quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Ao fPensamento sobre o curta...

Um rapaz britânico acorda pela manhã, escova os dentes, olha-se no espelho e anda pelo corredor do prédio, um longo corredor, meio obscuro.
Encontra a (Amada – namorada – esposa – amante – amiga) tudo até aí no mais puro silêncio, e começa a tocar fade out do Radiohead, e eles começam a discutir, exatamente quando um passa ao lado do outro, se olham, e ele inicia uma longa briga, para a musica << não foi justo tudo que você fez, a vida esteve por um passo da felicidade.>> Ele diz olhando em direção dela. << nunca nada é justo, justaposto, justamente, injusto, o amor preterido pelo ódio é forma de egoísmo, você foi tantas vezes egoísta, quando amou de verdade, não soube se controlar? O que é este teu sentimento agora? Você aí, passivo, sem planos a não ser fuga de si, si só é só!>> Ele ainda insisti em dizer olhando pra ela. E quando a câmera chega perto, vira como se estivesse olhando pelos olhos dele e vê um enorme espelho entre os dois – ele falava com ele mesmo.
Ela vai, e ele fica. Um Cúpido – pensei que pudesse ser um ET, já que os ingleses crêem de forma insana neles – retira do corpo do rapaz a flecha, com muito esforço, o rapaz briga com o cúpido << O que é? Saia de minha, alma que atenta minha sanidade, saia>>Diz o rapaz. << Tenho que levar a flecha, não cabe-te mais, não é mais sua de direito.>> Diz o cupido. <> Diz o rapaz. << Tenho que ir... >> Diz o cupido.
Quando o cúpido retira a flecha, o rapaz cai em pedaços, todos espalhados pelo corredor, a esta hora um pouco mais iluminado, para que soem visão e o barulho dos cacos no chão... Volta a tocar a música, a alma do rapaz ainda inteira, fica pegando os cacos um-a-um de modo que as peças do corpo que ele pega têm chagas, e vai se montando novamente, a musica para de novo, ele fica se reconstituindo, chorando, e vão caindo as lágrimas nas peças do corpo, que vão se derretendo, escorrendo pelo corredor do prédio << Como assim? Como assim? O que de mim espera? Um amigo assim, um amigo assim? Como assim? “I don’t belong Here” Como assim? Como assim? Nossa vida… Ah, tudo escorre pelo meu dedo, Vocativo, vem cá vocativo. Eu perco a voz na hora do vocativo. Como assim? Como assim? Agonia... Why? Oh God... Como assim Deus? Como assim? Sim, é meu nome, é meu nome quem chamas? >> Diz o rapaz.
<< Sim é teu nome que chamo! >> Diz a morte. Quando a ultima gota cai e a última peça é derretida a musica toca novamente, volta a namorada chorando copiosamente, pisa no liquido que ele virou, vai até o apartamento, pega um pano seca-o, com o pano encharcado vai até o ralo do prédio e torce o pano, ele escorre pelo ralo até misturar-se com a alma e o lodo que está abaixo do ralo...

Um comentário:

Joana disse...

Sabe, a diferença entre algumas mulheres é a forma em como elas creem em suas opinioes. Algumas temem, outras cuidam. Enquanto homens trabalham tão mecanicos e alguns até mesmo mesmecidos, as mulheres, talvez por falta de opção ou profunda solidão, fantasiam e acabam tirando de suas fantasias sensibilidade para coisas tão carnais que por um acaso alguns homens adoram...
Já no caso de espiritos... Mera questão de religião, que não vem ao caso^^

PS: Aquela passagem foi escrita a um longo tempo atrás, creio ter crescido algum pouco, daquele tempo pra cá...