ido pro bar. Ao passo que dormia, meu corpo suava, dormi muito pouco, acordei muito
cansado, peguei minha garrafa de vodca e tomei inteira. Eu pensava naquela
mulher, eu pensava em outra também, mas agora não mais com tanto amor, esta
outra, inocente mulher, havia me feito apagar um pouco aquela que houvera me
deixado. O amor tem destas coisas, você sofre dias, você vai à bares, igrejas,
casas de amigos pra tentar dissuadi-lo e quando menos espera, numa zona, você
encontra paz. Tomei um banho, estava bêbado, não conseguia dirigir, mas sabia
exatamente o que queria... Fui à zona, perguntei sobre ela, não lembrava seu
nome, vi todas as mulheres da casa, nenhuma era ela. Ninguem a conhecia – você pode
virar amante de muitas mulheres, mas só uma é realmente sua amante – e meus
olhos brilhavam de tristeza, fundos e atormentados, batia na porta dos quartos,
atazanava todo mundo, um segurança preto bateu na minha cara e dizia: acorda,
Filho da puta. Quem se apaixona por puta é corno.
Fui pro bar, não a havia encontrado, bebi muito, muito mais que havia bebido na noite que a
havia encontrado e quando acordei, havia uma mulher ao meu lado, que não sabia
seu nome, nem sua idade, nem seus dotes, minha cabeça explodia e aí então, eu a
pedi em casamento e ela não aceitou. Foi-se embora e nunca mais a vi. E era
assim, desde o começo, as pessoas passavam pela minha vida só por momentos e na
maioria das vezes eu não lembrava exatamente quem eram, nem seus nomes e muito
menos como as havia conhecido. Decidi então parar de conhece-las e bebia no
escuro do quarto, como um corpo podre à espera da puta, da santa ou do velho
barbado e conselheiro.
Sentara ao meu lado, dissera coisas incríveis sobre como os urubus degustam suas carniças e os comparava às mulheres. Logo, de pronto, não hesitei em concordar.
Tirou dois cigarros do bolso, jogou um à minha frente, no balcão, e disse: fume um desses você
verá que gosto bom estes têm! Peguei meu isqueiro, acendi, traguei e tossi mais
que havia tossido com qualquer cigarro na minha vida, então apaguei no meu
conhaque e virei o copo. O velho sorriu da minha cara e me disse que era assim
mesmo, que na vida, a gente só pode experimentar o que estamos dispostos a
aguentar. Levantei-me, fui ao banheiro e quando voltei, ele não estava mais.
Perguntei ao dono do bar se o velho havia saído, ele não me respondeu, estava ocupado
recebendo um boquete de uma vagabunda que não tinha dinheiro pra pagar a conta.
Deixei o dinheiro no balcão e fui embora.
Chegando em casa, estava frio, eu não me lembrava de muita coisa do dia anterior, mas tinha
roupas no chão, alguma mulher veio e fora embora pelada... provavelmente.
Porque havia uma vestimenta completa ali, calcinha, calça, sutiã, blusinha com
uma foto de Marylin Monroe. Aos poucos fui recobrando a figura da mulher, não
lembrava-me do nome, estava fadado ao fracasso e subitamente a porta do
banheiro se abre, era linda, loura, olhos claros e um par de peitos
maravilhosos. Não era exatamente a que eu havia me lembrado, mas era mais
surpreendente.
- Oi, Téo. Como foi no bar?
- Foi tudo bem.
E eu a olhava,
dissecando, tudo, corpo, olhos, alma...
- Você não se lembra de nada de ontem, né?
- É, não me lembro de nada. – Enquanto eu colocava meu disco do Jeff Buckley pra rolar.
- Eu te lembro então. Você foi à zona, eu trabalho lá, então você me pediu pra vir morar
contigo, que me tiraria daquela vida. Mas você estava tão bêbado, que eu não
vim pra sua casa por escolha, eu gostei muito de você, eu vim te trazer, dormi
um pouco contigo, você insistia em trepar comigo, mas você estava tão bêbado
que não aguentou nada. Mas não se preocupe, só estava tomando um banho, está
aqui a chave de seu carro, vou embora, jajá começa meu expediente de novo e se
você quiser ir até lá, sem estar bêbado e me fizer o mesmo convite, eu aceito.
- Tudo bem, bom trabalho.
Dormi um pouco, não me lembrava como havia amanhecido, nem como havia deixado-a em casa e ido pro bar. Ao passo que dormia, meu corpo suava, dormi muito pouco, acordei muito
cansado, peguei minha garrafa de vodca e tomei inteira. Eu pensava naquela
mulher, eu pensava em outra também, mas agora não mais com tanto amor, esta
outra, inocente mulher, havia me feito apagar um pouco aquela que houvera me
deixado. O amor tem destas coisas, você sofre dias, você vai à bares, igrejas,
casas de amigos pra tentar dissuadi-lo e quando menos espera, numa zona, você
encontra paz. Tomei um banho, estava bêbado, não conseguia dirigir, mas sabia
exatamente o que queria... Fui à zona, perguntei sobre ela, não lembrava seu
nome, vi todas as mulheres da casa, nenhuma era ela. Ninguem a conhecia – você pode
virar amante de muitas mulheres, mas só uma é realmente sua amante – e meus
olhos brilhavam de tristeza, fundos e atormentados, batia na porta dos quartos,
atazanava todo mundo, um segurança preto bateu na minha cara e dizia: acorda,
Filho da puta. Quem se apaixona por puta é corno.
Fui pro bar, não a havia encontrado, bebi muito, muito mais que havia bebido na noite que a
havia encontrado e quando acordei, havia uma mulher ao meu lado, que não sabia
seu nome, nem sua idade, nem seus dotes, minha cabeça explodia e aí então, eu a
pedi em casamento e ela não aceitou. Foi-se embora e nunca mais a vi. E era
assim, desde o começo, as pessoas passavam pela minha vida só por momentos e na
maioria das vezes eu não lembrava exatamente quem eram, nem seus nomes e muito
menos como as havia conhecido. Decidi então parar de conhece-las e bebia no
escuro do quarto, como um corpo podre à espera da puta, da santa ou do velho
barbado e conselheiro.
bar, amigo e sol!
Você vai conseguir,
com um pouco de espaço e tempo,
viver tudo que ainda não tinha vivido.
E as dores,
desamores,
bebidas,
tudo,
será apenas questão de gosto.
E os teus melhores amigos
te acolherão num bar,
quando nada mais interessa.
E um deles não beberá nada.
Pra ensinar você que o horizonte
não acaba ali.
E você agradecerá.
Será o melhor de tudo,
e quando pensar que tudo está perdido.
Amanhecerá num dia de sol,
com teus olhares renovados,
e agradecerá teu amigo pela companhia.
E as coisas que não faziam mais sentido,
voltarão a fazer.
A vida,
a amizade,
teu amigo dizendo que você pode,
e você pode.
Aí vai se levantar,
e no dia de sol,
céu azul e gaivotas
te farão acreditar que é um novo começo.
Porque é um novo começo,
Agora, amanhã e depois.
E mesmo quando o dia estiver nublado,
será um começo.
E teu amigo, talvez precise de você,
e você não beberá,
pra conforta-lo,
porque pro horizonte basta uma luz,
e pra você, basta um bom amigo.
com um pouco de espaço e tempo,
viver tudo que ainda não tinha vivido.
E as dores,
desamores,
bebidas,
tudo,
será apenas questão de gosto.
E os teus melhores amigos
te acolherão num bar,
quando nada mais interessa.
E um deles não beberá nada.
Pra ensinar você que o horizonte
não acaba ali.
E você agradecerá.
Será o melhor de tudo,
e quando pensar que tudo está perdido.
Amanhecerá num dia de sol,
com teus olhares renovados,
e agradecerá teu amigo pela companhia.
E as coisas que não faziam mais sentido,
voltarão a fazer.
A vida,
a amizade,
teu amigo dizendo que você pode,
e você pode.
Aí vai se levantar,
e no dia de sol,
céu azul e gaivotas
te farão acreditar que é um novo começo.
Porque é um novo começo,
Agora, amanhã e depois.
E mesmo quando o dia estiver nublado,
será um começo.
E teu amigo, talvez precise de você,
e você não beberá,
pra conforta-lo,
porque pro horizonte basta uma luz,
e pra você, basta um bom amigo.
quinta-feira, 26 de janeiro de 2012
felicidade, segundo e desfecho.
Da felicidade à queda.
Samantha era
feliz, havia arrumado um bom homem, trabalhador, filho de mecânico e doceira,
tinha um sogro pra trocar o pneu de seu carro e uma sogra pra adoçar o
aniversário dos filhos, quando fosse mãe.
Era, por hora,
feliz. Mas não sabia ou previa o que lhe esperava. Alexandre era seu homem,
trabalhador, acordava cedo, chegava tarde, ganhava o suficiente pra
sobreviverem, por culpa do amor, iriam se casar. A casa seria construída em cima da casa dos sogros, um puxadinho sei lá, estas coisas que costumam inventar. E então fizeram, então construíram, casaram-se. Mas o inesperado, aquilo que ela não constatava na solteirice, acontecera. Alexandre era um péssimo amante, trepava mal pra diabo. Então Samantha procurou fora de casa, e alguns meses depois, um amigo que os fizera visita, vira uma carta em cima de uma cômoda, enquanto Alexandre estava por chegar, e lera, constatara que era uma carta de um amante de Samantha, guardou-a, mostrou ao amigo mais tarde e Samantha então, teve seu casamento amputado, ela amava muito Alexandre, mas ela amava ainda mais o sexo bem feito. Dissera-lhe palavras horríveis, Alexandre não tinha reação, e ela dizia: pra você perceber, Alexandre. Tu és mole até quando és corno. Então fizera a vida dele, um inferno, maldissera seu nome por toda a cidade e saiu da casa em busca do amante. Que a desprezou. Pro amante, Samantha também só servia sexualmente. No fundo pra ela, o amante também.
O segundo.
Samanta havia
deixado o trabalho na hora do almoço e ido ao parque passear. Conhecera então
Marcos, e Marcos era miúdo, feio, não tinha graça. Samantha então achara que
talvez, por estes critérios, Marcos trepasse bem. E resolveu tentar. A primeira
vez foi boa, mas Marcos teve que ir embora. Samantha gostava de apanhar, de um
homem que tivesse pegada, e Marcos trepava bem, mas não batia. Não puxava seu
cabelo. Então, depois de alguns meses, quando já, involuntariamente, Samantha
morava com Marcos. Arrumou então um amante. Edson era um homem viril. Tatuado.
Malhava o dia inteiro. Tinha músculos viscosos e Samantha se deliciava com seu
pau. Então largou Marcos e foi morar com Edson.
O terceiro, desfecho.
Samantha não
passava bons dias, tinha um ótimo sexo, mas não tinha um homem que trabalhasse
por ela, para ajuda-la ao menos, teve que começar a trabalhar mais, e, com
isso, cansava-se mais, o sexo não tinha mais tanto prazer.
Certo dia Edson
arrumou uma amante, comia-a sempre. E não procurava mais Samantha em casa.
Samantha infeliz, pregou uma armadilha pro Edson; quando chegasse, o
provocaria, até ele querer come-la. E assim o fez. Pegou-o numa bela armadilha,
Edson socava em Samantha, ela pediu pra ir mais forte, pra bater mais. Ela
queria ficar roxa. Então Edson a pegou, bateu, bateu na cara, na bunda, nas
costas, nas coxas... Ao acordar, Samantha foi até a delegacia mais próxima, prestou queixa. Edson foi procurado pela polícia. Foi preso.
Alguns dias depois, infeliz com a vida e os desamores, Samantha questionara o que procurava. Um clichê absurdo, todo mundo, em todo momento da vida, questiona o que se passa, o por quê dos erros, o por quê das falhas. Samantha então descobrira que o problema não eram os outros, o problema, era seu coração, frio feito gelo seco, ardia e queimava. Samantha então teve uma ideia. Tocou fogo na casa, deitou-se na cama e esperou o fogo, que já ardia a casa, acender seu coração.
quarta-feira, 25 de janeiro de 2012
Tu, és... por favor.
Não, tu não és a demanda do flagelo.
Tu és a minha maior moradia.
Tu não és a chama, tu não queimas,
tu não se apagas dentro de mim.
Não, tu só não és o carinho,
muito menos o desejo.
Tu não és a porção,
muito menos o conteúdo.
Não, tu não és os pés suportando o peso.
Tu não és o ás em detrimento da perda.
Tu não és o jogo,
não, tu não és.
Tu és a alma,
que reluz em brilho na escuridão do meu norte.
Tu és o amor,
que dana e pretere a tristeza.
Tu és essa falta toda de violência.
Tu és e sempre será os planos dos meus filhos.
Tu és o ontem, tu és o amanhã, a ti pertence o agora.
Tu és a folha em seda do meu corpo escrito.
sábado, 21 de janeiro de 2012
Bar, mulher e saudade.
Estávamos os três na mesa do bar. Algumas garrafas de cerveja no canto da parede, aquilo, já era tudo que havíamos tomado, mais conhaque, mais pinga com mel, mais rock’n’roll e uma dúzia de mulheres vazias, como nós. Estávamos bêbados e discutíamos sobre futebol. Não éramos os mais bonitos do bar, muito menos os mais amáveis, mas tinha algo na gente, que ninguém tinha, eu não sei ainda, mas um dia eu descubro.
Karen chega e nos cumprimenta com beijo no rosto, a mim, é mais receptiva, senta no meu colo e me diz ao pé do ouvido: essa noite posso ser tudo que você quiser.
Levanto, a pego pelo cabelo, e dou um beijo quente em sua boca. Ela sorri, diz que vai sofrer, com cara de safada, querendo sofrer e no meio do bar, coloca a mão por dentro da minha calça, pega no meu pau e ainda dizendo ao pé do meu ouvido: quero brincar com ele hoje. E fomos pra minha casa. Tirou um pouco de cocaína do bolso, cheirou. Eu não quis, não era algo que podia arriscar mais. Disse que com a cocaína ficaria mais elétrica, meteria ainda mais, eu já sabia, não era a primeira vez, mas com ela, tudo parecia primeira vez. Ela me dava calafrios. Era uma mulher de um porte intelectual sem medidas, conhecia de tudo, fazia de tudo, era artista plástica, cantava, dançava, rebolava, como nenhuma outra. Eu era apaixonado por aquela mulher. Mas não sabíamos disso, porque tudo que nos apetecia era sexo e não carinho.
Olhei em teus olhos, segurei seus cabelos, joguei-a na cama, arranquei sua roupa, chupei seus peitos, sua boceta, eu enfiei meu pau o mais fundo que podia e gozei dentro dela. Eu queria aquela mulher, eu tive, gozamos como nunca... Acendi um cigarro, ela cheirou outra carreira de cocaína e então, pedi pra ir embora, já era hora. Rasgou meu ‘mulheres’ do Bukowski, ficou emputecida porque pedi pra ir embora, a puxei pelos cabelos joguei na rua e mandei, implorei, pedi, rastejei pra que nunca mais aparecesse. E nunca mais apareceu. Às vezes o álcool não supre a falta de uma boa mulher, nem amigos feios, nem rock’n’roll, nem pinga com mel ou muito menos o conhaque. Claro que não. O álcool não supre os problemas, mas os incomoda. Nos faz preteri-los em detrimento da dor.
Hoje acordei com febre, chamei teu nome três vezes, pedi pra que alguém a ajudasse, Karen. Meus olhos não funcionam mais tão bem e meus ouvidos não te ouviriam se você quisesse pedir pra eu te comer de novo. Meu pulmão continua sangrando, minha tosse é insuportável. Escute: cuide-se. Pare com a droga, arrumAe um homem que não vá te bater por causa de um livro, mas que te ame tanto quanto aquele que o fez. Perdoa-me, baby... Se eu pudesse escolher viver novamente, sob o efeito do Eterno Retorno, eu viveria. Você me foi um prazer.. Toca agora a musica de Gardel, que tanto gostávamos: Cuantas veces embozada, una lagrima assomada, yo no pude contener.
Karen chega e nos cumprimenta com beijo no rosto, a mim, é mais receptiva, senta no meu colo e me diz ao pé do ouvido: essa noite posso ser tudo que você quiser.
Levanto, a pego pelo cabelo, e dou um beijo quente em sua boca. Ela sorri, diz que vai sofrer, com cara de safada, querendo sofrer e no meio do bar, coloca a mão por dentro da minha calça, pega no meu pau e ainda dizendo ao pé do meu ouvido: quero brincar com ele hoje. E fomos pra minha casa. Tirou um pouco de cocaína do bolso, cheirou. Eu não quis, não era algo que podia arriscar mais. Disse que com a cocaína ficaria mais elétrica, meteria ainda mais, eu já sabia, não era a primeira vez, mas com ela, tudo parecia primeira vez. Ela me dava calafrios. Era uma mulher de um porte intelectual sem medidas, conhecia de tudo, fazia de tudo, era artista plástica, cantava, dançava, rebolava, como nenhuma outra. Eu era apaixonado por aquela mulher. Mas não sabíamos disso, porque tudo que nos apetecia era sexo e não carinho.
Olhei em teus olhos, segurei seus cabelos, joguei-a na cama, arranquei sua roupa, chupei seus peitos, sua boceta, eu enfiei meu pau o mais fundo que podia e gozei dentro dela. Eu queria aquela mulher, eu tive, gozamos como nunca... Acendi um cigarro, ela cheirou outra carreira de cocaína e então, pedi pra ir embora, já era hora. Rasgou meu ‘mulheres’ do Bukowski, ficou emputecida porque pedi pra ir embora, a puxei pelos cabelos joguei na rua e mandei, implorei, pedi, rastejei pra que nunca mais aparecesse. E nunca mais apareceu. Às vezes o álcool não supre a falta de uma boa mulher, nem amigos feios, nem rock’n’roll, nem pinga com mel ou muito menos o conhaque. Claro que não. O álcool não supre os problemas, mas os incomoda. Nos faz preteri-los em detrimento da dor.
Hoje acordei com febre, chamei teu nome três vezes, pedi pra que alguém a ajudasse, Karen. Meus olhos não funcionam mais tão bem e meus ouvidos não te ouviriam se você quisesse pedir pra eu te comer de novo. Meu pulmão continua sangrando, minha tosse é insuportável. Escute: cuide-se. Pare com a droga, arrumAe um homem que não vá te bater por causa de um livro, mas que te ame tanto quanto aquele que o fez. Perdoa-me, baby... Se eu pudesse escolher viver novamente, sob o efeito do Eterno Retorno, eu viveria. Você me foi um prazer.. Toca agora a musica de Gardel, que tanto gostávamos: Cuantas veces embozada, una lagrima assomada, yo no pude contener.
quarta-feira, 18 de janeiro de 2012
Sem mim.
Eu não tinha escolha,
tinha que sobressair,
de alguns homens do local,
eu era o mais pervertido e o mais feio.
Ofereci um conhaque,
dois cigarros,
uma moeda pro jukebox.
Aceitou-os prontamente.
Tinha pele branca.
Cabelos negros.
Olhos castanhos.
Um corpo bonito,
peitos pequenos,
bunda arrebitada,
eu imaginava minha mão em sua cintura.
E foi assim.
Depois de tudo que dei,
depois de tudo que ela quis,
eu dei.
E me maltratou,
foi-se embora.
Não com algum homem,
mas sem mim.
tinha que sobressair,
de alguns homens do local,
eu era o mais pervertido e o mais feio.
Ofereci um conhaque,
dois cigarros,
uma moeda pro jukebox.
Aceitou-os prontamente.
Tinha pele branca.
Cabelos negros.
Olhos castanhos.
Um corpo bonito,
peitos pequenos,
bunda arrebitada,
eu imaginava minha mão em sua cintura.
E foi assim.
Depois de tudo que dei,
depois de tudo que ela quis,
eu dei.
E me maltratou,
foi-se embora.
Não com algum homem,
mas sem mim.
quinta-feira, 22 de dezembro de 2011
Homem, beats e correr.
Um homem caminha,
e quase que não da pra acompanha-lo.
Há pessoas sujas no caminho e alguns mendigos.
Com seu violão à espera da nota perfeita no case,
continua a caminhar.
Deus, ele diz, há algumas pessoas famintas,
e ele então, tira seu violão da caixa.
Os pássaros em coral.
As mulheres com suas saias a se levantar.
Os bares com alguns mortos, outros nem tanto.
Mortos e meio-mortos.
Sua mulher corre à beira da praia.
Ele está saudoso.
Eis que surgem algumas notas,
e a musica diz: hey, hey, my, my...
É Neil Young no seu violão semi-acustico.
Um livro do Stendhal dentro da caixa do violão.
Outro de Ferlinghetti.
E ele toca seu violão bem alto.
As pessoas continuam sujas.
As saias das mulheres começam a descer.
Todo mundo sabe,
Todo mundo vê:
que os acordes destoados,
que a desafinação da saudade.
Não tem conserto ali.
E não terá senão, à beira da praia. Correndo acompanhado.
e quase que não da pra acompanha-lo.
Há pessoas sujas no caminho e alguns mendigos.
Com seu violão à espera da nota perfeita no case,
continua a caminhar.
Deus, ele diz, há algumas pessoas famintas,
e ele então, tira seu violão da caixa.
Os pássaros em coral.
As mulheres com suas saias a se levantar.
Os bares com alguns mortos, outros nem tanto.
Mortos e meio-mortos.
Sua mulher corre à beira da praia.
Ele está saudoso.
Eis que surgem algumas notas,
e a musica diz: hey, hey, my, my...
É Neil Young no seu violão semi-acustico.
Um livro do Stendhal dentro da caixa do violão.
Outro de Ferlinghetti.
E ele toca seu violão bem alto.
As pessoas continuam sujas.
As saias das mulheres começam a descer.
Todo mundo sabe,
Todo mundo vê:
que os acordes destoados,
que a desafinação da saudade.
Não tem conserto ali.
E não terá senão, à beira da praia. Correndo acompanhado.
terça-feira, 22 de novembro de 2011
Bichos, falta de arroz e indigencia.
O cachorro chama teu nome, me culpa por você não estar aqui...
... você não foi por minha causa, foi?
Aqueles discos que você levou, foi pra nunca mais voltar?
E se eu pedir, por favor, você os empresta pra eu ter o que escutar?
E aquela louça que está em cima da pia, é de quando?
Agora, o gato, o gato não, o gato culpa a ti.
Ele diz que foi você quem me desdenhou e me submeteu a isso.
E entre conhaques e cervejas, eu respiro essa porra desse cigarro que você deixou.
Mas os livros, aquele Decamerão, o Cartas na Rua, o On The Road, você levou.
Você deixou o livro do Desassossego e o Morangos Mofados.
Às vezes eu faço duas ou três orações e dou um gole no vinho.
As outras vezes eu somente bebo.
E aquele concerto de Mahler, que você gravou pra mim, você tambem levou.
Porra, aí é exagero, você nem gosta de Mahler.
O pássaro tá piando desde quando você bateu a porta,
E o caralho não para de cantar a quinta sinfonia.
Se você tivesse deixado ao menos arroz pronto
esses animais não me fariam sentir tanto sua falta.
Seria pior se você tivesse dado nomes a eles, mas eles não têm nome;
Nem Bukowski tem nome mais.
Mahler tambem não tem mais nome.
E eu tambem não tenho mais.
... você não foi por minha causa, foi?
Aqueles discos que você levou, foi pra nunca mais voltar?
E se eu pedir, por favor, você os empresta pra eu ter o que escutar?
E aquela louça que está em cima da pia, é de quando?
Agora, o gato, o gato não, o gato culpa a ti.
Ele diz que foi você quem me desdenhou e me submeteu a isso.
E entre conhaques e cervejas, eu respiro essa porra desse cigarro que você deixou.
Mas os livros, aquele Decamerão, o Cartas na Rua, o On The Road, você levou.
Você deixou o livro do Desassossego e o Morangos Mofados.
Às vezes eu faço duas ou três orações e dou um gole no vinho.
As outras vezes eu somente bebo.
E aquele concerto de Mahler, que você gravou pra mim, você tambem levou.
Porra, aí é exagero, você nem gosta de Mahler.
O pássaro tá piando desde quando você bateu a porta,
E o caralho não para de cantar a quinta sinfonia.
Se você tivesse deixado ao menos arroz pronto
esses animais não me fariam sentir tanto sua falta.
Seria pior se você tivesse dado nomes a eles, mas eles não têm nome;
Nem Bukowski tem nome mais.
Mahler tambem não tem mais nome.
E eu tambem não tenho mais.
terça-feira, 13 de setembro de 2011
Panquecas.
Era uma boa padaria, ali estava o lugar em que comera minha melhor panqueca desde os dias em que comi a minha primeira panqueca. Voltava lá a cada 15 dias pra saborear o que chamavam de manjar salgado dos deuses incólumes (não digo sexualmente, porque todos se comiam) das antigas civilizações cicládica.
Fui ao balcão, sentei-me, o Ramon que sempre me atendia, não estava lá, eu olhava pros lados pra procurá-lo e o filho da puta não estava lá! Devia estar num daqueles dias de ressaca e dera o cano no serviço. Atendera-me uma mulher bonita, tinha seus olhos negros e um cabelo tão negro quanto, escorrido pelo corpo, como se estivesse a se aproveitar daquele corpo todo.
Perguntei-a onde estava Ramon, ela disse que havia sido morto dias antes, há uns cinco, com um tiro no meio da testa. Assustei-me, Ramon era um bom homem, sempre me servia um conhaque antes da panqueca pra apurar melhor o apetite do grande e magistral prato que preparava com inexplicável dedicação. Ok - disse. Você pode me servir então uma panqueca, com bastante molho. E um copo de conhaque, por favor. Ela sequer sorriu me parecia uma mulher dura. Precisava talvez de um bom pau ou um bom amor, mas não tinha nenhum dos dois pra servi-la. A panqueca chegou; o conhaque já havia descido, já não queimava mais ou provocava gosto algum. Se com o conhaque havia sido daquela forma, imaginei a panqueca, mas arrisquei. É, era como eu imaginava, não era mais a panqueca do Ramon e agora, havia aquela moça linda ali, a fitar minhas garfadas, com tamanha pretensão, como que se tivesse nojo do ímpeto de minha boca a devorar insanamente aquela panqueca sem gosto e sem vida, o gosto da panqueca - o que podemos chamar de alma - havia morrido junto com o Ramon, ficara somente a massa - que podemos chamar de corpo, que, indolente, não sanava nada alem da fome física.
E eu estava perdido, porque ali, diante dos meus olhos, estava uma prova de Rubem Alves a dizer: É na morte que mora a saudade. - E enfim, eu estava saudoso da panqueca de Ramon que sua morte a alma levara. Levantei, paguei a conta, pedi duas garrafas de conhaque e aquela noite, fora a primeira, de outras tantas que bebi por dor da morte. O conhaque, as panquecas, as mulheres, a morte me levara vários gostos. Alguns que jamais voltaram. A morte já não me preocupava mais, o que me preocupava, era onde agora, me instalaria à procura de algum gosto pra sanar a necessidade de minha alma. Meu gosto também estava sumindo e as pessoas já não se importavam, procuravam outros. Aquela moça não me fitou a fim de sexo ou à procura de amor. Um brinde agora, a mim tambem.
Fui ao balcão, sentei-me, o Ramon que sempre me atendia, não estava lá, eu olhava pros lados pra procurá-lo e o filho da puta não estava lá! Devia estar num daqueles dias de ressaca e dera o cano no serviço. Atendera-me uma mulher bonita, tinha seus olhos negros e um cabelo tão negro quanto, escorrido pelo corpo, como se estivesse a se aproveitar daquele corpo todo.
Perguntei-a onde estava Ramon, ela disse que havia sido morto dias antes, há uns cinco, com um tiro no meio da testa. Assustei-me, Ramon era um bom homem, sempre me servia um conhaque antes da panqueca pra apurar melhor o apetite do grande e magistral prato que preparava com inexplicável dedicação. Ok - disse. Você pode me servir então uma panqueca, com bastante molho. E um copo de conhaque, por favor. Ela sequer sorriu me parecia uma mulher dura. Precisava talvez de um bom pau ou um bom amor, mas não tinha nenhum dos dois pra servi-la. A panqueca chegou; o conhaque já havia descido, já não queimava mais ou provocava gosto algum. Se com o conhaque havia sido daquela forma, imaginei a panqueca, mas arrisquei. É, era como eu imaginava, não era mais a panqueca do Ramon e agora, havia aquela moça linda ali, a fitar minhas garfadas, com tamanha pretensão, como que se tivesse nojo do ímpeto de minha boca a devorar insanamente aquela panqueca sem gosto e sem vida, o gosto da panqueca - o que podemos chamar de alma - havia morrido junto com o Ramon, ficara somente a massa - que podemos chamar de corpo, que, indolente, não sanava nada alem da fome física.
E eu estava perdido, porque ali, diante dos meus olhos, estava uma prova de Rubem Alves a dizer: É na morte que mora a saudade. - E enfim, eu estava saudoso da panqueca de Ramon que sua morte a alma levara. Levantei, paguei a conta, pedi duas garrafas de conhaque e aquela noite, fora a primeira, de outras tantas que bebi por dor da morte. O conhaque, as panquecas, as mulheres, a morte me levara vários gostos. Alguns que jamais voltaram. A morte já não me preocupava mais, o que me preocupava, era onde agora, me instalaria à procura de algum gosto pra sanar a necessidade de minha alma. Meu gosto também estava sumindo e as pessoas já não se importavam, procuravam outros. Aquela moça não me fitou a fim de sexo ou à procura de amor. Um brinde agora, a mim tambem.
quinta-feira, 8 de setembro de 2011
à sua morte, Léo!
E então você se foi, cara.
Você morreu.
Você era um homem duro.
Mas morreu homem.
Você era frágil, às vezes.
Isso te infantilizava.
Agora há uma criança aqui,
Que chora ensandecida.
Como se quisesse questionar algo,
E se você estivesse aqui,
Me perguntaria o por quê
Dela chorar assim.
E afloraria seu lado criança.
E eu não saberia responder,
Porque só vocês dois têm
A velha afinidade das crianças,
De querer saber o choro do outro,
Inocentemente a fim de curar a dor.
Mas você não está.
A criança continua a chorar.
E eu espero que você tenha ido,
Não por acreditar em um lugar melhor,
Não, você não era tão criança assim.
E se foi por isso,
Eu juro, que nunca mais,
Pago aquela pinga com mel
Quando te vir novamente.
E aquele velho abraço,
Com um beijo no rosto.
Fará falta.
Assim como sua dureza.
Que impunha na gente
Um pouco de vivacidade.
Você morreu.
Você era um homem duro.
Mas morreu homem.
Você era frágil, às vezes.
Isso te infantilizava.
Agora há uma criança aqui,
Que chora ensandecida.
Como se quisesse questionar algo,
E se você estivesse aqui,
Me perguntaria o por quê
Dela chorar assim.
E afloraria seu lado criança.
E eu não saberia responder,
Porque só vocês dois têm
A velha afinidade das crianças,
De querer saber o choro do outro,
Inocentemente a fim de curar a dor.
Mas você não está.
A criança continua a chorar.
E eu espero que você tenha ido,
Não por acreditar em um lugar melhor,
Não, você não era tão criança assim.
E se foi por isso,
Eu juro, que nunca mais,
Pago aquela pinga com mel
Quando te vir novamente.
E aquele velho abraço,
Com um beijo no rosto.
Fará falta.
Assim como sua dureza.
Que impunha na gente
Um pouco de vivacidade.
terça-feira, 30 de agosto de 2011
Poema de morte e vida.
E aconteceu,
Como num começo, meio e fim,
De um maldito conto de fadas.
O maldito que,
Você se vai.
O príncipe fica.
E você diz que ama.
O Príncipe também.
E não há o que fazer.
A história da melancolia
envolve todos os romances.
O conto de carochinha,
O conto da vovó.
A Bíblia.
Seu deus,
Os deuses.
Todos se vão.
Tudo há de morrer.
Mas neste momento,
Esta lágrima vive.
E este homem ama
o que há de morrer.
Como num começo, meio e fim,
De um maldito conto de fadas.
O maldito que,
Você se vai.
O príncipe fica.
E você diz que ama.
O Príncipe também.
E não há o que fazer.
A história da melancolia
envolve todos os romances.
O conto de carochinha,
O conto da vovó.
A Bíblia.
Seu deus,
Os deuses.
Todos se vão.
Tudo há de morrer.
Mas neste momento,
Esta lágrima vive.
E este homem ama
o que há de morrer.
sexta-feira, 26 de agosto de 2011
Dói bulir o desespero.
Tá doendo dessa vez, garotinha. E não é a dor que você está acostumada a ver bulir os meus pulmões. É uma dor nova, você entende? Aquela que quando eu estou prestes a te falar, a tosse, dessa dor do pulmão que você está acostumada a ver bulir-me, me contrai - e eu não falo. Eu não falo. Você foi embora há algumas horas e é como se eu estivesse te sentindo ainda viva. Não que você tenha morrido, entende? Mas eu acho que só lhe veria outra vez após isso que chamamos de vida, ou não, estas coisas costumam nos surpreender, não é? E eu tambem tomei um café hoje que me queimou a língua, eu juro, que imaginei-o conhaque e virei de uma só vez. Não foi involuntariamente como o seu café. Era como se eu esperasse a sua volta numa boda. E foi insípido, mas quente. Não era álcool, nem café, era esperança. O que me queimou a língua como se estivesse ansioso feito o diabo; era esperança.
Estou ansioso pra chegar em casa, e quem sabe, ainda ter a fé, de ter você a me esperar. Mas eu sei, que a fé em algo inexistente, pode expurgar a razão. Estou tão burro diante desse sentimento. Que acho que estou prestes a cometer algum erro. Me declarar, talvez. Ou comprar doces. Chocolates. Me empanturrar de álcool com algum doce. Meu bem, você me acometeu loucuras, estou viciado em doces, porque, confesso, eu não conhecia nada, alem do ázimo da vida. Essa coisa sem gosto e fastienta que me levava à loucura da solidão. Há um pouco de consenso ainda, eu acho que há, porque eu ainda lembro seu nome. Mas o engraçado, é que fora de ti, não há nada tão virtuoso. Nem pasteis de calabresa têm mais o mesmo sabor.
Não que eles fossem iguaria, mas pastéis de calabresa, sempre, em qualquer lugar que fosse, tinham o mesmo sabor. Você passa dias a fio imaginando, que, agora, precisa de uma boa pastelaria, não passa? É. Não passa. Pastéis de calabresa, agora, ou sempre, pouco importam. Eu te desejo sorte, mas não muita, pra que não me esqueça, entende? É preciso um pouco de desventura pra ter-me dentro de você. E cuidado com os carros, eles são sempre traiçoeiros. Se eu pedir pra você voltar, você volta? Claro que não. Por que estou rastejando nestes sintomas todos se eu não sei nem o que você despeja sobre este chão? E se eu pedir pra você voltar, você volta? Talvez. Se os dias tiverem, aos cuidados dos momentos que passamos, talvez. Mas saiba, não será sempre assim. Não lhe farei poemas todos os dias. E nem assistirei sempre os teus filmes. Eu preciso de solidão, às vezes, entende? Eu preciso evoluir e a minha solidão é a minha forma de sinapse; absorvo sempre, minha inteligência, quando paro e me reconheço. Mas eu posso olhar sempre nos teus olhos, beijar sempre seus seios e alisar tuas costas. Eu prometo, e confesso, que é uma das coisas que me fez apaixonar, suas costas são lindas. Eu preciso parar de falar, minha língua queimada ainda dói. Dói não. Arde. O que dói. Não é a dor que você está acostumada a ver bulir os meus pulmões. É uma dor nova, agora você entende. Pressuposto desespero. Um beijo. E felicidades.
Estou ansioso pra chegar em casa, e quem sabe, ainda ter a fé, de ter você a me esperar. Mas eu sei, que a fé em algo inexistente, pode expurgar a razão. Estou tão burro diante desse sentimento. Que acho que estou prestes a cometer algum erro. Me declarar, talvez. Ou comprar doces. Chocolates. Me empanturrar de álcool com algum doce. Meu bem, você me acometeu loucuras, estou viciado em doces, porque, confesso, eu não conhecia nada, alem do ázimo da vida. Essa coisa sem gosto e fastienta que me levava à loucura da solidão. Há um pouco de consenso ainda, eu acho que há, porque eu ainda lembro seu nome. Mas o engraçado, é que fora de ti, não há nada tão virtuoso. Nem pasteis de calabresa têm mais o mesmo sabor.
Não que eles fossem iguaria, mas pastéis de calabresa, sempre, em qualquer lugar que fosse, tinham o mesmo sabor. Você passa dias a fio imaginando, que, agora, precisa de uma boa pastelaria, não passa? É. Não passa. Pastéis de calabresa, agora, ou sempre, pouco importam. Eu te desejo sorte, mas não muita, pra que não me esqueça, entende? É preciso um pouco de desventura pra ter-me dentro de você. E cuidado com os carros, eles são sempre traiçoeiros. Se eu pedir pra você voltar, você volta? Claro que não. Por que estou rastejando nestes sintomas todos se eu não sei nem o que você despeja sobre este chão? E se eu pedir pra você voltar, você volta? Talvez. Se os dias tiverem, aos cuidados dos momentos que passamos, talvez. Mas saiba, não será sempre assim. Não lhe farei poemas todos os dias. E nem assistirei sempre os teus filmes. Eu preciso de solidão, às vezes, entende? Eu preciso evoluir e a minha solidão é a minha forma de sinapse; absorvo sempre, minha inteligência, quando paro e me reconheço. Mas eu posso olhar sempre nos teus olhos, beijar sempre seus seios e alisar tuas costas. Eu prometo, e confesso, que é uma das coisas que me fez apaixonar, suas costas são lindas. Eu preciso parar de falar, minha língua queimada ainda dói. Dói não. Arde. O que dói. Não é a dor que você está acostumada a ver bulir os meus pulmões. É uma dor nova, agora você entende. Pressuposto desespero. Um beijo. E felicidades.
quarta-feira, 3 de agosto de 2011
Fada, foda-se, Téo e sinfonias.
Havia chegado em casa não muito bem,
Havia bebidas, bêbado.
Coloquei a terceira do Mahler.
Era uma história incrível.
Via pássaros coloridos,
uma fada verde, nua.
Ela havia vindo me visitar.
Queria o terceiro movimento,
da oitava do Dvorak...
Tananãaaaa, ta nanã, tannãaaa...
e segurava minha mão direita.
quase que valsávamos.
os tambores rugiam.
e tananãaaa, ta nanã, tannãaaa...
meu deus, não me lembro ao certo o que bebi.
trepamos a noite toda, em pé.
ouvindo Mahler e Dvorak.
Ou deus não existia,
ou estava muito ocupado.
porque qualquer um daria tudo pra estar no meu lugar.
E pela manhã, a fada ainda estava lá.
Não era bem uma fada.
a maquiagem estava borrada.
a musica me doía a cabeça.
a ideia de ter uma mulher, atormentava.
coloquei minha roupa.
Levantei. "Vou ao bar."
E quando voltei.
Lágrimas nos lençóis.
Batom no espelho:
"foda-se, Téo" estava concretizado meu conto de fadas.
Havia bebidas, bêbado.
Coloquei a terceira do Mahler.
Era uma história incrível.
Via pássaros coloridos,
uma fada verde, nua.
Ela havia vindo me visitar.
Queria o terceiro movimento,
da oitava do Dvorak...
Tananãaaaa, ta nanã, tannãaaa...
e segurava minha mão direita.
quase que valsávamos.
os tambores rugiam.
e tananãaaa, ta nanã, tannãaaa...
meu deus, não me lembro ao certo o que bebi.
trepamos a noite toda, em pé.
ouvindo Mahler e Dvorak.
Ou deus não existia,
ou estava muito ocupado.
porque qualquer um daria tudo pra estar no meu lugar.
E pela manhã, a fada ainda estava lá.
Não era bem uma fada.
a maquiagem estava borrada.
a musica me doía a cabeça.
a ideia de ter uma mulher, atormentava.
coloquei minha roupa.
Levantei. "Vou ao bar."
E quando voltei.
Lágrimas nos lençóis.
Batom no espelho:
"foda-se, Téo" estava concretizado meu conto de fadas.
terça-feira, 26 de julho de 2011
ônibus, ressaca e sobrevivência.
Ônibus cheio, me sinto estranho a tudo, não há um rosto que me identifique. Uma ressaca brava, plena terça-feira, gente chata, muito barulho e um pulmão que não me deixa em paz. Uma tosse. E o sangue...
- moço, tudo bem contigo?
- tudo bem.
- não é o que parece.
- então sua pergunta tinha que ser outra.
- então; você precisa de ajuda, moço?
- não, obrigado.
- mas moço, você tossiu e sangrou.
- eu sei, estou doente dos pulmões e nãos dos olhos.
- que ignorante você é.
- oh, sinto muito.
Quando levanto os olhos, me surpreendo, ela tem olhos de coruja, me roubam o sentido, fico alguns segundo sem saber o que falar e por fim digo:
- é só a ressaca.
- mas moço, hoje é terça-feira, você foi beber na segunda?
- não há dia pros problemas aparecerem, menina. Os problemas estão aí, soltos no ar, você pode respirá-los e de repente vem um dos grandes e você não tem como se salvar. O álcool é anestesia porque a vida é um processo dolorido.
- então o problema que você respirou lhe fez muito mal, viu? Há muito sangue saindo daí.
Sorri, não havia outra forma de reagir àquela que se preocupara comigo em anos. Tinha um belo cabelo, parecia que um dia tombariam, patrimônio histórico, jamais vira algo igual antes... Vestia uma blusa branca, seu decote era qualquer coisa como: oh, céus. Deus está ali dentro. Tinha um sorriso acanhado, mesmo pela situação ela sorria; talvez de nervoso.
- Qual seu nome?
- Téo.
- prazer, Janaína.
- tive tantas janaínas na minha vida e todas problemáticas. Você me parece ser mais uma.
- não se preocupe, não farei parte da sua vida, Téo.
- Ok, Janaína. Pode me emprestar seu lenço?
Deu-me seu lenço, eu ardia em febre, era chegada minha hora, hora de descer. Então acenei com a cabeça, ela retribuiu... ... era a segunda vez que eu havia perdido o amor, em um mês! Havia sobrevivido há varias mortes, inclusive a do amor.
- moço, tudo bem contigo?
- tudo bem.
- não é o que parece.
- então sua pergunta tinha que ser outra.
- então; você precisa de ajuda, moço?
- não, obrigado.
- mas moço, você tossiu e sangrou.
- eu sei, estou doente dos pulmões e nãos dos olhos.
- que ignorante você é.
- oh, sinto muito.
Quando levanto os olhos, me surpreendo, ela tem olhos de coruja, me roubam o sentido, fico alguns segundo sem saber o que falar e por fim digo:
- é só a ressaca.
- mas moço, hoje é terça-feira, você foi beber na segunda?
- não há dia pros problemas aparecerem, menina. Os problemas estão aí, soltos no ar, você pode respirá-los e de repente vem um dos grandes e você não tem como se salvar. O álcool é anestesia porque a vida é um processo dolorido.
- então o problema que você respirou lhe fez muito mal, viu? Há muito sangue saindo daí.
Sorri, não havia outra forma de reagir àquela que se preocupara comigo em anos. Tinha um belo cabelo, parecia que um dia tombariam, patrimônio histórico, jamais vira algo igual antes... Vestia uma blusa branca, seu decote era qualquer coisa como: oh, céus. Deus está ali dentro. Tinha um sorriso acanhado, mesmo pela situação ela sorria; talvez de nervoso.
- Qual seu nome?
- Téo.
- prazer, Janaína.
- tive tantas janaínas na minha vida e todas problemáticas. Você me parece ser mais uma.
- não se preocupe, não farei parte da sua vida, Téo.
- Ok, Janaína. Pode me emprestar seu lenço?
Deu-me seu lenço, eu ardia em febre, era chegada minha hora, hora de descer. Então acenei com a cabeça, ela retribuiu... ... era a segunda vez que eu havia perdido o amor, em um mês! Havia sobrevivido há varias mortes, inclusive a do amor.
terça-feira, 19 de julho de 2011
Carol, amor e Beethô!
Era um conhaque que eu havia pedido, e ela não estava lá ainda, virei o copo, abaixei a cabeça; tinha dores, senti como se tivesse apagado. Ouvi o barulho da porta do bar, desconexa, andava feito uma maluca, um corpo lindo, magra, olhos claros, cabelos lisos, curtos, uma bunda redonda, uma camiseta azul, de linha-não-sei-o-quê que dava pra ver seus mamilos, negros, à flor da pele. Eu ainda estava vivo e sentia-me vivo.
Sentou ao meu lado, mas não porque queria conversar comigo, o bar estava cheio, pediu uma vodca com soda, tomou em um só gole, não era deus quem estava ali, também não era o diabo, seria sacanagem. Levantou-se pra ir embora o garçom pediu o dinheiro, ela disse: ah, anota na conta desse bêbado aí. E apontou pra mim. Segurei-a pelo braço e disse que eu não pagava bebidas pra vagabundas, me deu um tapa na cara, segurei-a junto ao meu corpo, olhei em teus olhos e disse: vamos pra minha casa. Ela não hesitou, lógico, afinal, eu pagaria a conta.
Chegando a casa, eu queria ouvir Beethô, ela disse que queria ouvir Placebo. Eu queria trepar, ela queria beber. Eu nunca sabia ao certo o que as mulheres queriam e ainda diziam que eu era egoísta. Eu não era egoísta. Não sou.
Contou-me que era casada, que não largaria o rapaz pra ficar com qualquer homem. Você pode passar a vida procurando mulheres e nunca encontrará a certa. Um dia a correta lhe encontrará e não será mais a certa pra você! Você pode passar a vida sonhando com olhos azuis, bunda redonda, cabelo liso, curto, mas ao final, jamais terminará com seu sonho. O sonho dura uma noite a realidade dura o tempo todo, e é nela que esta a dor. Você pode sonhar com anjos, gaivotas, passeios nos parques de mãos dadas, comendo pipocas, vestidos longos, festas, bailes, tangos, amor. Mas sempre terminará com mendigos, pombos, praça da sé, pastores em pregação e uma puta queimação no estômago por causa do lanche barato.
Carol, Carol era seu nome, aliás, não era, mas era assim que eu gostava de chama-la. Das milhares de mulheres que apelidei até hoje, nenhuma era Carol, e Carol me excitava. Tirei o pau pra fora e ela não quis mais saber. Tirou Placebo do Play e foi se dirigindo à porta. Abriu, fechou e ouvi seus passos escada abaixo. Coloquei Beethô dessa vez, a terceira, explodiu dentro de mim um big bang, minutos depois a dor, horas depois o vazio e quando acordei, febril, lábios rachados e dizia insistentemente: Ah, como te amei, Carol. A terceira sinfonia já não rolava mais, não havia mais mulher – era assim toda vez. E meu zíper não fechava mais. Era um pau à espera da companheira perfeita. Mas agora, era meu coração quem dava falta.
Sentou ao meu lado, mas não porque queria conversar comigo, o bar estava cheio, pediu uma vodca com soda, tomou em um só gole, não era deus quem estava ali, também não era o diabo, seria sacanagem. Levantou-se pra ir embora o garçom pediu o dinheiro, ela disse: ah, anota na conta desse bêbado aí. E apontou pra mim. Segurei-a pelo braço e disse que eu não pagava bebidas pra vagabundas, me deu um tapa na cara, segurei-a junto ao meu corpo, olhei em teus olhos e disse: vamos pra minha casa. Ela não hesitou, lógico, afinal, eu pagaria a conta.
Chegando a casa, eu queria ouvir Beethô, ela disse que queria ouvir Placebo. Eu queria trepar, ela queria beber. Eu nunca sabia ao certo o que as mulheres queriam e ainda diziam que eu era egoísta. Eu não era egoísta. Não sou.
Contou-me que era casada, que não largaria o rapaz pra ficar com qualquer homem. Você pode passar a vida procurando mulheres e nunca encontrará a certa. Um dia a correta lhe encontrará e não será mais a certa pra você! Você pode passar a vida sonhando com olhos azuis, bunda redonda, cabelo liso, curto, mas ao final, jamais terminará com seu sonho. O sonho dura uma noite a realidade dura o tempo todo, e é nela que esta a dor. Você pode sonhar com anjos, gaivotas, passeios nos parques de mãos dadas, comendo pipocas, vestidos longos, festas, bailes, tangos, amor. Mas sempre terminará com mendigos, pombos, praça da sé, pastores em pregação e uma puta queimação no estômago por causa do lanche barato.
Carol, Carol era seu nome, aliás, não era, mas era assim que eu gostava de chama-la. Das milhares de mulheres que apelidei até hoje, nenhuma era Carol, e Carol me excitava. Tirei o pau pra fora e ela não quis mais saber. Tirou Placebo do Play e foi se dirigindo à porta. Abriu, fechou e ouvi seus passos escada abaixo. Coloquei Beethô dessa vez, a terceira, explodiu dentro de mim um big bang, minutos depois a dor, horas depois o vazio e quando acordei, febril, lábios rachados e dizia insistentemente: Ah, como te amei, Carol. A terceira sinfonia já não rolava mais, não havia mais mulher – era assim toda vez. E meu zíper não fechava mais. Era um pau à espera da companheira perfeita. Mas agora, era meu coração quem dava falta.
quarta-feira, 13 de julho de 2011
bolas de gude, amores platônicos e mulheres.
Primeiro veio o conhecimento, às vezes, na minha infância, a busca pela alquimia se resumia a muito pouco. E muito pouco era quase tudo que eu precisava. Você não precisa de muita coisa pra ser sábio, basta saber, antes dos outros, o que eles querem. E o fato de eu não ser muito bom no convívio social fez com que eu observasse muito, aprendendo muito, e não perdendo tempo em falar de tudo que não tivesse sentido, na sua infância, nada faz sentido, nada alem de quantas bolinhas tens no teu pote ou quantos amores platônicos você coleciona.
É preciso um pouco de maturidade e absorção do divino pra lidar com as criaturas que você emborca. Mulheres de ponta-cabeça; era tudo isso que tinha no meu paladar adolescente, todas elas abaixo da minha cintura, desnivelando o poder democrático que elas buscavam.
No amor, nada acontecia, a falta do mesmo convívio social me fazia quieto demais, inseguro demais, as pessoas sempre me assustavam, as pessoas eram, desde sempre, o bicho que eu mais temia. Ver os amiguinhos pra cima e pra baixo com as meninas mais bonitas do colégio, tambem me causava repulsa. Inveja, talvez. Inveja não, ciúmes. Desde o começo eu sempre quis que todas as mulheres fossem minhas.
Lidou com as mulheres desde a minha infância. eu precisava despistar minha mãe e minha irmã pra sair pra rua em busca de pipas, bolas de gude e futebol. Não correria atrás de nada disso, se eu soubesse que as amigas da minha irmã eram as mais gostosas diversões entre o céu e a terra. Mas eu era muito jovem, talvez eu fosse muito jovem mesmo pra suportar as mulheres. Hoje continuo isolado, com ciumes de alguns caras, e ainda mais jovem pra suportar alguem. Inclua-se nisso. Bolas de gude, amores platônicos e mulheres, não se suporta isso por muito tempo!
É preciso um pouco de maturidade e absorção do divino pra lidar com as criaturas que você emborca. Mulheres de ponta-cabeça; era tudo isso que tinha no meu paladar adolescente, todas elas abaixo da minha cintura, desnivelando o poder democrático que elas buscavam.
No amor, nada acontecia, a falta do mesmo convívio social me fazia quieto demais, inseguro demais, as pessoas sempre me assustavam, as pessoas eram, desde sempre, o bicho que eu mais temia. Ver os amiguinhos pra cima e pra baixo com as meninas mais bonitas do colégio, tambem me causava repulsa. Inveja, talvez. Inveja não, ciúmes. Desde o começo eu sempre quis que todas as mulheres fossem minhas.
Lidou com as mulheres desde a minha infância. eu precisava despistar minha mãe e minha irmã pra sair pra rua em busca de pipas, bolas de gude e futebol. Não correria atrás de nada disso, se eu soubesse que as amigas da minha irmã eram as mais gostosas diversões entre o céu e a terra. Mas eu era muito jovem, talvez eu fosse muito jovem mesmo pra suportar as mulheres. Hoje continuo isolado, com ciumes de alguns caras, e ainda mais jovem pra suportar alguem. Inclua-se nisso. Bolas de gude, amores platônicos e mulheres, não se suporta isso por muito tempo!
quarta-feira, 6 de julho de 2011
tristes, lugares, tristes.
E eu continuo esperando que haja alguem em algum lugar nesse maldito mundo que não seja apenas um desgraçado. Preciso encontrar alguem que me dê força pra continuar e continuar tem sido desastroso. Não há nada pior que acordar às 04:30 da manhã de todos os dias pra ir a um lugar onde há trabalho, acompanhado de fascistas idiotas que lutam por seus empregos subalternos, lisonjeados pela desgraça e despudores. Há tanta gente perdida em seus postos, há tanta maldade em suas cabeças, que ao sair vivo e sem uma discussão é motivo de vitória sobrenatural.
Não se pode cogitar chegar bem ao final de sua vida, se não estiver acompanhado de um bom uísque, uma boa boceta e um bom cigarro. Um livro de poemas, algumas boas musicas e uns três amigos são essenciais tambem pra sobrevida.
Ando vivendo com uns modos cognitivos, não que a vida precisa ter sentido o tempo todo e não que você estará lá toda vez que eu precisar de alguém pra meter o pé na porta. Eu não preciso de você pra meter o pé na porta pra mim, não sou chegado a companhias. Ando sozinho, livre da represália de idiotas tentando apontar caminhos. E não é que eu esteja desesperado, mas é que pode ser até bom viver, mas é tão difícil ser humano.
Vou caminhando, passo a passo, livre, liberto, em bares sujos, zonas repletas de mulheres mortas, mas mais vivas que as empresárias do seu setor fétido, onde há gente grunhindo e matando-te o tempo todo. Ando por aí, praças sem vilões, sem palcos, com garrafas jogadas, vazias – veja, não estamos tão diferentes.
Talvez o fato de eu frequentar tais lugares, lugares algures, sem pretensões, livres da luxuosidade de seus restaurantes, lugares tristes, isso, lugares tristes, seja pelo fato de eu me reconhecer em lugares tristes. Sejam quais forem os lugares tristes, estou lá. Apto a vivê-lo.
Não se pode cogitar chegar bem ao final de sua vida, se não estiver acompanhado de um bom uísque, uma boa boceta e um bom cigarro. Um livro de poemas, algumas boas musicas e uns três amigos são essenciais tambem pra sobrevida.
Ando vivendo com uns modos cognitivos, não que a vida precisa ter sentido o tempo todo e não que você estará lá toda vez que eu precisar de alguém pra meter o pé na porta. Eu não preciso de você pra meter o pé na porta pra mim, não sou chegado a companhias. Ando sozinho, livre da represália de idiotas tentando apontar caminhos. E não é que eu esteja desesperado, mas é que pode ser até bom viver, mas é tão difícil ser humano.
Vou caminhando, passo a passo, livre, liberto, em bares sujos, zonas repletas de mulheres mortas, mas mais vivas que as empresárias do seu setor fétido, onde há gente grunhindo e matando-te o tempo todo. Ando por aí, praças sem vilões, sem palcos, com garrafas jogadas, vazias – veja, não estamos tão diferentes.
Talvez o fato de eu frequentar tais lugares, lugares algures, sem pretensões, livres da luxuosidade de seus restaurantes, lugares tristes, isso, lugares tristes, seja pelo fato de eu me reconhecer em lugares tristes. Sejam quais forem os lugares tristes, estou lá. Apto a vivê-lo.
terça-feira, 28 de junho de 2011
sonho, leite e lambidas.
essa noite tive um sonho,
e não foi um sonho qualquer.
eu era um gato,
que lambia meu rabo por muito tempo,
e dormia por muito tempo.
e vc havia me deixado,
a vizinha me dava comida de gato,
como é ruim comida de gato.
não me lembro de gostar de Wagner,
ela colocava uma música tão chata do apartamento dela,
era engraçado que agora eu ouvia com mais nitidez.
eu odiava ser um gato,
vc sabe que eu jamais gostei de gatos,
não gosto de bichos, cacete.
Por que vc me deixou quando eu mais precisei de você?
E você não voltava,
passava dias a fio,
e me lembro que a única coisa que me identificava enquanto ser humano,
era odiar leite.
eu era um gato que odiava leite.
E a minha barba de gato, fazia cócegas no meu rabo.
Porra, você foi embora e não era o meu rabo que eu queria lamber.
Eu tava doido pra ouvir Dvorak, eu era um gato romântico, cara.
Mas quando eu pedia Dvorak, surgia um miau desconsertante.
Tinha pêlos vermelhos, mas não era um ruivo ativo, era talvez adicto.
E você havia saído pela porta da frente, era o que me contara a vizinha;
Ela pensava que eu era só um gato e ficava me contando da vida imunda,
sua e dela.
E você não voltou, por meses ela reclamou que você não pagou os aluguéis que devia.
E quando eu cagava fora da caixinha, ela me xingava e te xingava,
que você deixou pra trás, alem de dívida, um gato filho-da-puta.
E eu fiquei velho, barrigudo e cri-cri...
Ela não me dava mais comida de gato,
e nem pensava em você como devedora.
Aí não precisava mais de você!
Ela dividia o almoço e às vezes eu tomava a cerveja que ela deixava no chão.
Já bêbada, ia dormir e eu lambia o rabo dela.
aí você me acordou, com um beijo de bom dia. E eu te odiei pro resto da vida.
e não foi um sonho qualquer.
eu era um gato,
que lambia meu rabo por muito tempo,
e dormia por muito tempo.
e vc havia me deixado,
a vizinha me dava comida de gato,
como é ruim comida de gato.
não me lembro de gostar de Wagner,
ela colocava uma música tão chata do apartamento dela,
era engraçado que agora eu ouvia com mais nitidez.
eu odiava ser um gato,
vc sabe que eu jamais gostei de gatos,
não gosto de bichos, cacete.
Por que vc me deixou quando eu mais precisei de você?
E você não voltava,
passava dias a fio,
e me lembro que a única coisa que me identificava enquanto ser humano,
era odiar leite.
eu era um gato que odiava leite.
E a minha barba de gato, fazia cócegas no meu rabo.
Porra, você foi embora e não era o meu rabo que eu queria lamber.
Eu tava doido pra ouvir Dvorak, eu era um gato romântico, cara.
Mas quando eu pedia Dvorak, surgia um miau desconsertante.
Tinha pêlos vermelhos, mas não era um ruivo ativo, era talvez adicto.
E você havia saído pela porta da frente, era o que me contara a vizinha;
Ela pensava que eu era só um gato e ficava me contando da vida imunda,
sua e dela.
E você não voltou, por meses ela reclamou que você não pagou os aluguéis que devia.
E quando eu cagava fora da caixinha, ela me xingava e te xingava,
que você deixou pra trás, alem de dívida, um gato filho-da-puta.
E eu fiquei velho, barrigudo e cri-cri...
Ela não me dava mais comida de gato,
e nem pensava em você como devedora.
Aí não precisava mais de você!
Ela dividia o almoço e às vezes eu tomava a cerveja que ela deixava no chão.
Já bêbada, ia dormir e eu lambia o rabo dela.
aí você me acordou, com um beijo de bom dia. E eu te odiei pro resto da vida.
segunda-feira, 13 de junho de 2011
Amor é afronte.
Talvez você não precise entender nada, porque na verdade, a busca pela resposta é sempre mais dolorida. A ilusão da busca, meu bem, ou das crenças de poemas de amor, faz com que você acabe acreditando em qualquer caráter e não são todos que estão dispostos a lhe ajudar com a dor da esperança ilusória, eu sou um deles.
Vista seus sapatos, primeiro calce as meias, há de ter bolhas caso não vista, entenda que você fica frágil demais nestas situações e isso pode ser perigoso. Calce duas, não dê sorte ao azar.
Entenda, por vez, que é necessário pensar, não deixo o amor ser afronte à sua inteligência, o amor é um afronte à inteligência de todos, olhe ao seu redor, que usa a porra do cérebro quando ama? Pense que não, há tantos paus imaculando por aí, há tantos filhos surgindo de amores bizarros, e quem pensa em ter filhos quando se usa o cérebro, quando sabemos que não há divindade lá, quando forem depositar seus restos mortais?
Talvez você só precise entender que os poemas de amor são escritos na ilusão. Por isso não têm valia. Ou você escreve pela loucura ou pela esperança. A ilusão é só uma forma de chegar mais perto do divino. E não há divindidade lá; onde você deposita seus restos mortais.
Vista seus sapatos, primeiro calce as meias, há de ter bolhas caso não vista, entenda que você fica frágil demais nestas situações e isso pode ser perigoso. Calce duas, não dê sorte ao azar.
Entenda, por vez, que é necessário pensar, não deixo o amor ser afronte à sua inteligência, o amor é um afronte à inteligência de todos, olhe ao seu redor, que usa a porra do cérebro quando ama? Pense que não, há tantos paus imaculando por aí, há tantos filhos surgindo de amores bizarros, e quem pensa em ter filhos quando se usa o cérebro, quando sabemos que não há divindade lá, quando forem depositar seus restos mortais?
Talvez você só precise entender que os poemas de amor são escritos na ilusão. Por isso não têm valia. Ou você escreve pela loucura ou pela esperança. A ilusão é só uma forma de chegar mais perto do divino. E não há divindidade lá; onde você deposita seus restos mortais.
terça-feira, 10 de maio de 2011
à espera!
Pode haver um absurdo quando você começa a questionar a vida, mas jamais haverá absurdo se você continuar com a mesma ideia depois de um tempo. Você pode simplesmente apagar suas dúvidas por um funcionamento correto do cérebro, ou você pode, carinhosamente dizer: ah, que besta que sou ao questionar algo tão perfeito! E você vai passando etapas, enfrentando barreiras, pensando que é sua fé em algo que lhe faz caminhar, mas não. Não é sua fé. Quando sua mulher vai embora, quando seu homem chega bêbado em casa, quando seus dias se arruínam com uma doença, não é a fé que lhe faz uma pessoa nova, não é a fé quem renova suas esperanças; é a espera.
Quando você acha que tudo está perdido, talvez se afunde na cerveja à espera de algo que possa lhe ressuscitar, talvez se afunde na Bíblia, talvez você ande de um lado pro outro, essa é a forma mais correta, de um lado e pro outro, pensando no que fazer e não faz nada. Daí vem a espera, a espera é lenta e dolorosa, no meio tempo há coisas que foram feitas pra te iludir, paixões, amores, museus, saraus, este texto e uma porção de outras coisas enganosas. Você acorda, escova os dentes, olha pra privada, levanta a tampa, mija e pensa mais um pouquinho, ah, ah velha cagada antes de ir trabalhar, tão necessária, a sujeira do dia anterior saindo pelo seu reto, alguns guardam por até três dias ou mais, vai saber... ...cagar foi a ilusão mais gostosa que fizeram, sexo foi a mais divertida e prazerosa. Aos frígidos e ressecados sobra o castigo por acreditarem muito em outras coisas que não a espera!
E você trabalha, bebe, alguns trepam, outros não – que vida de merda devem ter. E alguns se apaixonam e amam – que vida de merda devem ter. E vão vivendo, se aposentando, casando e se fodendo e estão sempre à espera. Ou da morte ou da vinda de Jesus ou do próximo copo de cerveja! Ou esperando sua mulher voltar, seu marido voltar sóbrio ou a cura!
Quando você acha que tudo está perdido, talvez se afunde na cerveja à espera de algo que possa lhe ressuscitar, talvez se afunde na Bíblia, talvez você ande de um lado pro outro, essa é a forma mais correta, de um lado e pro outro, pensando no que fazer e não faz nada. Daí vem a espera, a espera é lenta e dolorosa, no meio tempo há coisas que foram feitas pra te iludir, paixões, amores, museus, saraus, este texto e uma porção de outras coisas enganosas. Você acorda, escova os dentes, olha pra privada, levanta a tampa, mija e pensa mais um pouquinho, ah, ah velha cagada antes de ir trabalhar, tão necessária, a sujeira do dia anterior saindo pelo seu reto, alguns guardam por até três dias ou mais, vai saber... ...cagar foi a ilusão mais gostosa que fizeram, sexo foi a mais divertida e prazerosa. Aos frígidos e ressecados sobra o castigo por acreditarem muito em outras coisas que não a espera!
E você trabalha, bebe, alguns trepam, outros não – que vida de merda devem ter. E alguns se apaixonam e amam – que vida de merda devem ter. E vão vivendo, se aposentando, casando e se fodendo e estão sempre à espera. Ou da morte ou da vinda de Jesus ou do próximo copo de cerveja! Ou esperando sua mulher voltar, seu marido voltar sóbrio ou a cura!
terça-feira, 22 de março de 2011
Viscoso, sóbrio e sem graça.
Isso talvez seja um poema.
O primeiro que escrevo sóbrio.
Talvez você não saiba a realidade dele,
porque o poema é um poema,
e viver sem a bebida não é poema.
Não tem copo onde encontrar a dor,
não que toda poesia tenha que ter dor,
não que toda poesia tenha que ter verdade,
não que toda poesia tenha que ser ambígua,
isso tudo reserva-se somente às boas.
Não que toda bebida tenha que
ser despejada em cima das palavras.
Mas não há como molha-las;
não há como hesita-las,
risca-las com um lápis,
sem que haja um novo pensamento melhor por cima.
Não há como ter um pensamento melhor por cima,
sem que haja um conhaque ou um vinho.
Por isso, agora, isso NÃO é um poema.
Porque eu não acredito.
Porque não tem álcool.
Porque não existo sóbrio.
O primeiro que escrevo sóbrio.
Talvez você não saiba a realidade dele,
porque o poema é um poema,
e viver sem a bebida não é poema.
Não tem copo onde encontrar a dor,
não que toda poesia tenha que ter dor,
não que toda poesia tenha que ter verdade,
não que toda poesia tenha que ser ambígua,
isso tudo reserva-se somente às boas.
Não que toda bebida tenha que
ser despejada em cima das palavras.
Mas não há como molha-las;
não há como hesita-las,
risca-las com um lápis,
sem que haja um novo pensamento melhor por cima.
Não há como ter um pensamento melhor por cima,
sem que haja um conhaque ou um vinho.
Por isso, agora, isso NÃO é um poema.
Porque eu não acredito.
Porque não tem álcool.
Porque não existo sóbrio.
sexta-feira, 18 de março de 2011
Wagner, Idílio e aberração.
Era necessário, que a partir daquele momento, eu criasse uma idéia nova, visto que todas as mulheres daquele antro me conheciam e sabiam muito bem das minhas mentiras, mas eu precisava de uma trepada. Ela entrou estonteante, com seus cabelos esvoaçantes, ruivos, hidratados e uma roupa que mais parecia uma camisola, daquelas mais sexys, que não me lembro o nome. Parecia comercial da aloe e vera ou qualquer outra baboseira dessas que enganam as mulheres e as fazem de idiotas num comercial de televisão.
E os homens olhavam, babavam, um cara me tocou e disse: Puta que pariu, que mulher deliciosamente puta. Estes caras quase nunca sabiam como realmente identificar uma puta, as putas eram deusas, essa não era puta, era mais que isso, e não era o andar, nem eram os cabelos, nem era a cor do seu cabelo, muito menos a roupa, talvez fosse o mistério que a tornasse sexy. Vi um por um, chegando nela, pagando cervejas, gin tônica e uísque, até que todos saíam bêbados e ela ainda lá, bebendo, como se fosse a primeira. Talvez houvesse descoberto meu verdadeiro amor, talvez aquilo fosse motivo do meu tesão, meu pau ficou duro praquela mulher, ali, ao balcão, sentado e matutando de que planeta houvera chegado aquela deliciosa aberração.
- Olá, posso me sentar contigo? – eu disse.
- Vais pagar o que pra mim?
- Ah, eu esperava que isso fosse por sua conta.
- Não pago bebidas pra homens!
- E em que isso difere o contrário?
- O orgulho feminino.
- Vocês são todas iguais.
- Te garanto que não.
- Pode ser que não sejam na cama, mas as que não são boas, acabam sendo um dia, dependendo do pau que encontram.
- Vocês homens também são iguais, só pensam em sexo.
- Sim, mas ser homem é mais divertido, melhor pensar no sexo que no amor, os dois machucam, porem um machuca por muito ter e outro machuca por pouco ter.
- O que quer dizer?
- Gosta de Wagner?
- Quem é Wagner?
- Vamos em casa que eu te mostro, gracinha.
Eu já havia tomado algumas boas doses de conhaque, ela muito mais, posso garantir, e pra rivalizar os sexos a cada um que eu pedia, ela pedia dois, era uma filha da puta versão de Golias, mas tanto faz, esperava mesmo é que ela me fizesse gozar. Os caras do bar a viram levantar, ela tinha duas pernas, digo duas pernas maravilhosas, se ela tivesse só uma, já seria ótimo, nem todas as mulheres que eu já havia visto em revistas pornôs ou pessoalmente ainda que tivesse quatro, digo, nem se juntasse todas as mulheres, chegariam num nível de pernas daqueles. Era como um oleiro, doido, pra apalpar sua cerâmica, aquilo era puro barro, pura arte, era como ler Reinaldo Moraes ou Irvine Welsh, era um orgasmo visual e cerebral, tirei meu pau pra fora, embaixo da mesa, iria bater uma pra ela, mas ela me mandou parar de ser idiota, fechou meu zíper, me segurou pela mão e disse ao pé do meu ouvido que tinha gostado de mim e que queria ir pra casa, conhecer o Wagner. Segurou minha mão, jogou uma nota de cem em cima do balcão, disse pro garçom ficar com o troco, todo mundo me olhava, bêbado, tropicando, com uma mulher daquela me segurando pelo braço. Abriu a porta do bar, me jogou no carro dela, não me lembro que carro que era, caminhávamos pelas ruas a dez mil por hora, meu estômago revirava, eu jamais havia achado alguém que bebia mais que eu, não vomitava antes de chegar a minha casa e enfiar o dedo na goela pra ter mais forças pra beber mais.
Deus, eu havia achado o diabo. Você pode sempre achar que sua vida está perdida, que você está afundado na merda e sabe que há muita gente igual a você por aí, que se mexer, pode feder mais. Acontece que pode piorar.
Ela abriu meu zíper, segurando meu pau e dizendo: Pronto, meu brinquedinho, agora me mostre seu Wagner. Porra, não é possível, ela não fez isso, foi como me livrar da bebedeira, num acesso de raiva, levantei, fechei o zíper, coloquei o Idílio pra rolar, ela reconheceu, disse que amava ouvir Mahler, que tocava violoncelo. Começou a falar, falar muito, como todas as outras mulheres, dormi, acordei sem roupa, com muita dor de cabeça – você não pode extrapolar seus limites quando não tem mais 20 anos, você não pode deixar de comer uma mulher porque ela quer conhecer Wagner – o verdadeiro – você não pode dormir quando elas conversam, você não pode confiar sua vida à elas quando bêbado... Ela não estava lá, não havia preparado café amargo e não havia lavado os copos sujos de vinho da noite anterior. Não achava meu Idílio, você não pode confiar seu Idílio a uma mulher, não o de Siegfried.
E os homens olhavam, babavam, um cara me tocou e disse: Puta que pariu, que mulher deliciosamente puta. Estes caras quase nunca sabiam como realmente identificar uma puta, as putas eram deusas, essa não era puta, era mais que isso, e não era o andar, nem eram os cabelos, nem era a cor do seu cabelo, muito menos a roupa, talvez fosse o mistério que a tornasse sexy. Vi um por um, chegando nela, pagando cervejas, gin tônica e uísque, até que todos saíam bêbados e ela ainda lá, bebendo, como se fosse a primeira. Talvez houvesse descoberto meu verdadeiro amor, talvez aquilo fosse motivo do meu tesão, meu pau ficou duro praquela mulher, ali, ao balcão, sentado e matutando de que planeta houvera chegado aquela deliciosa aberração.
- Olá, posso me sentar contigo? – eu disse.
- Vais pagar o que pra mim?
- Ah, eu esperava que isso fosse por sua conta.
- Não pago bebidas pra homens!
- E em que isso difere o contrário?
- O orgulho feminino.
- Vocês são todas iguais.
- Te garanto que não.
- Pode ser que não sejam na cama, mas as que não são boas, acabam sendo um dia, dependendo do pau que encontram.
- Vocês homens também são iguais, só pensam em sexo.
- Sim, mas ser homem é mais divertido, melhor pensar no sexo que no amor, os dois machucam, porem um machuca por muito ter e outro machuca por pouco ter.
- O que quer dizer?
- Gosta de Wagner?
- Quem é Wagner?
- Vamos em casa que eu te mostro, gracinha.
Eu já havia tomado algumas boas doses de conhaque, ela muito mais, posso garantir, e pra rivalizar os sexos a cada um que eu pedia, ela pedia dois, era uma filha da puta versão de Golias, mas tanto faz, esperava mesmo é que ela me fizesse gozar. Os caras do bar a viram levantar, ela tinha duas pernas, digo duas pernas maravilhosas, se ela tivesse só uma, já seria ótimo, nem todas as mulheres que eu já havia visto em revistas pornôs ou pessoalmente ainda que tivesse quatro, digo, nem se juntasse todas as mulheres, chegariam num nível de pernas daqueles. Era como um oleiro, doido, pra apalpar sua cerâmica, aquilo era puro barro, pura arte, era como ler Reinaldo Moraes ou Irvine Welsh, era um orgasmo visual e cerebral, tirei meu pau pra fora, embaixo da mesa, iria bater uma pra ela, mas ela me mandou parar de ser idiota, fechou meu zíper, me segurou pela mão e disse ao pé do meu ouvido que tinha gostado de mim e que queria ir pra casa, conhecer o Wagner. Segurou minha mão, jogou uma nota de cem em cima do balcão, disse pro garçom ficar com o troco, todo mundo me olhava, bêbado, tropicando, com uma mulher daquela me segurando pelo braço. Abriu a porta do bar, me jogou no carro dela, não me lembro que carro que era, caminhávamos pelas ruas a dez mil por hora, meu estômago revirava, eu jamais havia achado alguém que bebia mais que eu, não vomitava antes de chegar a minha casa e enfiar o dedo na goela pra ter mais forças pra beber mais.
Deus, eu havia achado o diabo. Você pode sempre achar que sua vida está perdida, que você está afundado na merda e sabe que há muita gente igual a você por aí, que se mexer, pode feder mais. Acontece que pode piorar.
Ela abriu meu zíper, segurando meu pau e dizendo: Pronto, meu brinquedinho, agora me mostre seu Wagner. Porra, não é possível, ela não fez isso, foi como me livrar da bebedeira, num acesso de raiva, levantei, fechei o zíper, coloquei o Idílio pra rolar, ela reconheceu, disse que amava ouvir Mahler, que tocava violoncelo. Começou a falar, falar muito, como todas as outras mulheres, dormi, acordei sem roupa, com muita dor de cabeça – você não pode extrapolar seus limites quando não tem mais 20 anos, você não pode deixar de comer uma mulher porque ela quer conhecer Wagner – o verdadeiro – você não pode dormir quando elas conversam, você não pode confiar sua vida à elas quando bêbado... Ela não estava lá, não havia preparado café amargo e não havia lavado os copos sujos de vinho da noite anterior. Não achava meu Idílio, você não pode confiar seu Idílio a uma mulher, não o de Siegfried.
terça-feira, 1 de março de 2011
Alquimia de merda.
Estava em pé, na porta do bar, cigarro na mão e um aroma de café que se fosse com conhaque seria ótimo. E eu não sabia o que pensar, estava entre o ser e não ser, atuar ou não, fingir ou não, mas eu sempre fingia. A vida pode passar facilmente entre os dedos ou impregnar no cheiro de cigarro pra que você possa se lembrar dela. A vida pode descer dura feito merda que arromba o teu rabo ou pode passar despercebida como o conhaque que embica em goles com a cerveja pra quebrar a deficiência entre uma bebida e outra – de qualquer forma há de sentires o gosto e a dor da vida. Ou você pode simplesmente acabar na porta do bar, com cigarro na mão, sentindo aroma do café que seria maravilhoso com o conhaque e fingir, fingir a fim de alcançar à perfeição. Se tiveres uma ou duas mulheres, se não tiveres acaba no mesmo lugar, algumas vezes ajoelhado, implorando pra que seja rápido, querendo foder com Max Weber pra ele sentir a real necessidade de uma rola no cu quando se inibe a inteligência de alguém pela burocracia. Não se pode sustentar a inteligência das pessoas com pequenos goles de água e miolos de pão. É necessário muito ardor, muita febre, muita necessidade, muitos caminhos, muitas declarações bizarras, muitos pensamentos pervertidos, muita desunião, muita sinceridade, falta de amigos e o inferno pra se chegar à liberdade. A única igualdade entre beber e sonhar é que se, por algum acaso, queres chegar a algum lugar real, é necessário que se limite, nas duas coisas. Às vezes o excesso de álcool não faz tão mal quanto o excesso de sonhos, mas, ainda assim, controle-se. Não seja monomaníaco, não se confranja com todas as ideologias absurdas que há de encontrar pela frente. Absorva um pouco de cada uma. Não se esquece de que lutar contra ideológicos é mais complicado que lutar contra criminosos, não esteja atento a tudo que está à sua volta, às vezes, diante da surpresa, seu cérebro pensa melhor condizendo ideias. E caminhe, ainda que sem direção... Não pare em pé, na porta do bar com cigarro na mão e um aroma de café que se fosse com conhaque seria ótimo. E não finja sempre. Não sempre...
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
Mulheres.
E às mulheres não sobra muito tempo da minha fantástica arte de criar sentimentos, só me fazem crer, aos poucos, que há uma distância incrível entre a arte de encarar a Deus e chamar isso de fantástico. Há uma dúvida em todas elas, mulheres e seus extremos às vezes só faz o absolutismo romper minha crença nelas, de fato, mulheres não são nada alem de seres humanos. E vai saber se não são Deus, hein? E se forem Deus e estarem nesse jogo só pra descontar tudo que já promoveram contra ele? E se mulheres forem Deus e nos por à prova de toda judiação que impuseram sobre ele? Mulheres e sua arte insensível de viver a vida contra homens duros, vulgos cafajestes, mulheres são românticas demais, mas não as queira de fato no seu jogo, porque se você perder, haverão pragas sobre sua vida, não uma praga de insetos, muito menos castigo por você adorar uma estátua de bronze, a coisa é bem pior, meu amigo. Pra lidar com as mulheres você tem que ter um ego daqueles ou, pensando bem, um alter-ego idêntico no maior estilo Des Grieux; em “o jogador” do Dostoievski.
As artimanhas das mulheres, ao contrário do que muitos pensam, não está somente na boceta, caro amigo. A artimanha maior da mulher, não é o chá de buça, como costumam achar, a artimanha maior de uma mulher é conseguir beber mais que você e por fim, te humilhar por isso. Quando a mulher é dura, não se arrisque, elas podem ser pior que a gente, mais viris, menos inúteis e mais inusitadas. Mulheres não são previsíveis como os homens, mulheres não são iguais, mulheres estão por aí, de todas as formas, com vários sentimentos, com várias indoles, várias formas de foder-te.
No sexo, não vá alem da quarta trepada, quarto encontro ou quarto qualquer coisa, deixe a mulher antes que sua saúde vá pro limbo, elas costumam te jogar lá quando querem, e confesso, que se você chegar ao ponto de só sair do limbo se for por outra mulher, você acabou com a sua vida, então não corra o risco.
No amor, não se arrisque, se quiser faze-las de trouxa, basta que ouvi-las, porque mulheres falam demais, basta citar Caio Fernando Abreu, dar-lhe rosas e manter um pouco de esperança no futuro. Porque mulheres românticas são assim, decepcionantes, talvez valha a pena arriscar com uma dessas pelo sexo, quiçá, a vida pode ter até um gosto melhor, num caso desses, que a solidão.
As artimanhas das mulheres, ao contrário do que muitos pensam, não está somente na boceta, caro amigo. A artimanha maior da mulher, não é o chá de buça, como costumam achar, a artimanha maior de uma mulher é conseguir beber mais que você e por fim, te humilhar por isso. Quando a mulher é dura, não se arrisque, elas podem ser pior que a gente, mais viris, menos inúteis e mais inusitadas. Mulheres não são previsíveis como os homens, mulheres não são iguais, mulheres estão por aí, de todas as formas, com vários sentimentos, com várias indoles, várias formas de foder-te.
No sexo, não vá alem da quarta trepada, quarto encontro ou quarto qualquer coisa, deixe a mulher antes que sua saúde vá pro limbo, elas costumam te jogar lá quando querem, e confesso, que se você chegar ao ponto de só sair do limbo se for por outra mulher, você acabou com a sua vida, então não corra o risco.
No amor, não se arrisque, se quiser faze-las de trouxa, basta que ouvi-las, porque mulheres falam demais, basta citar Caio Fernando Abreu, dar-lhe rosas e manter um pouco de esperança no futuro. Porque mulheres românticas são assim, decepcionantes, talvez valha a pena arriscar com uma dessas pelo sexo, quiçá, a vida pode ter até um gosto melhor, num caso desses, que a solidão.
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
A arte que perturba, presta. A outra é de deus.
Com o pensamento um pouco alem da imaginação, saber da inteligência nos causa arrepios, mas até onde a inteligência está proporcionalmente ligada ao nosso convívio? Muito raramente encontra-se gente inteligente, inteligência é amplidão, e se você é inteligente somente nas coisas que te agradam, reprima-se, eis o erro. Para ser inteligente é necessário um prazer constante nas coisas que, inclusive, pouco te satisfazem, ser inteligente nas coisas que te satisfazem está absurdamente ligado à sua preguiça e comodidade. Estou inteiramente convencido de que inteligência passa longe de mim, se nem por mais nem menos, me faz gosto a matemática. Se nem conta de porcentagem, muito menos dois números na chave pra uma divisão, faço conta, não sou inteligente.
E à arte, o que dedicas? A arte que te inibe, a arte que te perturba ou a arte que te santifica e te faz idiotamente impressionado como um Da Vinci ou Botticelli? – Que por sinal são uma porcaria, a arte boa é aquela que te impressiona, que te perturba, arte que santifica é de deus, a outra, é humana. E a deus o que é de deus, aos homens o que é dos homens, portanto, que o Renascença vá ao paraíso enquanto nós vamos ficando aqui, no inferno, com o genial Modigliani. E o Picasso rodando com um espeto no rabo e uma maçã na boca, pra ter o final que merece, por ser um porco sem nenhuma utilidade. Você tem que se impressionar com a arte, a arte precisa te provocar, não há arte sem provocação, não há beleza na arte sem provocação, não há beleza que extravase os olhos se não provocar, à arte que não sabe provocar, sobra indolência, e isso, deixamos aos crus, que não buscam a inteligência, mas a comodidade. E é pra nós, perturbados, que sobra o álcool, pra suavizar essa presença infernal da boa arte na nossa vida, aos deuses o que é deles, a nós o que perturba, a arte não santifica, a arte enlouquece.
E à arte, o que dedicas? A arte que te inibe, a arte que te perturba ou a arte que te santifica e te faz idiotamente impressionado como um Da Vinci ou Botticelli? – Que por sinal são uma porcaria, a arte boa é aquela que te impressiona, que te perturba, arte que santifica é de deus, a outra, é humana. E a deus o que é de deus, aos homens o que é dos homens, portanto, que o Renascença vá ao paraíso enquanto nós vamos ficando aqui, no inferno, com o genial Modigliani. E o Picasso rodando com um espeto no rabo e uma maçã na boca, pra ter o final que merece, por ser um porco sem nenhuma utilidade. Você tem que se impressionar com a arte, a arte precisa te provocar, não há arte sem provocação, não há beleza na arte sem provocação, não há beleza que extravase os olhos se não provocar, à arte que não sabe provocar, sobra indolência, e isso, deixamos aos crus, que não buscam a inteligência, mas a comodidade. E é pra nós, perturbados, que sobra o álcool, pra suavizar essa presença infernal da boa arte na nossa vida, aos deuses o que é deles, a nós o que perturba, a arte não santifica, a arte enlouquece.
sábado, 5 de fevereiro de 2011
PQB!
O azar não é tão mau quanto pintam, às vezes uma desventura pode caber muito bem na danação da vida. E você pode passar anos lutando contra uma condição ou pretendendo lhe dar objetivos, mas à condição sobra a dor, porque é assim que tem que ser. Entre amar e odiar, o meio termo! Você vai vivendo, percorrendo caminhos, abrindo estradas vicinais, bebendo, trepando, amanhecer num sol escaldante, ter a dor de cabeça da sua ressaca, depois de uma noite trepante com uma mulher que pra você tanto faz se ficaria viva ou morta depois da bebedeira, chama seu amigo, Shakespeare, que mais parecem dois cafetões no inferno enquanto a mesma mulher beija os dois, pica alheia, gosto de porra, gente chata, esquisita, o diabo circulando, cerveja, cigarros e você ainda reclama da vida!
Olho pela janela, as pessoas sobem e descem, todas com seus segredos, o que guardam? Andando no metrô, gente feia pra caralho, na cidade de São Paulo você encontra gente de todo tipo, mas e você, que tipo de gente é? Tenho pensado no fato de ter parado de ter idéias, a mim, sobra quase uma amplidão de existencialismo, o termo fatídico do bom ou mau de Nietzsche, a Paz Perpétua de Kant se corrói aqui, aqui não há paz, não há termos, as três leis são obscuras, na cidade em que eu me crio, na cidade em que crio, a lei é só uma: leges sexum... Não posso observar teus olhos, mas eles estão aberto, caso sim, desista de vez, a vida não é mais lá estas coisas. É, retiro tudo que disse anteriormente.
Olho pela janela, as pessoas sobem e descem, todas com seus segredos, o que guardam? Andando no metrô, gente feia pra caralho, na cidade de São Paulo você encontra gente de todo tipo, mas e você, que tipo de gente é? Tenho pensado no fato de ter parado de ter idéias, a mim, sobra quase uma amplidão de existencialismo, o termo fatídico do bom ou mau de Nietzsche, a Paz Perpétua de Kant se corrói aqui, aqui não há paz, não há termos, as três leis são obscuras, na cidade em que eu me crio, na cidade em que crio, a lei é só uma: leges sexum... Não posso observar teus olhos, mas eles estão aberto, caso sim, desista de vez, a vida não é mais lá estas coisas. É, retiro tudo que disse anteriormente.
segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
Álcool, fingimento e divindade.
Tens algumas escolha.
e beijas o chão pelo álcool que derramastes.
Uma mulher.
a amplidão vertical.
a vida é melhor com ela.
mas não exista tanto assim
faça de conta,
que às vezes,
você gosta de ser invisível.
porque às vezes.
eu faço de conta,
que você não existe.
E você não existe.
Não agora.
Porque agora tenho controle.
Quando você existe, não tenho.
E Deus está lá.
talvez continue até o fim.
Ou nos abandone de vez.
Mas tanto faz,
às vezes é bom ser invisível.
E você ouve: tum-tum-tum.
é que,
na invisibilidade,
minha boca é meu coração.
que te chama.
e você ouve.
ou não!
e beijas o chão pelo álcool que derramastes.
Uma mulher.
a amplidão vertical.
a vida é melhor com ela.
mas não exista tanto assim
faça de conta,
que às vezes,
você gosta de ser invisível.
porque às vezes.
eu faço de conta,
que você não existe.
E você não existe.
Não agora.
Porque agora tenho controle.
Quando você existe, não tenho.
E Deus está lá.
talvez continue até o fim.
Ou nos abandone de vez.
Mas tanto faz,
às vezes é bom ser invisível.
E você ouve: tum-tum-tum.
é que,
na invisibilidade,
minha boca é meu coração.
que te chama.
e você ouve.
ou não!
terça-feira, 30 de novembro de 2010
Boceta ambulante.
Havia encontrado um gênio. Oferecera-me três pedidos. E eu disse que um me bastava. Queria uma boceta ambulante, que falasse, mas que só falasse quando fosse me elogiar, porque era assim que eu queria as mulheres, queria que só falassem quando precisasse enaltecer o ego. E falar a verdade, o ego é a parte feminina de todo homem. O que nos faz sentir humanos, essa bosta é um estraga perfil. Quem dera eu mantivesse somente a minha consciência que passa 75% do tempo vivendo em 100% do período bestial e arruinado dessa vida que nada mais é que uma espera dolorida de algo melhor; a morte por ex. ou o sexo. Ou desordem. ou aposentadoria. ou paixão. Ou fábula. Ou lenda. Ou o inferno. Sentir-se humano é tão desagradável quanto ter consciência de que és urubu e és símbolo de algo escuro e muito podre. O gênio me deu a boceta, mas disse que eu precisava fazer os outros dois pedidos. Falei pra que voltasse na outra semana que eu articularia a bem-feitoria dos meus outros dois pedidos. Talvez quisesse que todo mundo fosse feliz, talvez quisesse ser famoso, talvez artista, talvez jogador de futebol, talvez músico, talvez amigo de Reinaldo Moraes e Bortolloto. Talvez dono de bar. Cervejaria. Boca de fumo. Talvez ordem. Mas quem precisa de ordem pra morrer? Nem o tempo seria a favor disso. Passei um dia inteiro passeando com a minha boceta embaixo do braço, era fervorosa e quente. Pingava o tempo todo, como era meu desejo, me excitava, e às vezes eu entrava no banheiro dos lugares e fazia sexo rapidamente, depois continuava o passeio. Tive que comprar uma bolsa, pelo tamanho da valia do produto tinha que comprar algo bom. Comprei uma bolsa cara, Louis Vitton, ela merecia. Levei a casa dos meus amigos, ela não disse nada, pegamos o ônibus e ela ficou seca. Joguei no banco ao lado e ela virou pra janela sem nem piscar pra mim. E ficamos uma semana nessa briga de casal e quando o gênio voltou eu disse: Cara, não há diferença alguma das mulheres que tive. A única é que as outras ao menos falam comigo, mas essa não. Não sou tão cretino assim, mereço um elogio às vezes, ao menos no sexo. E essa deve ter algum problema. Pode matar essa vagabunda; depois queima. E lá se foram meus outros dois pedidos e continuo na mesma merda com as mulheres. Gastando dinheiro, brigando, sem elogios e sendo taxado de marginal machista. Todas à merda. Desde que me dêem sexo.
segunda-feira, 15 de novembro de 2010
O problema é a demasia.
A agonia se reflete muito em mim.
e eu não sei o motivo.
talvez o fato de os gatos terem uma vida sexual mais ativa que a minha
e ainda conseguirem dormir 20 horas por dia, explique.
Talvez não.
Mas a realidade é que sob o sol não me dou muito bem
e sob a lua a vida parece demasiadamente incólume.
E não gosto de nada virgem, ileso ou salvo.
O risco que o sol me faz não é aventureiro
e a lua imaculada é tão chata quanto assistir, às onze da manhã, um filme de terror.
e eu não sei o motivo.
talvez o fato de os gatos terem uma vida sexual mais ativa que a minha
e ainda conseguirem dormir 20 horas por dia, explique.
Talvez não.
Mas a realidade é que sob o sol não me dou muito bem
e sob a lua a vida parece demasiadamente incólume.
E não gosto de nada virgem, ileso ou salvo.
O risco que o sol me faz não é aventureiro
e a lua imaculada é tão chata quanto assistir, às onze da manhã, um filme de terror.
sábado, 13 de novembro de 2010
Vida, morte e merda seca.
Não me disseram jamais a finalidade de trabalhar. Não acordo cedo há décadas, às duas e meio que estou a viver. Não gosto de ser um empregado quando sei que meu dom não é esse. Beber e fumar o inferno é o que tem sido repentinamente exclusivo, isso não me falta, nem às vésperas do despertador que tilinta meu cérebro que dói, depois de beber e fumar o inferno e dormir duas horas diárias. E ao chegar à empresa me dizem: para com isso, Téo. Isso um dia lhe matará. – e quem disse que eu to fugindo dessa desgraça toda? Um câncer, uma cirrose ou um enfisema seria somente uma batalha que eu adoraria por à prova. Ou você pode ou não pode. Daí vem o diagnóstico, ou melhor, o prognóstico – ou se é forte ou se é fraco, pra qualquer um dos dois, o protocolo tem um só resultado: a vida ou a morte que não têm diferença alguma de merda seca.
Você passa a vida toda procurando por explicações pra essa causa, e entre tantas organizações não governamentais, não há nenhuma que te dá assistência mortal. Seria ótimo ter um lugar que te desse coragem pra seguir em frente caso quisesse desistir. Corda, facas, 38, casa com gás encanado, sem janelas, abrir e boom... Estourar seu cérebro com a mesma coragem que encara um copo de cerveja. As pessoas são hostis e burras demais, não há ninguém que encare com naturalidade a perda da vida. Um aborto, uma legalização de droga, qualquer droga, e a política vai acompanhando esse processo de banalização da inteligência, não há um nesse mundo, quem vá contra os princípios caóticos, se preferir; católicos e delinqüentes. Minha mulher me diz que a morte é doída e ingrata e eu a esbofeto toda vez que blasfema em vão. Falar da vida pode, afinal, todo mundo sabe o sentido que essa coisa mais-ou-menos traz pra quem passa, injustiça, trabalho, mulheres apaixonadas e broxadas. Às mulheres deixo minha lápide, ao bar minha conta, aos amigos minha ausência e ao demônio o desafio: tenta sorte.
Você passa a vida toda procurando por explicações pra essa causa, e entre tantas organizações não governamentais, não há nenhuma que te dá assistência mortal. Seria ótimo ter um lugar que te desse coragem pra seguir em frente caso quisesse desistir. Corda, facas, 38, casa com gás encanado, sem janelas, abrir e boom... Estourar seu cérebro com a mesma coragem que encara um copo de cerveja. As pessoas são hostis e burras demais, não há ninguém que encare com naturalidade a perda da vida. Um aborto, uma legalização de droga, qualquer droga, e a política vai acompanhando esse processo de banalização da inteligência, não há um nesse mundo, quem vá contra os princípios caóticos, se preferir; católicos e delinqüentes. Minha mulher me diz que a morte é doída e ingrata e eu a esbofeto toda vez que blasfema em vão. Falar da vida pode, afinal, todo mundo sabe o sentido que essa coisa mais-ou-menos traz pra quem passa, injustiça, trabalho, mulheres apaixonadas e broxadas. Às mulheres deixo minha lápide, ao bar minha conta, aos amigos minha ausência e ao demônio o desafio: tenta sorte.
sexta-feira, 12 de novembro de 2010
Paixão, umbigo e verruga.
No bar, o conhaque, a cadeira vazia.
- Téo, posso me sentar?
- sentai, Johnny.
- Téo, conheci uma mulher, que, cara...
- Comeu?
- Comi, Téo. Mas tem um diferencial.
- Qual?
- ela é uma aberração!
- como assim?
- nos beijamos, conversamos sobre Sartre e Coates, sim, cara, ela gosta de Coates, me disse que Valse Serenade é melhor que trepar e tocar o umbigo. Não entendi, claro, jamais entenderia até ver.
- entendo.
- então, aí ela me chamou pra casa dela, do nada, sem sequer um conhaque. Entramos, ela arrancou minha roupa, me chupou e disse pra eu esperar... foi ao banheiro, e voltou de roupão e a beijei a boca, estava apaixonado, olhava nos olhos dela e dizia que a amava, era tudo que eu queria. Era linda; aí ela tirou o roupão, e tinha um umbigo maior que meu pau, cara.
- e você gostou?
- no começo achei estranho, mas depois fui me acostumando, ela me disse que era pra eu descobrir o ponto fraco dela, e adivinha onde era?
- no cu?
- não, Téo, caralho... ... no umbigo.
- e você chupou o umbigo dela?
- então... comecei com receio, mas depois a beijei loucamente, afinal, eu havia dito que a amava e quando a gente ama alguém, pouco importa a cara, quiça o umbigo. E nos jogamos na boca, já havia gozado na boca dela, ela havia dito que me amava também e fomos nos tocando, nos conhecendo, definitivamente. Pediu pra eu parar e colocou Coates, pedi Mahler, já que aquilo era estranho pra mim, Mahler cairia melhor. Não obedeceu, acabou colocando a Missa Solenis do Beethoven, era de fato uma aberração, Téo. Quando a penetrei, ela estava molhada e estimulava o clitóris enquanto a comia. Mas ela não quis nem saber, colocou minha mão no umbigo e mandou eu mexer bastante, e a mina gozou mais que do que eu já havia esporrado na minha vida toda, Téo.
- e essa moça é de onde?
- ela me disse é que de B’612.
- porra, mas esse é o planeta do Pequeno Príncipe, não é?
- pode ser, Téo.
- mas lá só tinha o Pequeno Príncipe, a rosa e os jatobás que ele matou.
- talvez ela seja a rosa, Téo. Ou o Pequeno Príncipe, talvez um jatobá morto. Mas o que e impressiona mesmo é o umbigo...
Levantei e fui pra casa, chegando em casa contei pra minha mulher que eu não era maluco, havia gente pior que eu por aí, todos os dias, em todos os bares e ela mandou eu estimular a verruga que tinha na altura da terceira costela.
- Téo, posso me sentar?
- sentai, Johnny.
- Téo, conheci uma mulher, que, cara...
- Comeu?
- Comi, Téo. Mas tem um diferencial.
- Qual?
- ela é uma aberração!
- como assim?
- nos beijamos, conversamos sobre Sartre e Coates, sim, cara, ela gosta de Coates, me disse que Valse Serenade é melhor que trepar e tocar o umbigo. Não entendi, claro, jamais entenderia até ver.
- entendo.
- então, aí ela me chamou pra casa dela, do nada, sem sequer um conhaque. Entramos, ela arrancou minha roupa, me chupou e disse pra eu esperar... foi ao banheiro, e voltou de roupão e a beijei a boca, estava apaixonado, olhava nos olhos dela e dizia que a amava, era tudo que eu queria. Era linda; aí ela tirou o roupão, e tinha um umbigo maior que meu pau, cara.
- e você gostou?
- no começo achei estranho, mas depois fui me acostumando, ela me disse que era pra eu descobrir o ponto fraco dela, e adivinha onde era?
- no cu?
- não, Téo, caralho... ... no umbigo.
- e você chupou o umbigo dela?
- então... comecei com receio, mas depois a beijei loucamente, afinal, eu havia dito que a amava e quando a gente ama alguém, pouco importa a cara, quiça o umbigo. E nos jogamos na boca, já havia gozado na boca dela, ela havia dito que me amava também e fomos nos tocando, nos conhecendo, definitivamente. Pediu pra eu parar e colocou Coates, pedi Mahler, já que aquilo era estranho pra mim, Mahler cairia melhor. Não obedeceu, acabou colocando a Missa Solenis do Beethoven, era de fato uma aberração, Téo. Quando a penetrei, ela estava molhada e estimulava o clitóris enquanto a comia. Mas ela não quis nem saber, colocou minha mão no umbigo e mandou eu mexer bastante, e a mina gozou mais que do que eu já havia esporrado na minha vida toda, Téo.
- e essa moça é de onde?
- ela me disse é que de B’612.
- porra, mas esse é o planeta do Pequeno Príncipe, não é?
- pode ser, Téo.
- mas lá só tinha o Pequeno Príncipe, a rosa e os jatobás que ele matou.
- talvez ela seja a rosa, Téo. Ou o Pequeno Príncipe, talvez um jatobá morto. Mas o que e impressiona mesmo é o umbigo...
Levantei e fui pra casa, chegando em casa contei pra minha mulher que eu não era maluco, havia gente pior que eu por aí, todos os dias, em todos os bares e ela mandou eu estimular a verruga que tinha na altura da terceira costela.
sábado, 30 de outubro de 2010
Luz, sombra e Mahler.
Embora a vida me limitasse costumava a atingir outros níveis de radicalismo. Às vezes o extremo não passa da esquina. Você pode passar a vida rindo, voando, amando, sorrindo, bebendo, fodendo, querendo, ganhando... ...mas jamais vai tirar aquele vazio que te faz suicida. Porque se há alguma coisa que cabe na vida é a morte. E cabe muito bem, é tão perfeito o encaixe que não há um sem o outro. Mas há muitas coisas piores que a morte, não é, Bukowski? Vícios, mulheres independentes, cervejas quentes e uma porção de frango à passarinho sem alho.
Desferir mentira é tão congratulante quanto a conquista. Uma mulher bem dominada por uma porção de palavras é como se fosse serva. Você um deus. Um Baal, sua arte é ressurgida a cada novo encontro. A cada sorriso diferente. Ser homem só não deve ser melhor que ser o dedo médio de uma mulher; o toque e a garantia de um orgasmo. O que nem sempre estás disposto a dar.
Conhaque, vinho, cerveja e essa mente não para de martelar o futuro. Alguns livros, o Retorno dos heróis de Whitman fazendo com que cada vez eu o ache a bicha mais foda de todos os tempos. E não que seja preconceito, mas as bichas, em sua maioria, se resumem em reclamar, se você é uma, se recolha na sua acepção, és humano, e sabes muito bem que não tens valor algum, como qualquer outro ser humano. Nasce, caga e morre e vai feder no inferno. E essa quinta do Mahler, hein? Faz esse vinho e esse conhaque arderem feito fogo. Arroubo de paixão!
Desferir mentira é tão congratulante quanto a conquista. Uma mulher bem dominada por uma porção de palavras é como se fosse serva. Você um deus. Um Baal, sua arte é ressurgida a cada novo encontro. A cada sorriso diferente. Ser homem só não deve ser melhor que ser o dedo médio de uma mulher; o toque e a garantia de um orgasmo. O que nem sempre estás disposto a dar.
Conhaque, vinho, cerveja e essa mente não para de martelar o futuro. Alguns livros, o Retorno dos heróis de Whitman fazendo com que cada vez eu o ache a bicha mais foda de todos os tempos. E não que seja preconceito, mas as bichas, em sua maioria, se resumem em reclamar, se você é uma, se recolha na sua acepção, és humano, e sabes muito bem que não tens valor algum, como qualquer outro ser humano. Nasce, caga e morre e vai feder no inferno. E essa quinta do Mahler, hein? Faz esse vinho e esse conhaque arderem feito fogo. Arroubo de paixão!
sábado, 23 de outubro de 2010
Rock, conhaque e fígado forte.
Estávamos num concerto, um show de uma grande banda de metal, não sei, não me lembro dos acordes, das músicas. Não sei. Ela não era flor que se cheirasse, era um espinho dos diabos. Eu bem que sabia, mas não hesitava em chegar por perto por causa disso. Dizia que a diferença entre deus e o diabo era somente a fé que lhes era despejada. Um que precisava de muita coisa boa com certo recalque da maldade e outro que precisava de muita coisa ruim com certo recalque de bondade pra que as pessoas elevassem a fé no mais alto estima do dogma.
Era bem gostosa, tinha seios pequenos e gostosos, na palma da mão cabiam feito jóias e eu insistia em beijá-los como se fossem achados em uma mina, por um escravo sem chefe, a liberdade conquistada, o futuro não previsto; o milagre divino.
À bunda não sobraram elogios, mas de fato era a mais bonita que havia visto, redonda, maior que a impressão que os seios passaram, mas havia visto outras bonitas também, logo, isso não surpreendia muito, não tanto quanto as jóias que beijei durante o show inteiro, num banheiro químico.
- me leva pra casa, Téo?
- levo sim.
Quando entramos no carro, perguntei o endereço, não havia muita gasolina no carro, havia bebido demais e não gostava de dirigir embriagado, não que ligasse pra policia ou a vida de outras pessoas, é que quando eu bebia temia a minha vida. Por mais que a vida não era muito agradável ultimamente, morrer não seria muito legal. Aquele show, aquela bunda, aqueles seios...
- qual seu endereço?
- vamos pra sua casa, Téo.
- tudo bem.
Chegamos em casa, mandei-a subir, fui ao bar, comprei duas garrafas de conhaque, estava bastante empolgado, esperava que aquela vadia estivesse me esperando de pernas abertas, afinal, era assim que ela se mostrava bela. Cheguei na porta, bati, ela mandou eu entrar, às vezes eu era educado com algumas mulheres, até em casa, visto que poderiam ser recíprocas na cama.
- comprei conhaque.
- tem copo?
- não.
- onde bebo então?
- comprei duas garrafas, bebe na porra do gargalo.
Ela bebeu tudo, bebeu um litro de conhaque num espaço de 15 minutos e eu fiquei abismado. Informei que o meu quarto era na porta à direita. E que poderia deitar por lá.
- você não vai me comer, Téo?
- não.
Deitei no sofá e dormi. Jamais comeria uma mulher que bebesse mais que eu. O perigo pode estar num show de rock ou num fígado mais forte que o seu.
Era bem gostosa, tinha seios pequenos e gostosos, na palma da mão cabiam feito jóias e eu insistia em beijá-los como se fossem achados em uma mina, por um escravo sem chefe, a liberdade conquistada, o futuro não previsto; o milagre divino.
À bunda não sobraram elogios, mas de fato era a mais bonita que havia visto, redonda, maior que a impressão que os seios passaram, mas havia visto outras bonitas também, logo, isso não surpreendia muito, não tanto quanto as jóias que beijei durante o show inteiro, num banheiro químico.
- me leva pra casa, Téo?
- levo sim.
Quando entramos no carro, perguntei o endereço, não havia muita gasolina no carro, havia bebido demais e não gostava de dirigir embriagado, não que ligasse pra policia ou a vida de outras pessoas, é que quando eu bebia temia a minha vida. Por mais que a vida não era muito agradável ultimamente, morrer não seria muito legal. Aquele show, aquela bunda, aqueles seios...
- qual seu endereço?
- vamos pra sua casa, Téo.
- tudo bem.
Chegamos em casa, mandei-a subir, fui ao bar, comprei duas garrafas de conhaque, estava bastante empolgado, esperava que aquela vadia estivesse me esperando de pernas abertas, afinal, era assim que ela se mostrava bela. Cheguei na porta, bati, ela mandou eu entrar, às vezes eu era educado com algumas mulheres, até em casa, visto que poderiam ser recíprocas na cama.
- comprei conhaque.
- tem copo?
- não.
- onde bebo então?
- comprei duas garrafas, bebe na porra do gargalo.
Ela bebeu tudo, bebeu um litro de conhaque num espaço de 15 minutos e eu fiquei abismado. Informei que o meu quarto era na porta à direita. E que poderia deitar por lá.
- você não vai me comer, Téo?
- não.
Deitei no sofá e dormi. Jamais comeria uma mulher que bebesse mais que eu. O perigo pode estar num show de rock ou num fígado mais forte que o seu.
domingo, 17 de outubro de 2010
Quero que continue!
Estamos perto de uma mudança drástica ou somente uma continuidade. Uma continuidade não tão somente continuada, um governo que reduz a miséria de 14% pra 4,6% em oito anos não é um governo de péssimos resultados visto que isso tudo em apenas oito anos. Um presidente do povo, que passou por toda a miséria que a classe que mais evoluiu no Brasil já passou um dia. Presidente Lula foi o mais populista de todos os presidentes e também o mais keynisiano, o mais social e o mais competente. Tendo Dilma Roussef e Mantêga dois grandes aliados pro crescimento acima do previsto lá em 2002!
Um país respeitado, com grandes manchetes mundialmente a favor do crescimento e apontando o Brasil como o país do futuro. Como dissera uma vez o Jornal El País: Brasil só depende do próximo presidente pra ser um país de primeiro mundo. E pros que dizem que o governo Lula foi continuidade do governo FHC pode ser claro agora. Dizer que o Governo Lula foi espelho é um erro. Não houve sequer uma privatização, houve prós. O Pré-sal por exemplo que está a nosso favor. Enquanto José Serra privatizou a Nossa Caixa em São Paulo, que por sorte, o Banco do Brasil que foi uma das poucas coisas que o FHC não privatizou em seu governo, comprou e o manteve no estado! E a Petrobras que teria seu nome mudado pra Petrobrax a fim de ser privatizada, o nome seria mais internacional, hein? O comando Delta dessa vez pode estar voltando a ativa. Bierrenbach dando entrevista e comparando Serra a Maluf é assustador, visto que Bierrenbach foi um dos grandes aliados do José Serra lá na época da ditadura, quando esse senhor fugiu de barquinho com medo da repressão e voltou 14 anos depois e agora diz que lutou contra a ditadura? Nem na casa do caralho!
Se votarmos em Dilma pra presidente, teremos talvez, entre todos os presidentes, a mais inteligente que se aliará ao social do mais populista e enfim estaremos prestes a chegar ao Primeiro Mundo. Enquanto países de primeiro mundo se corroem de inveja do nosso poder financeiro, social e democrata. É angustiante o jeito como a boataria tem influenciado os eleitores que tiveram os cérebros murchados depois da ditadura, do jeito que o Serra gosta.
E como diria o Lula: Democracia não é somente ter o direito de protestar, mas também ter o direito de ter, no mínimo, três refeições diárias.
Um país respeitado, com grandes manchetes mundialmente a favor do crescimento e apontando o Brasil como o país do futuro. Como dissera uma vez o Jornal El País: Brasil só depende do próximo presidente pra ser um país de primeiro mundo. E pros que dizem que o governo Lula foi continuidade do governo FHC pode ser claro agora. Dizer que o Governo Lula foi espelho é um erro. Não houve sequer uma privatização, houve prós. O Pré-sal por exemplo que está a nosso favor. Enquanto José Serra privatizou a Nossa Caixa em São Paulo, que por sorte, o Banco do Brasil que foi uma das poucas coisas que o FHC não privatizou em seu governo, comprou e o manteve no estado! E a Petrobras que teria seu nome mudado pra Petrobrax a fim de ser privatizada, o nome seria mais internacional, hein? O comando Delta dessa vez pode estar voltando a ativa. Bierrenbach dando entrevista e comparando Serra a Maluf é assustador, visto que Bierrenbach foi um dos grandes aliados do José Serra lá na época da ditadura, quando esse senhor fugiu de barquinho com medo da repressão e voltou 14 anos depois e agora diz que lutou contra a ditadura? Nem na casa do caralho!
Se votarmos em Dilma pra presidente, teremos talvez, entre todos os presidentes, a mais inteligente que se aliará ao social do mais populista e enfim estaremos prestes a chegar ao Primeiro Mundo. Enquanto países de primeiro mundo se corroem de inveja do nosso poder financeiro, social e democrata. É angustiante o jeito como a boataria tem influenciado os eleitores que tiveram os cérebros murchados depois da ditadura, do jeito que o Serra gosta.
E como diria o Lula: Democracia não é somente ter o direito de protestar, mas também ter o direito de ter, no mínimo, três refeições diárias.
quarta-feira, 29 de setembro de 2010
Sexo, morte e boom...
As pessoas me rodeavam, o bar estava cheio, não sabia ao certo o que havia acontecido, mas havia muito sangue, as cervejas já vazias tremiam sobre a mesa e a mesa, a mesa parecia feita de papel. Ouvia gritos parecia que em algum momento poderia piorar, um homem cortado pela metade ao meu lado, duas mulheres que se beijavam no canto do bar, dois homens que trepavam em cima do balcão e eu no chão. Não sabia como agir, alguns que ligavam pro homem que definhava ao meu lado, alguns que cuspiam na minha cara e outros que elevavam o prazer carnal. Um fetiche, ou estavam simplesmente se despedindo do jeito que podiam. Achara que fosse o fim do mundo, achara que o homem que tocava um folk ao lado de fora estivesse à espera da vinda de Jesus Cristo. E as mulheres que me odiavam estavam todas ali, olhando pra mim, cuspindo em mim, pisando em mim, meus olhos inchados, meu nariz sangrando, o caos, a arte, o desejo, o sexo, as mortes, tudo no mesmo lugar. A humanidade deixara de ser humana há muito tempo e eu me corrompia, gritei ao dono do bar que me servisse a ultima dose de conhaque, ao menos era o que eu achava que seria, você pode fazer qualquer coisa quando acha que está prestes a morte, então faça qualquer coisa como se esperasse a morte; independente do que esteja acontecendo. Se sua saúde estiver boa, se sua fé se mantem intacta, se seus poros não fedem tanto quanto acha que deveriam feder numa situação de morte. Se seu ego não é o mesmo de anos atrás, se você está feliz, se não está feliz, se a morte estiver distante, simplesmente faça. E entrou uma mulher linda, de cabelos ruivos, de olhos grandes e castanhos, de um sorriso imenso e contagioso, com unhas bem feitas, um esmalte bonito, marrom, uma blusa branca, uma calça jeans e um tênis, a roupa pouco importava, porque se não fosse de gala, ainda assim parecia que tudo era uma festa. E ela saca uma arma, aponta pra mim e diz: é na cara, seu filho da puta. Na cara, pra entrar no cérebro, desgraçado. – O cara do bar gritou pra antes esperar eu tomar meu conhaque, trouxe, me segurou pela cabeça, me levantou, me deu o conhaque, se afastou e boom...
segunda-feira, 27 de setembro de 2010
Cerveja, frango e cigarros.
Quando a encontrei sabia exatamente o que queria. Fato é que as cervejas não estavam tão aguadas aquele dia e que o frio posterior ao calor era impactante. Que não existia o diabo, que deus era um ponto de referência e que o amor, ah, o amor, não se podia ter certeza. Numa cidade em que você vive a vida sem muitas relações com as pessoas que se garoam mais que o tema, que escorrem no asfalto, que entram pelo bueiro e somem e depois vai saber se encontra num carnaval, numa praia, depois de uma caminhada pelo rio Tietê! Talvez fosse a primeira vez e ultima. Talvez não fosse nem a primeira vez, você tinha tanta certeza que ali, aquele encontro, entre cervejas e frango a passarinho, cigarros de filtro branco e outros de filtro vermelho, vermelho pelo bairro rodeando o tema japonês, a fim de não sei o que a não ser brilhar teus olhos, você poderia morrer. Agora sim, você pode morrer e eu sorria.
Ter a oportunidade de se lançar ao acaso que ela correspondera, ter a oportunidade de amar uma mulher pelo sorriso e sem ter a exata precisão do corte, sentir seu coração pulsando na palma da mão e perdera aquele seu extinto tão somente libertino pra aprender que agora, agora já não era tão tarde quanto se imaginava, ela segurava minha mão e me dizia que estava com cara de derrotada e não sabia como eu a poderia achar linda. Mas achava.
Fumar um cigarro, ter a sorte de reencontrar o ex-namorado dela passando por ali, um amigo, quiçá. E você vai andando pelo pensamento e relembra que muitas vezes teve mulheres num tom esclerosado e que não tinha desejo de deitar ao lado de outras, mas se ela quisesse o colo tava livre, o coração quase cheio dessa felicidade toda. E que a boca era linda, os olhos brilhantes o cheiro como nenhuma outra. Não se pode resistir: Cala a boca. E beijei, é, era mais do que esperava. Era macio, preciso e arredio. Acabei caindo em tentação e não paramos. Por fim, sete cervejas, frango a passarinho, cigarros, frio e um monte de beijinhos. E nos despedimos. “Belezas são coisas acesas por dentro” (Otto) – e o metrô não era chato cheio, o trem não demorou muito e o bar foi o próximo destino, desacompanhado.
Ter a oportunidade de se lançar ao acaso que ela correspondera, ter a oportunidade de amar uma mulher pelo sorriso e sem ter a exata precisão do corte, sentir seu coração pulsando na palma da mão e perdera aquele seu extinto tão somente libertino pra aprender que agora, agora já não era tão tarde quanto se imaginava, ela segurava minha mão e me dizia que estava com cara de derrotada e não sabia como eu a poderia achar linda. Mas achava.
Fumar um cigarro, ter a sorte de reencontrar o ex-namorado dela passando por ali, um amigo, quiçá. E você vai andando pelo pensamento e relembra que muitas vezes teve mulheres num tom esclerosado e que não tinha desejo de deitar ao lado de outras, mas se ela quisesse o colo tava livre, o coração quase cheio dessa felicidade toda. E que a boca era linda, os olhos brilhantes o cheiro como nenhuma outra. Não se pode resistir: Cala a boca. E beijei, é, era mais do que esperava. Era macio, preciso e arredio. Acabei caindo em tentação e não paramos. Por fim, sete cervejas, frango a passarinho, cigarros, frio e um monte de beijinhos. E nos despedimos. “Belezas são coisas acesas por dentro” (Otto) – e o metrô não era chato cheio, o trem não demorou muito e o bar foi o próximo destino, desacompanhado.
quinta-feira, 16 de setembro de 2010
Ladainha pra boi-dormir!
Fazia as coisas se aprofundarem mais divinamente, era de fato uma das minhas qualidades, minha imaginação fluía lentamente, como quem quisera conquistar o cabo das tormentas. E se deus não se fazia presente, era minha vez de abençoar a água que pungia minha vida de esperanças: a cerveja.
E todas estavam presentes ali, na minha frente, qual quisesse, entre o amor e a alma, o dilúvio no navio era quase que um dos destinos de Hitchcock. Há muito tempo não pensava em nada que pudesse desfazer minha sensação anestésica, as mulheres, as dividas, o sexo, a dor do corpo, mas chegava uma hora que bastava extirpar e extirpar a mim era a única coisa que não sabia fazer divinamente. Falta de coragem, talvez.
E bebia, a mesa cheia de garrafas vazias e eu pedia mais, e o garçom, muito meu amigo, trazia duas e cobrava uma, ele sabia o que eu passava, na verdade ele havia me dito que fazia isso porque tinha raiva do dono do bar, mais tarde descobri que o dono do bar era ele mesmo. E pensava que todas as pessoas, todos os seres humanos, tinham nojo de si mesmos em algum momento na vida, fosse pelo que fosse e fazia questão de cutucar a ferida pra que a coisa fosse mais realista. Você pode passar pela vida tocando sinos, ouvindo sermões, tentando seguir uma vida mais confortável e ter à frente um motivo pra acreditar que essa clausura é incontestável porque tens o céu logo adiante. Entre o inferno e o céu, qual? Ou você pode simplesmente esquecer tudo isso, deixar de lado, sentir-se bêbado pela cerveja que foi criada pelo homem mais filho-da-puta do mundo e que devo agradecê-lo até a morte. Sentir-se feliz pelas mulheres que desfilam nuas à sua frente na zona que freqüentas desde os seus dezoito anos e cada semana tem uma mulher diferente à sua espera. Você tem que passar a vida com seus problemas, é inevitável, porem, entre martirizar-se à espera do perdão divino e aproveitar enquanto há tempo na sua única chance de viver pra ser o que és de fato, o que fazes? Eis seu “eterno retorno” e Nietzsche há de concordar com essa ladainha dos infernos.
E todas estavam presentes ali, na minha frente, qual quisesse, entre o amor e a alma, o dilúvio no navio era quase que um dos destinos de Hitchcock. Há muito tempo não pensava em nada que pudesse desfazer minha sensação anestésica, as mulheres, as dividas, o sexo, a dor do corpo, mas chegava uma hora que bastava extirpar e extirpar a mim era a única coisa que não sabia fazer divinamente. Falta de coragem, talvez.
E bebia, a mesa cheia de garrafas vazias e eu pedia mais, e o garçom, muito meu amigo, trazia duas e cobrava uma, ele sabia o que eu passava, na verdade ele havia me dito que fazia isso porque tinha raiva do dono do bar, mais tarde descobri que o dono do bar era ele mesmo. E pensava que todas as pessoas, todos os seres humanos, tinham nojo de si mesmos em algum momento na vida, fosse pelo que fosse e fazia questão de cutucar a ferida pra que a coisa fosse mais realista. Você pode passar pela vida tocando sinos, ouvindo sermões, tentando seguir uma vida mais confortável e ter à frente um motivo pra acreditar que essa clausura é incontestável porque tens o céu logo adiante. Entre o inferno e o céu, qual? Ou você pode simplesmente esquecer tudo isso, deixar de lado, sentir-se bêbado pela cerveja que foi criada pelo homem mais filho-da-puta do mundo e que devo agradecê-lo até a morte. Sentir-se feliz pelas mulheres que desfilam nuas à sua frente na zona que freqüentas desde os seus dezoito anos e cada semana tem uma mulher diferente à sua espera. Você tem que passar a vida com seus problemas, é inevitável, porem, entre martirizar-se à espera do perdão divino e aproveitar enquanto há tempo na sua única chance de viver pra ser o que és de fato, o que fazes? Eis seu “eterno retorno” e Nietzsche há de concordar com essa ladainha dos infernos.
sexta-feira, 10 de setembro de 2010
Aznavour e o acaso.
Ela havia acordado num dia diferente de todos os outros. E pensava que ali, aquele momento, num domingo o acaso lhe seria mais grato que o normal. Era vaidosa, tinha mais de 300 tipos de esmaltes, creme pras mãos, cabelos, tinha um espelho grande no quarto, era a fim de soluções diversas pros cabelos, agora, estava dourado. Pintou as unhas com um vermelho inconfundível, abriu as mãos, olhou bem e pensou: muito puta? Claro que não. Depois do banho, uma espichada de Poivre Caron, lingerie negra, mais que provocante, um vestido roxo, uma bela analisada no decote e se diz gostosa o suficiente pra enfrentar o acaso. Frente ao espelho, olha pro teto, como se acreditasse em deus o suficiente pra agradecer pela beleza que houvera feito.
Ele liga pra ela, e diz que não está bem, mas ela não precisa se importar, ela pede pra dizer o que acontece, ele diz que não está bem, e não sabe muito bem de onde vem e que pensar efusivamente tem condicionado o coração a bombar no mesmo sentido. E que ela é apaixonante, que seu cheiro de baunilha vara as madrugadas acompanhado no vento sulista e blablabá e ela desliga o telefone pra não ouvir nada que pudesse desfazer o acaso. Ele ouve o tun-tun-tun como se fossem passos de um bicho na floresta vindo aterroriza-lo, não faz sentido, bebe mais um pouco de uísque, acende um cigarro, sente o corpo fedido, lembra de não tomar banho há três dias e que ela faz tanta falta que parece que já faz parte do passado enquanto azvanour toca “she” no lado oposto do long play e ouve o barulho dos riscos mas que tanto faz também porque agora-é-a-hora-que-deus-castiga-pelo-tormento-do-amor-aquele-que-desdenhou-tanto-tempo-mulheres-em-troca-de-conhaques.
Ela chega na temakaria, ouvira no táxi que estava bela demais pra estar desacompanhada, mas não esquecera que o acaso estava preparando algo, e que algo seria mais que uma companhia boa e um salton. Comeu um shimeji, limpava delicadamente com guardanapos pra não tirar da boca o desenho que o batom havia feito divinamente, o garçom simplesmente adorava aquela que estava ali sentada, com olhos brilhantes à espera do acaso. Telefone toca e ela olha, pensando que pode ser o idiota novamente querendo se declarar. Atende a fim de exalar menosprezo, mas não, é outro, ela o convida, ele aceita, o acaso estava firmado. Quando chega, senta ao lado dela, da-lhe um beijo no canto da boca, ela olha no espelho pra ver se manchou, sente a calcinha umedecer, pensa no que estava ruim ao telefone, sacode a cabeça, como um gesto possível de esquecer algo que angustia, chama o rapaz pra sair dali, ele diz querer um temaki antes, ela fala que depois, vão pro quarto dele, cheira sexo, bebidas e cigarros, ela o ama, como se fosse o acaso, lisonjeando e o adorando pela chance do prazer, ouvindo save your scissors do Dallas Green que o ouro havia apresentado, mas que agora este lhe estocava unicamente um pinto, que era o único sentido que ela queria naquele domingo.
Acordou dolorida, ressacada e com um gosto de cogumelos na boca. Que shimeji delicioso aquele – refletia, enquanto abria o sorvete corneto que gostava e se deliciava como se fosse criança. E se lembrava d’Ele, com dó, por ter enchido a cara, ouvido Aznavour e ter tido à fora a chance de ter se entregado ao amor, que ela preferia nomear de acaso. Ele fuma o ultimo cigarro, bebe o ultimo gole de uísque, quebra o Aznavour e dorme durante o dia, mais um, sem tomar banho.
Ele liga pra ela, e diz que não está bem, mas ela não precisa se importar, ela pede pra dizer o que acontece, ele diz que não está bem, e não sabe muito bem de onde vem e que pensar efusivamente tem condicionado o coração a bombar no mesmo sentido. E que ela é apaixonante, que seu cheiro de baunilha vara as madrugadas acompanhado no vento sulista e blablabá e ela desliga o telefone pra não ouvir nada que pudesse desfazer o acaso. Ele ouve o tun-tun-tun como se fossem passos de um bicho na floresta vindo aterroriza-lo, não faz sentido, bebe mais um pouco de uísque, acende um cigarro, sente o corpo fedido, lembra de não tomar banho há três dias e que ela faz tanta falta que parece que já faz parte do passado enquanto azvanour toca “she” no lado oposto do long play e ouve o barulho dos riscos mas que tanto faz também porque agora-é-a-hora-que-deus-castiga-pelo-tormento-do-amor-aquele-que-desdenhou-tanto-tempo-mulheres-em-troca-de-conhaques.
Ela chega na temakaria, ouvira no táxi que estava bela demais pra estar desacompanhada, mas não esquecera que o acaso estava preparando algo, e que algo seria mais que uma companhia boa e um salton. Comeu um shimeji, limpava delicadamente com guardanapos pra não tirar da boca o desenho que o batom havia feito divinamente, o garçom simplesmente adorava aquela que estava ali sentada, com olhos brilhantes à espera do acaso. Telefone toca e ela olha, pensando que pode ser o idiota novamente querendo se declarar. Atende a fim de exalar menosprezo, mas não, é outro, ela o convida, ele aceita, o acaso estava firmado. Quando chega, senta ao lado dela, da-lhe um beijo no canto da boca, ela olha no espelho pra ver se manchou, sente a calcinha umedecer, pensa no que estava ruim ao telefone, sacode a cabeça, como um gesto possível de esquecer algo que angustia, chama o rapaz pra sair dali, ele diz querer um temaki antes, ela fala que depois, vão pro quarto dele, cheira sexo, bebidas e cigarros, ela o ama, como se fosse o acaso, lisonjeando e o adorando pela chance do prazer, ouvindo save your scissors do Dallas Green que o ouro havia apresentado, mas que agora este lhe estocava unicamente um pinto, que era o único sentido que ela queria naquele domingo.
Acordou dolorida, ressacada e com um gosto de cogumelos na boca. Que shimeji delicioso aquele – refletia, enquanto abria o sorvete corneto que gostava e se deliciava como se fosse criança. E se lembrava d’Ele, com dó, por ter enchido a cara, ouvido Aznavour e ter tido à fora a chance de ter se entregado ao amor, que ela preferia nomear de acaso. Ele fuma o ultimo cigarro, bebe o ultimo gole de uísque, quebra o Aznavour e dorme durante o dia, mais um, sem tomar banho.
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