terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Alta Voltagem

Não me ames, pois não presto,
sou o resto de tudo o que abominas.
Sou sem causa a prostituta, a louca,
aquela que não quer amar para não morrer.
Não olhes em meus olhos, eles mentem
a doçura que não tenho,
escondem a futilidade que amo.
Não me venhas com lágrimas
ou juras de uma vida cor de rosa
prefiro morder a carne a jurar-te
amor que não podes cuidar.
Se tens ainda amor-próprio esqueças.
Partas para as meninas de olhares miúdos,
donzelas fingidas são mais santas que eu.
Sem olhar para trás sigo pelo meu calvário
e tua lembrança não cabe na fumaça
dos meus relicários pernas&camas.
Te dei do corpo a alma e consumistes
de maneira errada o que era para ser ternura.
Arrume a mala, caía fora que a hora corre
e de todas as mentiras pesque as verdades.
Procuro alguém, outro alguém para amar.
Será?

Eliane Alcântara.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

mande lembraças a Deus.

Adiantava dizer a ela que eu não aguentava nem fumar os velhos cigarros de quem eu tanto gostara a vida inteira? E que ela não bastava mais, e que viver por ela já não rendia mais frutos, que meus sonhos, minhas realizações, que meus tempos dentro dela já não tinham mais valia?
Ter uma vida vivida num cofre, tentar adivinhar o que a vida tinha de melhor sentido, já não era mais pra mim, que tem gente que confunde luxo com luxuria, sempre fui luxurioso, porém nunca luxuoso. Meu estado era deprimente.
Já não comia muitas mulheres, aliás, não comia nenhuma, não tinha amor, tinha dois pulmões que me martirizavam, tinha um amor lá nas Minas Gerais de José que não existem mais, meus livros haviam vencido, a língua que eu falava mudara de sentido, haviam regras que não permaneciam mais, eu queria ler Bukowski, mas Bukowski não tinha mais. Queria uma casa, mas não tinha paredes, nem teto, nem rede. Queria um amor, mas não existia coração, até que não quis mais nada. Só um ou dois cigarros pra eu não passar a noite sem companhia.
Nunca tinha conhecido alguem mais doente que eu, mais debilitado, havia algum momento na vida em que eu tentava levantar, mas era só pra sentar na latrina outra vez e cagar tudo que tinha vivido, eu queria morrer, mas morrer não vingava – era de propósito que Deus me ressuscitava toda vez que eu morria.
Daí descobri que não adiantava dizer a vida que eu não aguentava mais vivê-la, não vou dizer mais. Prometo!

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Não sou bom em poemas! [232588471]

Lembraria dela durante o dia e diria: Você é linda.
Aquilo me surpreenderia porque não era pra todas, mas pra uma.




Como uma caixa d'água estava com
a bóia quebrada e em mim transbordava o que viria
dela.

Mas era uma discípula de Anaïs
Nin e me punha a teus pés.
Seus óculos me excitava, mas
sua boca, sua boca era tudo
que fazia minha idéia de - Não
me rendo à beleza- cair por terra.

Era uma mulher, tinha nome,
pouca idade, muitos sintomas,
me conquistava mesmo quieta
e a cada vez que abria a boca era
pra excitar meu coração pela primeira ou milésima vez.





Mas estava lá. - Sem o Téo.



Téo.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

woman in a box.

Começamos com ela me corrigindo so“m”brancelhas.
Ela estava muito oculta, não sabia de onde vinha. De repente apareceu n’uma caixa de vidro, nossa, era linda. Não era pálida, mas era branca, não era chata, mas era menina, não era mulher, mas tinha corpo de uma, foi aí que usei a palavra certa pela primeira vez:
- Você tem uma sobrancelha linda.
N’ela continha olhos que sorriam, havia um nariz bem desenhado, parecia feito por um compasso, sorriso lindo e a cada expressão lançava um diferente do primeiro. Ela me excitava, cara. Eu tinha nela o contexto que fora falso pra tantas outras mulheres anteriores que eu pude tocar, mas ela estava ali, na caixa de vidro.
Começou a me seduzir; era tremendamente gostosa, tinha uma bunda redonda, seios pequenos, mas duros, não, diria – medianos. E minhas mãos ansiavam a botá-las na palma, mas encostava no vidro, nada sentira, nada sentiria, nada senti. Queria dar-lhe o céu – eu estava apaixonado – ainda que eu ache que pra ela serviria se lhe desse só as estrelas ou meu pau pra lhe satisfazer. Ela estava tão excitada, ela tirou a roupa dentro do vidro, ficou nua, me mostrou a boceta, enfiou um dedo na boceta, ficou de quatro encostada no vidro – me masturbei pra ela.
Tinha vontade de abraçá-la e a cada vez que sorria tomava mais um canto do centro de mim e sentia-me centrado nela. Queria deixar de ler Bukowski aonde eu estava, queria somente ler Manuel Bandeira e dizer a ela: E te amo como se ama um passarinho morto.
Ela conseguia me ouvir por um fone, um microfone sei lá, eu não sabia a qual andava minha consciência, quais eram meus cinco sentidos, estava me sentindo como que um peixe de dois metros, num aquário de um. Eu gritava, ela me ouvia e acenava com a mão pra eu falar mais baixo então eu disse: Você é tão gostosa – Era o máximo que eu conseguia em se tratando de romantismo.
Imaginava-me junto a ela, ali, na caixa de vidro, que parecia ser mais extensa do que o que me parecia, conseguia ver sofás, quadros, cores, a via tão deliberadamente sem pudor, que era a vida que eu tinha sonhado pra mim, mas acho que não ela à ela.
Logo tirou um telefone de não sei aonde. Uai, ela estava nua e de onde viera? Não consegui ver de onde porque houvera virado a cabeça pra tentar me esquivar de mais paixões.
Tocou o meu telefone e alguem me perguntou:
- Quem é você? – com uma voz extremamente sulista e sexy.
- Sou o Téo.
Ela desligou o telefone e nunca mais vi a caixa de vidro, nunca mais vi a guria dentro da caixa, nem fora, nem eu.

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Cheers.

Descia degrau por degrau com os olhos marejados, estava triste, desesperado, o coração estava a ponto de explodir. Seu corpo tremia, suas mãos suavam – estava cada vez mais distante do que poderia ser naturalidade. Sentia falta de algo que não sabia, buscava esconder-se em algo que não deveria, tentava-se achar em cada lance de escada, jogado no canto, no reboco da parede, no corrimão enferrujado, nos bocais queimados no teto, no forro cheio de cupim, nos brindes sem gosto de vida, na vida com gosto de morte; onde ninguem houvera procurado.
Foi ao bar, tomou cervejas, viu mulheres, escreveu um ou dois poemas num guardanapo, depois amassou-os e tocou fogo com o isqueiro que acabara de acender um cigarro, estava embebedando-se. Arrumou uma companhia, voltou ao quarto – agora subindo os degraus desesperadamente – levantou a saia da moça, comeu até senti-la escorrendo no pau dele e depois pediu pra que ela fosse embora; ela hesitou, mas foi.
Já não entendia o modo como vivia, ia de um lado pro outro sem contar os passos, eram tão compridos e confusos. Amava toda mulher que ficava, mas só na hora do sexo, queria viver tão paradoxalmente que criava algo que não era possível pra ele e bem que sabia. Estava tão entregue a esperança de amar alguem que viesse da lua, estava tão idiota a procura de um romantismo barato, já não fazia boas coisas. E os dias continuavam.
Descia degrau por degrau com os olhos marejados, estava triste, desesperado, o coração estava a ponto de explodir. Seu corpo tremia, suas mãos suavam – estava cada vez mais distante do que poderia ser naturalidade. Sentia falta de algo que não sabia, buscava esconder-se em algo que não deveria, tentava-se achar em cada lance de escada, jogado no canto, no reboco da parede, no corrimão enferrujado, nos bocais queimados no teto, no forro cheio de cupim, nos brindes sem gosto de vida, na vida com gosto de morte; onde ninguem houvera procurado.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

morta.

Era usual o que se pensava, estava ansioso pra vê-la mais vezes, nos despedimos com um beijo na bochecha depois de fodê-la o dia todo sem beijar na boca, eu morri de medo de me apaixonar e como diria Bill de Bukowski: Se apaixonar por uma viva já é uma idiotice, quem diria por uma morta. – Ela era uma morta de alma e corpo pra mim.
No outro dia ela entrou pela porta, me disse: Bom dia, Téo. E eu disse: Bom dia, Alessandra. Como se nada houvera acontecido no dia anterior, mas minha frieza devia ser atraente, ela abaixou, abriu o zíper da minha calça, abriu o frigobar, deu uma cerveja na minha mão, e com a mão gelada pegou o meu pau – me arrepiei, claro – mas ela continuou com aquele pau na mão e fora colocando na boca, e chupava, como que se fossem acabar os pintos do mundo e não sobrasse nada pra jorrar na boca dela. Por fim, foi a melhor chupada que recebi na vida.
Porra, pior que ela chupava muito bem, ela era muito linda, metia melhor que qualquer puta de zona que eu já tive na vida e continuo sem saber o porquê cargas d’água era ainda apaixonado por uma outra, que conheci tempos antes e que não esquecera jamais. Ela é linda, cara. – a mulher que amo, digo. – Ela tem um charme todo especial, ela faz o que ninguem faz, ela ama como ninguem ama, ela é distante como ninguem, ela me odeia como tantos, ela me esculacha como muitos e ela tem nojo de mim como todas que tive antes dela. Já dissera uma vez: Eu te amo, e por mais que hajam outros corpos sexuais você é o único coração que quero me abrigar, mas não adiantou. Sem querer chamei o nome dela enquanto comia a Alessandra na minha sala, a Alessandra me amava tambem, como algumas outras se atreveram antes, mas ao ouvir o nome da rival levantou, foi até a sala dela, vi pelo vidro pegando um pote de remédios e tomando... corri até a sala, liguei pro hospital, socorreram-na e fui acompanhando na ambulância.
Estava desesperado e quanto mais batia mais insistia em bater e ela pedia pra que – arfando o peito desesperadamente - batesse mais, mais intensamente e batucava, e pulsava e batia, batia até quase sangrar, o coração por fim parou de bater.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

óloga.

Eu achava que aquele lugar não era pra mim, e ela como psicóloga me deixava doido pra saber a quais loucuras ela se doava por inteira, ela tinha cara de sapeca e eu adorava aquele jeito moreno, indiano, sei lá do quê o quê que vinha da face dela, mas me parecia que ela chupava e eu adoraria que chupasse muito bem.
Aquele lugar me parecia uma quarto negro, uma obscuridade imensa, que eu adoraria ficar ali se fosse a sós com ela, mas haviam seis ou sete pessoas a mais, não sei ao certo, porque não dei bola a eles e daria bolas e pau pra ela mais tarde.
Enquanto ela se levantou, me disse: Com licença, Téo. Preciso ir ao banheiro e na frente de todos, eu afastei minha cadeira da mesa – poderia ter puxado pra frente -, mas afastei e ela se reclinou, ficou quase de quatro e passou com aquela bunda maravilhosa quase arrastando na minha cara.
- Às pessoas que passarem eu ligo. Disse a psicóloga. (aquilo era uma entrevista de emprego e eu nem me senti lá).
Enquanto as pessoas levantavam pra ir embora, eu deixava-as passar e me imaginei naquela mesa de mármore, ela de pernas abertas, muito gostosa e eu comendo ali, mas, sei lá, eu tinha que sair da sala ou ficava maluco. As pessoas saíram e ela ficou a sós, ali.
Fui à um bar, pedi uma cerveja que trincava, era frio, estava frio, muito frio, cara. Mas eu estava quente, hot, um cachorro-quente, você não tem idéia do quanto minha salsicha fervia ao imaginar ela dando uma mordida bem de leve, como em comerciais de torradas. Fui ao banheiro do bar, bati uma bela punheta, desejei ela pelos três minutos que fiquei com meu pau na mão. No outro dia ela me ligou, disse que havia passado na entrevista dela e que começaria na próxima semana. Mas não fui, não iria, eu não trabalho nada além do meu pinto, não num lugar que ela não esteja.



Téo.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Todo errado.

E de tanto procurar encontrou o mais difícil do mundo; que não podia ter por mais de alguns minutos em alguns dias doloridos.
E tentava achar a sorte em alguma coisa que de nada abria-se ao temor do azar.
E abria seu leque, e procurava um desenho, tentava achar o futuro, uma paisagem de Goethe, um livro de Wagner e uma musica de Modigliani; mas o leque era branco.
E pensava consigo: Poderia ter ido contigo, meu bem. Estourar as bolhas de teus pés, navegar no mesmo barco que as águas te emergem, submergir no teu quarto à meia-noite e ter o teu cheiro na amplitude do meu sexo e fazê-lo, tê-lo, gozá-lo sem deixar escapar um momento do nosso prazer.
Daí veio, e procurava nos milhos uma chance de voar como pombos e de nada havia senão uma merda cada vez mais fedida e hostilizava a Deus como se fosse de tudo culpado, e era.
Não achava a razão dos teus sentidos, era burro, tornara-se burro, fora-se de fato um idiota nonsense, e agora, mais do que qualquer torturado, estava sob tortura da própria razão e a cada minuto que a razão dizia o nome dela, agora era anônimo e ela era a mesma, com o mesmo nome, andando por onde ninguém sabe, ninguém soube ou saberá. Nem ela.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Como conquistar um grande amor

A arte da sedução por milênios é ensinada, alguns desenvolvem habilidades específicas e conseguem tirar melhor proveito desta, somando-a as características de sua própria personalidade.

Farei uma apresentação de como conquistar um grande amor, um amor para toda a vida, eterno.
Não se esqueçam de responder com seus resultados, caros amigos.

A arte de amar pode ser comparada à arte da pesca.

1º É necessário uma vara.
2º É preciso saber usar a vara.
3º A isca é um mero detalhe nesta arte, saber usar a vara é suficiente e muito melhor que a utilização de uma minhoquinha.
4º Deixe a vara bem ereta e os peixes (sereias e bacalhaus) virão até você.
5º Coma o peixe.




Por Rodrigo Silva.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

A mim.

Que a mim nada sobra depois da porra toda ejaculada? E que o amor que veio foi o mesmo que foi e que as coisas nunca precisam ter sentido pra acontecerem, mas tiveram.
E procurar com uma visão soturna do que é tão claro é cegar-se lógicamente. E você que é clara, não me substitui nada a falta que já fazes. Se puder ser feliz seja, mas o amor de nada vale. Se a mim que sou tão inconstante e mudo como se muda a cor de um camaleão, justo a mim que mudo como se "nada" pudesse ser "tudo" ao viès de minha crença; como se sempre a sorte é revés pelo meu destino a mim concedido eu lhe imploro - seja feliz, mas não apostando na sorte, nem no amor, pr'os dois é preciso sorte e não temos, meu bem.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Carta à amiga.

Não lembro como chegamos até lá,aliás, eu queria mesmo esquecer tudo, tudo que passamos naquele dia. Lembro que na hora de trepar ele pôs aquele pau pra fora, ele chupou minha boceta, ele fodeu, mas fodeu mesmo, porque tava seca, eu não tinha tesão por ele. Gemia baixinho pra que ele pensasse que meu tesão era introvertido, mas é que se eu gritasse, um pouco mais, ele veria que era mentira.
E de repente - chamei outro homem pelo nome. E ele continuou dizendo: Não sabes ou não lembras meu nome?. Eu não havia o que falar, eu havia me depilado, havia pensado que quando ele me chupasse eu gozaria na boca dele, que quando ele dissesse: Sexo. Eu esqueceria o amor e só quereria sexo. Veja bem, amiga. Escrevo esta carta pra que não me julgue ter brincado com seu namorado; mas não dá pra realizar seu fetiche bem feito de dizer que seu namorado comeu a sua melhor amiga e veja se isso é lá fetiche
que se tenha, é que depois que descobri o amor, não consigo diferenciar o sexo do amor e o homem que amo persiste e perdura em mim aonde quer que eu esteja. Procure
outra amiga pra te dizer que seu namorado é bom de cama, o amor me impediu de fazer isso.


por Téo.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Para quem já não sabe chorar

Qual a composição da lágrima?
De que é feito o choro? Não falo do suspiro que nos preenche a morte do astro do cinema ou das novelas, nem daquele choro falso e cruel de uma desilusão amorosa, que é esquecido com a vinda de um novo amor. Falo do choro dos que desaprenderam a amar, do choro simples e puro daqueles que o coração há muito parou e nada, nada têm. Já não tem a vontade de buscar uma vida melhor, não tem vontade de ver o sol nascer, pois sua vida é um eterno poente.

De onde é que vem esse sopro que de repente nos transborda o peito, deixa um leve desconforto no pescoço e nos faz querer fugir e não ouse escapar pela boca, pelos pensamentos sequer e nos vaza os olhos ainda sem permissão?

Há poucos momentos assim nos quais me sinto impotente...momentos em que sou tão estúpido e minha percepção me alerta para tamanha estupidez e já não há mais nada a fazer, momentos de impotência frente a corrupção e minha incapacidade de enfrentar o corrupto com mais corrupção, nos quais parece que meus valores falam mais alto e me impedem de progredir, orgulho invejado das crenças e valores que se perdem no preço das coisas...a impotência que nem a puta pode vencer, a impotência de não querer ser tratado como carne nem tratar o outro assim.

Nessa hora, em que vemos o que a humanidade é. Do que somos feitos, do mais puro tecido de miséria e sujeira, se alimentando das nossas próprias fezes, defecando ódio e indiferença.
É disso que essa lágrima é composta, de nós mesmos, de um monte de coisas sem sentido que não há como nomear, é feita de nós...de fora pra dentro e de dentro pra fora, estamos mergulhados em um mar de merda.


Por Rodrigo Silva.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

...

Se faltar desejos, os dias serão ríspidos a luz que me vem de qualquer lugar não pode ser verdadeira, as juras de amor muito menos, os tempo que me valem qualquer centavo, são os mesmos que valeriam milhões pra qualquer um de vocês, se eu lutei pra amar e perdi a luta, é um problema meu... Quando eu levantei vi que não tinha mais forças tem um escuro aqui do meu lado, na frente também, e também no resto dos lugares.
Se os amores eram felizes, sorte pro mundo, o meu era demais, capaz de enfartar qualquer coração o meu amor enfartou-me o meu amor foi por ali, e não volta a qualquer dia desses, conto uma estória qualquer pro meu coração dormir, o costume de me ficar agarrado me dilacera com facilidade, o amor que lhe tinha era muito e ainda é, e lhe tem, eu não mais tenho, não vivo, não fico em pé, temo, receio e morro sem coragem.
- Mas então o seu amor não é meu nem seu...
- Só porque eu disse que é divino?
- Sim peça ao divino que lhe pague os centavos pelo tempo que perdeu comigo...
- Sim peço, e peço a ele me julgar e me sentenciar a pena de morte
- Agora não cabe sarcasmo, nem demagogia muito menos choro.
- Sim o fim não representa nada?
- Só mesmo o fim...

Eles não têm culpa, não temos culpa, não sabemos amar, são coisas de premeditadas o erro o amor são grandes vícios, podemos nos perder, e errar poderia nos denunciar, mas queremos o orgulho, não se tem fogo pra abranger uma grande fogueira, não se pode iluminar os céus com um fósforo, aquela luz que vocês vêem durante o dia, é minha alma que tornou luz, por amar demais...

domingo, 21 de dezembro de 2008

Calçada

Praticamente via-se posto ao chão o rapaz que nem nome possuía mais. Possuído.
A uns dois quarteirões à frente a garota andava zonza, com medo de pisar no seu óculo, que havia caído sob forma indevida, não exatamente quando passou a procurar um novo rastro ao chão de alguém que te formava nova, momentaneamente. Há uns meses, anos ou décadas, já não se via tentáculos de felicidade, é-lhe tão impossível tentacular a felicidade; quanto ver aprazado um novo amor na vida do rapaz, sem nome a possuir.
A calçada era suja, mal-tratada, havia ratos por ali a roerem os lixos que ficavam presos nas estacas dos bueiros, a cagarem todo vão buraco que se constituía no concreto do canteiro, não sei, mas penso que o rapaz procurou o melhor lugar para definir o que havia dentro de ti, absurdo, mas encontrou, a calçada.
O óculo era vermelho, havia veia, corria sangue e o estranho: Andava sempre com a menina ao lado esquerdo do lugar onde se encontram os peitos. Era linda a menina, tinha pele, tinha cabelo, tinha pernas, mãos, mas acima de tudo inteligência, afetuosidade, caricia e um montão de coisas boas. A mãe dele, sim, do sem posse nominal, dizia para ela sempre “este é o melhor óculo que é possível ver em alguém, que enxerga a vida de forma perfeita, com previsões perfeitas e congrulações a alguém que ganha o teu podium e recebe troféu perfeito”. - Ela deixava ver o mundo com seu óculo. Havia sonhos no óculo, havia poderes de fazer alguém sonhar também, havia baixas inescrupulosas que outrem provocava a base da enganação que a fazia chorar com os olhos onde já não se encontravam os óculos. Era parte dela o que era parte dele e o sem posse nominal descobriu tão tarde que agora lhe restava, calçada, ratos, lixos e merda que ele se rendia tão obrigatoriamente quanto a justiça te impôs. A vida inteira sentenciado a ficar na calçada.

sábado, 13 de dezembro de 2008

Um livro.

Ficara até altas horas com drogas no bolso, com álcool na mente, com marolas na narina, com ela no coração. Havia máquinas de jogos em que nunca apostara, mas sempre havia esperança de ganhar. Tinha um tênis branco, usava-o com calças-sociais escuras, havia uma camiseta do radiohead, uma do velvet underground, uma do pearl Jam, uma do the doors, uma preta, outra verde e outra azul; das quais nunca se separava já havia alguns anos. A barba estava grande, cara, e era ruiva. Tocava um contra-baixo que soava só, a banda era paradoxo; acreditara que os satélites mandariam seu som pra marte e de lá, alguém captaria e botaria no que faltava em alguma banda pra completar.
Tirou um livro de bolso que não cabia no bolso; queria escrever algo àquela que faltara, sentira saudades, mentira tanto antes; que tudo agora era verdade e enfim; no anverso da capa escreveu: Faça o que quiser de mim, me bote pra servir-te, espere que eu chego já, eu não vou chegar. Estou exausto, me ajude a ler este livro? Vejo que não peso mais, não tenho massa, minha alma está mais pesada que meus músculos maltratados. Veja, meu bem. Não há nada que se aproveite em mim, mas me leia esse livro? Prometo que cada vez que falar de amor eu abro os olhos pra te olhar, toda vez que falar de ódio eu os fecho pra me olhar, toda vez que falar de mentira eu prometo abrir minha boca, toda vez que falar de virtudes eu prometo sorrir pra ti - ao sentir que são todas suas. Toda vez que leres a palavra "paixão" prometo sorrir e ao final, quando o rapaz ficar só ou morrer, prometo, mas prometo do fundo do coração que deixo você ir.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Ao fPensamento sobre o curta...

Um rapaz britânico acorda pela manhã, escova os dentes, olha-se no espelho e anda pelo corredor do prédio, um longo corredor, meio obscuro.
Encontra a (Amada – namorada – esposa – amante – amiga) tudo até aí no mais puro silêncio, e começa a tocar fade out do Radiohead, e eles começam a discutir, exatamente quando um passa ao lado do outro, se olham, e ele inicia uma longa briga, para a musica << não foi justo tudo que você fez, a vida esteve por um passo da felicidade.>> Ele diz olhando em direção dela. << nunca nada é justo, justaposto, justamente, injusto, o amor preterido pelo ódio é forma de egoísmo, você foi tantas vezes egoísta, quando amou de verdade, não soube se controlar? O que é este teu sentimento agora? Você aí, passivo, sem planos a não ser fuga de si, si só é só!>> Ele ainda insisti em dizer olhando pra ela. E quando a câmera chega perto, vira como se estivesse olhando pelos olhos dele e vê um enorme espelho entre os dois – ele falava com ele mesmo.
Ela vai, e ele fica. Um Cúpido – pensei que pudesse ser um ET, já que os ingleses crêem de forma insana neles – retira do corpo do rapaz a flecha, com muito esforço, o rapaz briga com o cúpido << O que é? Saia de minha, alma que atenta minha sanidade, saia>>Diz o rapaz. << Tenho que levar a flecha, não cabe-te mais, não é mais sua de direito.>> Diz o cupido. <> Diz o rapaz. << Tenho que ir... >> Diz o cupido.
Quando o cúpido retira a flecha, o rapaz cai em pedaços, todos espalhados pelo corredor, a esta hora um pouco mais iluminado, para que soem visão e o barulho dos cacos no chão... Volta a tocar a música, a alma do rapaz ainda inteira, fica pegando os cacos um-a-um de modo que as peças do corpo que ele pega têm chagas, e vai se montando novamente, a musica para de novo, ele fica se reconstituindo, chorando, e vão caindo as lágrimas nas peças do corpo, que vão se derretendo, escorrendo pelo corredor do prédio << Como assim? Como assim? O que de mim espera? Um amigo assim, um amigo assim? Como assim? “I don’t belong Here” Como assim? Como assim? Nossa vida… Ah, tudo escorre pelo meu dedo, Vocativo, vem cá vocativo. Eu perco a voz na hora do vocativo. Como assim? Como assim? Agonia... Why? Oh God... Como assim Deus? Como assim? Sim, é meu nome, é meu nome quem chamas? >> Diz o rapaz.
<< Sim é teu nome que chamo! >> Diz a morte. Quando a ultima gota cai e a última peça é derretida a musica toca novamente, volta a namorada chorando copiosamente, pisa no liquido que ele virou, vai até o apartamento, pega um pano seca-o, com o pano encharcado vai até o ralo do prédio e torce o pano, ele escorre pelo ralo até misturar-se com a alma e o lodo que está abaixo do ralo...

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Curta.

Um rapaz britânico acorda pela manhã, escova os dentes, olha-se no espelho e anda pelo corredor do prédio, um longo corredor, meio obscuro.
Encontra a (Amada – namorada – esposa – amante – amiga) tudo até aí no mais puro silêncio, e começa a tocar fade out do Radiohead, e eles começam a discutir, exatamente quando um passa ao lado do outro, se olham, e ele inicia uma longa briga, para a musica << não foi justo tudo que você fez, a vida esteve por um passo da felicidade.>> Ele diz olhando em direção dela. << nunca nada é justo, justaposto, justamente, injusto, o amor preterido pelo ódio é forma de egoísmo, você foi tantas vezes egoísta, quando amou de verdade, não soube se controlar? O que é este teu sentimento agora? Você aí, passivo, sem planos a não ser fuga de si, si só é só!>> Ele ainda insisti em dizer olhando pra ela. E quando a câmera chega perto, vira como se estivesse olhando pelos olhos dele e vê um enorme espelho entre os dois – ele falava com ele mesmo.
Ela vai, e ele fica. Um Cúpido – pensei que pudesse ser um ET, já que os ingleses crêem de forma insana neles – retira do corpo do rapaz a flecha, com muito esforço, o rapaz briga com o cúpido << O que é? Saia de minha, alma que atenta minha sanidade, saia>>Diz o rapaz. << Tenho que levar a flecha, não cabe-te mais, não é mais sua de direito.>> Diz o cupido. <> Diz o rapaz. <> Diz o cupido.
Quando o cúpido retira a flecha, o rapaz cai em pedaços, todos espalhados pelo corredor, a esta hora um pouco mais iluminado, para que soem visão e o barulho dos cacos no chão... Volta a tocar a música, a alma do rapaz ainda inteira, fica pegando os cacos um-a-um de modo que as peças do corpo que ele pega têm chagas, e vai se montando novamente, a musica para de novo, ele fica se reconstituindo, chorando, e vão caindo as lágrimas nas peças do corpo, que vão se derretendo, escorrendo pelo corredor do prédio <> Diz o rapaz.
<> Diz a morte. Quando a ultima gota cai e a última peça é derretida a musica toca novamente, volta a namorada chorando copiosamente, pisa no liquido que ele virou, vai até o apartamento, pega um pano seca-o, com o pano encharcado vai até o ralo do prédio e torce o pano, ele escorre pelo ralo até misturar-se com a alma e o lodo que está abaixo do ralo...

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Téo!

Ele acorda, e pronto pra se abster da vida, anda. Logo, ao andar se sente perto do serviço e vai trabalhar, fica o seu primeiro período inteiro na internet vendo sites de inutilidades, porém, muito pessoais. Conversa com os amigos relembra o dia de ontem.
Faz de conta que tudo esta bem, e esta bem e não seria necessário fazer de conta, mas ser falso é sempre mais fácil, brincadeiras daqui, brincadeiras dali, “Téo cara de pasTÈO”, infantilidades que só mesmo o tempo da hora do almoço oferece, prestes a lutar por alguém e prestes a desistir da mesma... ...tudo isso é fato.
Eu acompanhei esse rapaz por uns dias, não foi fácil, sempre longe de si mesmo e de tudo o que sonha, chega a dar agonia, quando se vê que vive, sem viver. Rapaz de paz, amor, adjetivos completos de vida poderia viver perfeitamente como tudo que queria viver, mas sempre tem entre lances de memória, e resgates de desculpas uma frase de um psicoterapeuta chamado Flavio Gikovate “Admiração é fator de escolha, e não de amor!” e sempre acha que o que escolhe não vai nunca poder amar, também pudera, seus gostos são péssimos.
Enquanto um coração queima, a vida se refaz é engraçado como esse pobre coitado sabe reviver sempre, ressuscita todo dia como se tivesse uma vida a cada hora que quisesse viver, e sempre as vivia.
Costumei a seguir sua sombra, e vi que poderia ser igual a ele, de cores, de bastões e palavras, depois de tê-lo, persegui-lo, vivê-lo e morre-lo, tive a ousadia de também ressuscitar, e as ruas não serviram pra andar. As folhas não serviram pra implante de oxigênio, não tive multas de transito, sim as tive e foram à toa, não tive exageros a serem julgados, eu quis viver como um téo viveria, eu quis viver e partir dali tomei posse desse ser, eu fui alma, ele corpo; hoje somos um, adiantaria mais os inteiros juntos, ele me completa, eu o completo vivemos a mesma vida, trabalhamos na mesma empresa, amamos a mesma mulher, ouvimos as mesmas musicas... ...numa cumplicidade de se tornar inveja a outros seres não completos, simplesmente humanos.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Caminhava, não tão só "nenhum de nós", caminhava. Uma caixa preta em seu caminho, alguns perfuradores de sonho faziam com que a paisagem fosse estragada ao pouco. Alguns estrondos musicais não reconhecia se Wagner, Chopin ou rock'n'roll. O céu escuro, sem estrelas, as pessoas sem face, não haviam rostos. Alguns Modigliani's nas paredes do tempo, alguns Chomsky's pelo pensamento perdidos. Não haviam notas musicais, também pudera, não sabiam tocar instrumentos; o que restara provinha dos povos que sabiam se encontrar nas idades de outrora.
E procurava o caminho, e a amava, por vezes havia discórdia, um que sumia o outro que não se achava e dizia ele: É como se eu não tivesse escolha, como se tudo me indicasse um único caminho, é como se tivesse que ir unicamente andando por ti, se tivesse que me prostrar, como que se eu tivesse que martirizar, como se meu sorriso, por ordem, só surgisse se eu fosse por ti. Como se eu não tivesse um par e fosse só ímpar, acontece que não quero ímpar e nem outro caminho. Não preciso de outra escolha.
E quando encontrou o caminho, o caminho andou sozinho.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Andando.

Estava no trem ao trem andara. Suado, feliz, perverso e apaixonado; mas a felicidade não provinha da paixão.
Com fones no ouvido, agora tocava "sex is on fire - Kings of leon" e batia o pé ao chão, mas queria agitar o corpo, seria banal se assim o fizesse. Lembrara-se de Tenessee Willians: O desejo é o oposto da morte. E continuava a desejar tudo que conhecia. Fez sexo ao decorrer da semana e ao domingo inteiro.
Era segunda-feira, não estava tão deprimente quanto tantas outras, por mais que havia céu nublado, por mais que havia malfeitores e pessoas feias no trem.
Lembrara-se do amor, o coração bateu mais forte, chamou-a pelo nome, ela estava longe, foi muito baixo, não gritou, gritar seria banal como agitar o corpo, então calou-se.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Bittersweet Symphony

É desesperador, o vento move tudo.
Tudo que quer o vento leva,
as melhores coisas do mundo,
é o vento quem arrasta.

Leva a paz, cala a calmaria,
ele é anáfora, às pipas euforia,
traduz-me ó vento o teu quebrante,
as clausuras do teu soar.

Vento pequenino e gigante,
dá-me o poder de carregar,
de borboletas a diamantes,
é outro meu desejar.

São dor e medo o teu sopro,
Agonia, tristeza e nojo.
Luto eterno por quem levou-me,
e no meu assopro vens quente do inferno.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

É!!

"Amei você até sua ida, quis um pouco de você e tive muito. Sua justa clareza me fez mais homem e por raros momentos menino como deveria ser. Queria ter um lacuna inc. comigo, ou que fosse tão fácil te esquecer, como foi te amar."

domingo, 9 de novembro de 2008

no name II

Porque era presente sua companhia, mas não existia condicionalmente. Informam-me que no mundo há átomos, mas nada te constitui; nem protoplasma.
Não há anseios mais, não há focos no nosso torpor, não há paz, não há carinho, não há atenção. O futuro é esse agora, eu sozinho e você a andar por aí.
Quando viemos, filmamos, lembra-se do filme que fizemos? Lembra-se das cores? Lembra-se como eram os passos na praça? Lembra aquele banco que sentamos? Lembra aquele desejo árduo de fazer amor no banco da praça? Lembra como éramos cheio deles? Mas tão cheios que explodimos e não queremos mais nada agora. Se eu pudesse te dizer, meu amor. Era como acordar a uma da manhã e abrir a geladeira, a luz incomodava, não havia nada além de água, acho que estou pobre novamente.
Agora acordo duas horas da manhã, não há geladeira, não há grades, não há água, minha boca seca, meus dentes roçam, minha alma sai e Deus não existe mais. É como se eu quisesse dançar uma valsa, mas não não dá pra segurar na mão do vento e nem sentir seu cheiro nele.

sábado, 8 de novembro de 2008

Conto do Telefone - Anderson Volpato.

Não é possível saber ao certo quantas imagens se obscurecem e se esclarecem momentos antes que uma pessoa adormeça. Acredito que os intervalos entre o sono e a consciência constituem um amplo portal para a passagem de nossos medos, fúrias, prazeres e, ao mesmo tempo, um descanso para o peso de nossas preocupações. São nevoeiros e abismos percorridos em minutos constituídos de outras propriedades. Foi no meio desta atmosfera embaçada, agradável e perigosa que um som familiar me despertou um dia desses.

O som pontiagudo e estilhaçado parecia dar braçadas no meio da obscuridade do meu estágio de entorpecimento. Parecia dar braçadas na escuridão do quarto, como um náufrago desesperado por ajuda.

Aos poucos fui retomando a consciência e percebi que o ruído ganhava forma e passou então a significar algo para mim: era o telefone! Levantei-me. A cabeça parecia pesada, pois quando esperamos algo avidamente, o cérebro parece só processar uma mesma informação, e o círculo vicioso torna-se matéria, pesa e fica estampado no rosto. A contradição presente em uma ansiedade sem esperança nos dá uma feição cadavérica, oblíqüa e rarefeita.

Minha cama fica não muito distante do aparelho. Mesmo assim, muitas vezes penso não chegar a tempo para atendê-lo. O telefone pode parar de tocar, penso. A pessoa do outro lado da linha pode imaginar que eu já esteja dormindo e desistir.

Às vezes, a saída do sono é como uma espécie de ressurreição. Ficamos um pouco parecidos a Lázaro saindo de suas ataduras e retornando progressivamente à vida. Ressuscito e desço da beliche com a esperança estampada nos vincos que o travesseiro fez no meu rosto.

O dia foi um pouco cansativo. Muitas coisas acontecem quando temos um campo perceptivo aberto e uma memória traiçoeira e sarcástica. Dizem que não existe vida interior e nem mesmo homem interior. Contudo, como explicar os duelos internos de quem se lembra da própria história e dos vultos do passado? Estamos em um teatro imaginário o tempo todo. Até mesmo diálogos solitários podem ser tecidos por horas em uma nova estrutura espaço/temporal. Na verdade, foram as falas flutuantes deste teatro que encheram as horas do meu dia antes da ligação.

Tendo descido do meu leito suspenso, meus pés quentes tocam o chão frio. Nunca encontro os chinelos. Meu corpo estranha a familiar posição de estar de pé. O incômodo que ele sente fisicamente é relativo ao incômodo que eu lhe proporciono mentalmente: a ansiedade em ouvir o irritante som do telefone. Imagino, cheio de certezas, o que há de latente neste som…

- Vamos lá! digo eu, vamos resolver logo o provável equívoco causado há alguns dias. Sinto um certo frescor curioso em ter esperanças tão simples no meio do grande ato da ressurreição do sono. Será apenas uma simples conversa!

À parte estas questões preliminares e claustrofóbicas, finalmente chego ao aparelho. Ainda tento tatear a parede na busca infrutífera pelo interruptor. Nem mesmo a luz mais forte seria capaz de clarear os torvelinhos das minhas sensações.

Fico frente a frente com o telefone. Minha mão hesita. Parece um bolo de dedos trêmulos e pálidos; parece um guardanapo embrulhado por mãos aflitas depois de uma refeição devorada sem apetite.

Enquanto isso, o som estridente, agora reconhecido enquanto estímulo opressor, continua. Minha esperança de que o aparelho pare de tocar e me deixe voltar para a cama é quase nula. Com certeza atenderei a ligação. É óbvio! Tenho algo muito importante a dizer! Sempre temos!

Lembro-me que certos momentos de indecisão como este já tiveram grande papel em minha nulidade social, profissional, espiritual etc, etc. Chega! Algo tão simples! Basta pegar o fone e ouvir a esperada interjeição ser pronunciada pela esperada voz: Alô!?...

Respiro fundo, verifico involuntariamente a escuridão do longo corredor ao meu lado e retiro o fone do gancho. Então, o som que penetra em meu ouvido esquerdo, ainda zumbindo pelos efeitos do sono, pode ser resumido graficamente em reticências esfumaçadas, porém, imponentes: Tum…! Tum…! Tum…! Tum…!

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

É!

Voltando à chuva, veio e disse: Como você incomoda, baby.
Num momento entre aspas girar o mundo é paradoxo? Tudo bem que nada pode ter sentido, ter sentido e não ter é como uma pá, que enterra o demônio pra posteriormente enterrar a Deus. Quantas pás de barro são necessárias pra enterrar com a mesma pá o que nos mata ou há de nos matar, pra sermos enterrados, mas como assim? Não sei.
Do que a alma é constituída? De água. Do que o amor é constituído? De água. Do que o corpo é constituído? Muita água. Do que o mundo é constituído? Bem, sei que é maior que nós e contém muita água. Porra, que sede.
Meus pensamentos não têm hesitado em aparecer, mas de forma brusca, sem lapidação, sem entendimento, sem posteridade, sem virtude e sem verdades.
Aí, a chuva olhou pra ela e disse: Você quem me provoca, bem!
Mas com tanta água, como pode a sede? Com tanto sentimento, como pode sofrimento? Com tanta virtude, como pode mentiras? Com tanta dor, como pode desprezo?
Mas como assim? Eu te provoco? – repetiu a moça. E a chuva morreu de dia, a moça a noite e o rapaz mais tarde, amanhecendo. Como que o coração explodisse, por uma freada contínua, uma pisada amarga e um café sem gosto.

domingo, 2 de novembro de 2008

O amor é uma dádiva.
O amor é um alicerce de paz e carinho.
O amor é um flerte fatal de Deus na gente.
O amor é um cu de bêbado.
O amor é um papel higiênico - reciclado - depois de ter limpado uma febre tifóide.
O amor é uma devassa da Augusta.
O amor é um Carioca insuportável.
O amor é uma idiocracia do veneno mais mórbido da naja indiana Maklin.
O amor é um ralo de fossa.
O amor é uma merda que fede - O qual não vives sem cheirar.
Nem eu.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

É que eu não nasço, sabe? De verdade a verdade é óbvia ululante sobre meu surgimento.
Mas, ainda assim, nem por pouco altruísmo alheio, conseguiram aliterar minhas vogais.
É que talvez, de fato, eu seja assim meio complicado, mas não impossível!

Um dia, ainda muito jovem, uns anos após meu surgimento, vi-me verter em sangue, sim, eu havia cortado meu dedo, era muito sangue, meu Deus. Era vermelho pra todo lado, eram glóbulos brancos que haviam dentro do vermelho – isso eu aprendi muito tempo Dê-pois no meu caderno, eu não fazia lição.
Dê, tenho saudades de você, manda um beijo pra Dona Relva, seu Severino e sua irmã que me dava asco; Geni.
Escrevo pra somente relembrar meu surgimento, eis que me finalizo, sabe, já não encontro mais quem esteja pra reinaugurar-nos, há muita noite lá fora, pouca lua, nenhuma estrela, muito vento – vejo transladando pelos nortes sulistas do céu. Não que eu esteja louco, olha, olha, veja como ele passa colorido, Dê, veja como não há sol, a noite está tão escura, tão intensa, sobretudo, está tão noturna.
Tem uma chaminé no vizinho, ele fez em dezembro à espera dum papai-noel, mas vou te contar um segredo: ali, juro, que ali, nem o pé do Papai-noel passaria. Vamos sair daqui? Vamos para o dia, dia seguinte.


- Quando estendo o braço pra acionar a parada do dia seguinte, Dê. Não tenho mais dedo pra apontar o sinal, me finalizaram antes do meu tchau... Tchau é tão parecido com Tiamo, não? Fale rápido e baixo: Tchau/Tiamo. É tão legal, parece que foram feitos pra serem usados no mesmo momento, pra finalizar. Tchau/Tiamo.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Lembro-me quando fui passarinho e ciscava e caía toda vez que desiquilibrava na bosta que cagara.
Quando voava era muito pouco, parecia o avesso do avesso do avesso. Logo caía emputecido com o deus que me criara tão passarinho e admirava os passarões.
E ciscava novamente, caía na merda novamente. E voava e não passava do mais alto que os dois metros de altura - aquilo era tão injusto.
Até que me joguei de uma árvore, bati a cabecinha e morri. Nunca consegui voar.
Agora sou humano, cago mais que caio, mas a bosta ta sempre presente nos meus desiquilibrios. Há sempre alguma coisa pior, só há bosta. Não há mais liberdade e nem dois metros de altura pra se voar.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Hoje acordei pensativo, tive regras ontem e durante todo o meu passado: os dias também foram todos regras, e eu pensei (pensar já se fazia regra), porém eu pensei, eu não quis mais tentar ser um homenzinho radical, que perdeu a capacidade de viver, por uma simples crise de existência, é quando me disseram crise de existência foi que eu me toquei o quanto fui nojento e sem escrúpulos, dentro da regra fui estúpido, eu não queria viver, eu não queria amar, ou talvez amava demais e ao olhos de quem via não me imaginava triste, porem eu aos pedaços apalpava cada canto do meu peito, pra juntar os cacos, meu sangue servia como cola, mas toda cola seca, e grudava ainda mais o que não tinha que ser grudado, eu não quis ser mais um, não mais um, por esse momento não mais um!
E quando me levantei, foi justamente que cai, foi como ser a vida tivesse “plantando bananeira” e tinha esquecido-se que eu estava ali no bolso dela, não quero ser apenas alguém que possa ser mantido por segredo, eu quero ser exaltado eu tenho prestigio pra isso, por que eu não posso acreditar? Por que me dói tanto amar, se vejo por ai que o amor apenas alimenta, apenas alimenta e sustenta a alma, enquanto o resto ressuscita pra vida eterna?
Como vejo mães e filhos, eu vejo pais e filhas, eu vejo que se amam e comecei a fugir das regras, eu já não queria ver tudo como via, porque não acreditava em tudo, eu não acreditava, e sinceramente não quero mais acreditar, quero criar pra mim um habito novo de serenidade, paz e principalmente vida, eu já não vivo a quanto tempo? Só por não acreditar!
Eu me levanto e tropeço, vivo como um pássaro de asas cortadas, preso numa gaiola que não me deixa viver, me impede de muito, vivo a comer comida tratada, quero mais é voar, quero sobrevoar o mundo, ver o mundo azul como é, quero sentir o ar de liberdade, mas tenho medo, sou covarde, fraco, tolo, inútil, nu com a mão no bolso! Eu não quero mais subir aos céus, não quero fugir das regras, não quero mais crer em coisas novas, eu tenho medo...
... e continuo a ser quem sou!

domingo, 26 de outubro de 2008

Ele chegou, sentou-se em um banco, colocou a pasta ao lado e recostou-se. Parecia chateado com algo. De repente, começou a procurar um melhor jeito de acomodar-se no assento sujo e desconfortável.
Após alguns minutos, seu olhar mostrava uma incomunicabilidade extrema com o lugar: ele era apenas pensamentos. A paisagem ao redor parecia ter uma latência para mudar. Os dias de verão são aquarelas que dão errado a qualquer pincelada. Um vento de chuva arrastou algumas folhas caídas que conviviam com garrafinhas de suco e maços de cigarro: Assim é a convivência das coisas por aqui. Enquanto isso, a sombra das folhas da árvore dançavam em seus pés.
Após alguns minutos de um outro tipo de tempo, ele resolveu abrir a pasta; notou que ela estava entreaberta. Sentiu receio de ter perdido algo. Mesmo assim, tirou uns papéis. De longe, parecia uma carta a ser terminada. Depois que abriu a pasta, parece que ele ficou menor no meio daquele monte de papel branco hospitalar.
Os raios de sol que se mixavam nas folhas das árvores tomavam um aspecto de jogo. Mas a preocupação dele afastava qualquer pessoa que quisesse sentar-se ao banco. Estava com uma turbulência imóvel nítida.
Um tronco de árvore, no lado direito à sua frente, dava uma profundidade à cena. Os veios da madeira, de uma forma ou de outra, assemelhavam-se aos de seu rosto. O clima, aguardando a chuva, deixava as mãos com uma certa umidade desconfortável. O calor passou a ser um tipo de ironia. Sabemos bem falar de desconforto por aqui.
Incomunicável como um boneco de látex, ele ficou com algumas folhas tiradas da pasta sobre o colo. Aqueles papéis preocuparíam qualquer um: poderíam ser documentos importantíssimos! E as folhas caídas das árvores continuavam esvoaçando a seus pés, fazendo desenhos abstratos de descompromisso.
Novamente ele tentava aconchegar-se no banco. O vento soprou, as folhas se levantaram em suas mãos como cartas de baralho de um jogo ganho. Os raios de sol foram-se e restou apenas o vapor que deixaram. As nuvens no céu formavam mil figuras conhecidas e, ao mesmo tempo, nunca vistas. Não é comum levantar a cabeça para ver as coisas hoje em dia: As nuvens brincavam de caverna platônica.
Aquele homem parecia preocupado demais para estar ali. Aqueles papéis, talvez a carta, os envelopes, a pasta… o vento poderia levar tudo para o convívio com as coisas do chão.
Uma leve garoa chegou. Não havia mais sol. A umidade era, agora, visualmente presente: orgânica. Ele, então, olha o relógio, tira-o do braço e coloca-o na pasta.
Pelo lado direito, apareceu uma mulher; sentou-se no banco, cumprimentaram-se. Ele entregou algumas folhas para ela; despediram-se. Ela se levantou, olhou para a esquerda e foi embora. Ele colocou de novo o relógio, organizou a pasta, fechou-a bem com o zíper e a presilha, levantou-se e saiu.



Por Anderson Volpato Rodrigues

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Um sonho.

Andava pela praia, estava nublado, era cedo e o pé não encaixava na areia.
Via-se as ondas quebrarem no acorde mais bonito - sol. As águas vinham, transpassavam a pele, não molhava, tocavam os ossos, arrepiava-o.
Os passos curtos à beira-mar, os pés intactos, não sujavam-se, à areia dava-se graças por não sujarem-no.
Havia você, haviam águias e gaivotas, e agora há impossibilidade de aplicar por interjeição os barulhos dos animais e do coração, mas tão felizes; os animais e o coração.
Eras linda, como sempre fostes, como és e sempre serias. Estavas nua, sem pudor e nua. Ah! Excitação da Alma. Os braços dele não eram fortes, não conseguia te pegar no colo, mas te jogava na areia e eram eternos.
O rapaz acordava sempre, trabalhava, andava no asfalto e se sujava. Na volta pra casa se banhava, comia, chorava e bebia. Depois dormiria novamente afim de que se eternizasse todo sonho que sonhasse.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Porque fico a procurar pontinhos pra corrigir meu péssimo português. E fico andando e não canso e não acelero, mas não diminuo meu passo, meu amor.
E fico me cedendo pra você e moras em mim e me enfeita e me decora e me pinta de azul e me restaura e me inaugura, moras sempre, meu amor.
E quando seguro a sua mão, me rendo e sou criança, me cuidas, me ensina a atravessar e olho p'ros dois lados, mas só vejo você, meu bem.
Eu sorrio e sou mais feliz e venero e duplico. Olha a segunda voz, ouve? E suplico e imploro e não há maldade, nem melancolia, meu amor.
E quando amo e quando chamo é quando gosto é como gosto. Porque és meu mar e eu tua ilha. Daí morri, morri rindo, não havia quem chorasse, não houve mártir, nem pecado, nem santidade e houve paz, porque te ouvi, princesa.
Agora há e sempre haverá, meu amor.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

- Não sei se eu vou ser chato assim por muito tempo ainda fazendo com que seu sentimento por mim se acabe.Mas, se puder me desculpa, é só minha falta de segurança, meu medo imaturo de te perder, minha vontade de roubar souvenirs e te dar. Mas eu não onde caber se não tenho teus olhos pra me proteger e nunca tiver.
Não é que só preciso de ti pra ser feliz e só você me fará feliz, mas é que a maior parte da minha vida é aliterada a sua, e se não tenho um bom emprego - que me faça feliz. Se não tenho um bom lugar - que me realize pra morar. Se não tenho um dom capaz de surpreender as pessoas, ao menos - não que seja muito pouco ou quase nada, porque é muito - tenho você e se não tiver, não terei mais nada.
- O Que quer dizer com isso, amor?
- Tenho medo de que você vá, mesmo sem querer que vá.

E ela não foi.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Sua Vida.

Eu fui sua menarca.
Eu fui seu vestido de debutante.
Eu fui suas brincadeiras infantis.
Eu fui seu braço quebrado.
Eu fui sua viagem pra Angra dos Reis nas férias.

Eu fui seu carro batido.
Eu fui seu estresse.
Eu fui sua tentativa de divórcio.
Eu fui sua demissão.
Eu fui sua internação no Souza Aguiar.

Sou sua invalidez.
Sou sua viuvez.
Sou seu asilo.
Sou sua solidão.
Sou seu câncer.
Sou seu lar no São João Batista.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Vontade.

Algo que escrevi quando tinha uns dezesseis anos.


Eu levantei hoje às 08 horas, com uma vontade insípida de fazer sexo.
Foi nojento, juro.
Um homem, praticamente culto, praticamente nulo, com uma vontade impraticável? Oh yeah... My God!
Eu queria a todo custo levantar da cama, mas, eu não me levantava sozinho, éramos eu e ele, ele embaixo eu em cima, quanto sonho bobo, quanto desejo famigerado, me lembrei de quando eu era pequeno; todos me falavam que isso não era coisa de gente educada. Sexo - oh yeah, my God - não é coisa de gente do bem, não é coisa de gente que tem por objetivo ser alguém na vida, em vida social, em vida cordial, um menino bom, um homem certo, e um velho sábio, segundo me diziam, não poderia pensar em sexo, imagine então, às oito horas da manhã!
Acabei por criar minha tese, sou este mesmo famigerado, sou o mesmo homem incerto, um futuro velho burro, um passado garoto negligente que vive a vida por prazer.
Não que tenhamos que praticar sexo a torto e a direita, mas, façamos sempre às direitas!

sábado, 11 de outubro de 2008

Cara, o que vou escrever por último? Vou ouvir Pachelbel, sim? Ponham dizeres dos mais sacanas na minha lápide. "viveu, gozou, entorpeceu, sangrou. Quanto dano ao mundo o foi".
Change (In The House Of Flies)
Deftones♫♪ - na vitrola.
Estou naqueles dias de tpm, brother.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Miss Butterfly

(...) Sem pressa... Deixe entrar, deixe envenenar, deixe enlouquecer. Sem pressa... Apenas sinta. Deixe pulsar. Sangue ferver. Pupila dilatar. Sem pressa... Deixe os olhos abertos... Estremece.
Quanto mais exploro teu beijo, mais quero te conhecer, Miss Butterfly. Até teus beijos têm segredos - EU
Sem pressa... Não há no mundo beijo igual ao beijo de uma borboleta.
Sem pressa... Miss Butterfly escolhe os lábios que irá presentear com o gosto da vida.
- Sem pressa... vem devagar me beijar. – Miss Butterfly

Quem pode resistir ao canto de Miss Butterfly? - EU

Sem pressa... deixe as asas de Miss Butterfly te aquecer os ombros, enquanto o beijo flui como puro libido pelo sangue quente.
Sem pressa... Deixe o seu corpo se derramar nas águas de Miss Butterfly.
Sem Pressa... Devagar... Macio... Intenso... – Miss Butterfly (...)

domingo, 5 de outubro de 2008

E olhava pra ela, cara. E me excitava, cara. Eu tinha tesão por ela de forma que não havia pecado, é como se eu estivesse acima de Deus e Deus me venerasse e por diversas vezes Deus me adorava, como criador de si.
Os cigarros não prejudicavam meus pulmões, o abscesso mental não me deturpava mais, eu não era fraco, eu não fazia jus ao meu estado doentio, era tão saudável quanto o Álamo pra cultos. Ninguém me desvendava, ninguém me desvenda.
Adoro teus os decotes, são os mais belos que meus olhos fisgam; é como se pudesse masturbar meu cérebro a cada hora que tenho visão sobre ti e gozasse de forma múltipla pelos membros do corpo todo. - Dizia a ela.
Cara, deixei de ser misantropo.



Por Téo.

no name.

Esperar a vida,
à espera de Deus,
é sarcasmo do Diabo,
que se rende aos teus.
Esperar a vida
à espera da felicidade,
é sarcasmo divino,
visando a liberdade.
sede feliz nesta vida,
que a outra é duvida.
"tristeza forma de egoísmo"
e impurifica a alma plena.
Sede feliz pela rosa,
que nasce todo dia,
Sede feliz pelo sexo
que é presente em toda vida.
Prazer e prazer... descompasso errante,
uma palavra nova que voa,
é neologismo ambulante...
Vai ser GAUCHE na vida,
e morrer por ter vivido!

sábado, 4 de outubro de 2008

Moça.

Difícil é entender quem não há, haver.
Faz tempo que não sei o quê me dilacera com tanta facilidade que só sinto em mim coração e cabeça, o resto se esvaiu, vai ver é alguma partícula poluidora que respiras por aí.
Meu Deus, quanta fragilidade; seria hora de jesusinho agir pra evitar transtornos piores, não? Não.
Transpassaram-me feito lança em pulmões dos quais jorraram água, mas meu corpo conteve lágrimas, já secaram e agora não há o porvir, nem o que sorrir, nem o que gozar.
Lembro-me do beijo, do queijo e da tua idéia. Sua presença me negaceia e penso em cair em tentação, mas não.
Não tive o beijo, tens o queijo, meu desejo, minha ternura, meu sexo, minha virtude, minha aspiração, meu sonho e o que cresce "amor".
Mas por que tantos deslizes acusam-me de infidelidade? É só o medo de que sejas demais pro que sou de menos, mas até que se passe, eu fico. Porque te amo, com afinco e diversão. Logo, me regenero.