quinta-feira, 22 de julho de 2010

E...

Falar contigo, liberar esse astral darwinista que habita a idéia de onde vim. Se me lembro bem, amor. Você faz um café como ninguém. Você ainda fuma lucky strike? Acenda e bafore, isso, eu adoro cheiro de cigarros, você sabe bem disso. Você ainda faz sorvete? Você ainda chupa daquele jeito? Ah, sem essa, eu não consigo sentir saudades dos teus beijos sem pensar no sexo. A família deixou de existir, a cocaína também. O conhaque se faz presente, mas você jamais adoraria saber disso. O álcool, meu amor, é a brisa divina que soprou no momento de maior calor. É um estágio, que nos ensinava que ensinar é necessário, mas aprender é ainda mais; ruiu. Cheguei ao limite. Estes dias um menino aqui perto se enforcou, veja, eu já quase velho e não consigo me condicionar aos desejos. Que moleque danado, me matou de inveja. Você sabe que quando escrevo assim, sem parágrafos e espaço de dois dedos, lembra, que você aprendeu assim na escola e sempre me cobrava? Enfim, você sabe que quando escrevo assim é que estou falando como Dona Maria em botequim. E que talvez ainda haja muito desespero nesse caos que há dentro de mim. E que estender a mão não adianta muito quando estás à beira do precipício e já estou lá embaixo. E se você pudesse sentir o cheiro podre que vem da casa ao lado, se você pudesse ver que tem frio demais aqui e só ando nu. Se visse que tenho aspirações pela morte e que deus tem me acompanhado a vida toda, um passo de cada vez, pra saber se fiquei marcado de fato como pecador. E se visse como fiquei bonito nesse terno, se visse como é envernizada minha cama. E se visse como cheira bem essa terra que me jogam. E se sentisse como é foda morrer arfando, sabendo que passou a vida sem amar e que foder não te fez homem completo...

6 comentários:

Confusa disse...

Passar a vida sem amar... é melhor acabar mesmo!

Débora disse...

Excelente, Téo.

Anônimo disse...

excelente e triste...

Anônimo disse...

Excelente e sábio!!!

Frida fedida disse...

E se sentisse como é foda morrer arfando, sabendo que passou a vida sem amar e que foder não te fez homem completo...

(muito bom!)

Aline Patrícia disse...

Quando li esse, engoli em seco, disse que comentaria depois, de verdade, me causou mal-estar. Há um clima de melancolia rodeando quase todos os textos, exceto os mais sacanas (meus preferidos, confesso), mas nem foi isso que fez minha leitura ser assim, pesada. Os problemas ou o "problema" do existir está em todos, uns sentem mais, outros menos, só que confessar-se covarde é uma coragem que poucos têm. Nisso entram os escapes, seja num futuro que se cogita, nos pensamentos, no sono que se deseja eterno ou até no conhaque que se faz cada vez mais presente. Vou parar por aqui, antes que caía na repetição. :)
Sei pouco mesmo, sei quase nada, mas continuo como num observatório, procurando a lente que melhor dimensione minha leitura desse incômodo de nós que vc oferece. Quanto ao alinhamento (ou a falta dele), juro que tô me acostumando com essa fala de "Dona-Maria-em-botequim", é como se fosse preciso parar às vezes, baixar as energias e apenas ouvir, ouvir uma história que nem sempre é boa, mas fascina. Ouvir para depois me meter também, como já é de hábito nessa prosa despropositada.

Cheiro :)


ps. Isso de postar em anônimo é contagioso? Parece que atrai. hahahaha