domingo, 12 de abril de 2009

SJDB!

Tenho aspirações neste mundo que surgem quando acabam. Vertia desejos e almas, havia aparecido linda e sorridente, me pediu em namoro e eu não aceitei.
Passei por poucas e boas, recaídas, momentos estranhos, vindas de E.T.’s, martírios, lutas, batalhas, guerras, tudo sempre perdido. Eu nunca ganhei, talvez eu nunca quisesse de fato ganhar.
Acordava com uma vontade de ir sempre alem do que minha alma branca e nua esclarecia na transparência da minha mentira. Mentira bastante, conquistei umas duas ou três com minhas poesias, depois conquistei outras falando sobre rock’n’roll, umas outras falando sobre literatura e o porcelanato bizarro que era a poesia tosca de Pessoa, mas sempre estava feliz.
Acordava, apenas acordava.
Acordei e vivi, senti falta de algo, estava muito escuro, senti que estava com a cabeça doendo, tinha bebido muito na noite passada, tudo virava, olhei pro lado, não havia ninguem que pudesse viver comigo, passar a mão na minha cabeça ou ir até a farmácia me pegar um remédio pra dor, ainda que fosse pra dor errada, se houvesse talvez não teria dor, mas nada.
Corri, na rua havia um asfalto marejado, cheio de pedregulhos pequenos, desencapado, uma lombada, havia chuva, chovia, o telefone estava na esquina, estava longe de mim, fui correndo em direção ao telefone, descalço, desesperado, escorreguei na guia, machuquei meus joelhos, rasguei meu braço, arranquei o tampão do dedo. Mas levantei, levantei e fui direto ao telefone, não lembrava do número, cara. Onde estaria? Havia perdido minha agenda, voltei, cabisbaixo, triste, senti falta de algo, de alguem, quando cheguei em casa o telefone tocava:
- Alô?
- Téo?
- Eu!
- Precisa de alguma coisa? Senti algo estranho, como se estivesse me procurando.
- Sim, fui ao telefone pra te ligar pra perguntar se você ainda me quer.
- Não, Téo. Você não se cuida, como posso desejar alguem que não liga pra morrer?
- Calei-me! - tinha vergonha de dizer que havia precisado dela pra viver e que se ela me quisesse eu amaria, seria feliz, teria vontade de viver - mesmo que a não vontade fosse involuntariamente - que o sorriso dela era lindo, que amava o jeito dela ter um jeito pacífico, que amava ouvir sua voz, suas carícias de desejo, seus decotes, seus sorrisos filantrópicos deixavam meu jeito frívolo de lado, desejava só amar e respeitar, cara, tinha tanto respeito por ela.
Fiz curativos, passei água mercúrio, ficaram duas marcas nos joelhos, o dedo se recompôs, não uso mais o telefone, não fiz mais agendas, continuo sem companhia! Não minto, mas não falo mais a verdade!

6 comentários:

ALiNE PATRíCIA disse...

Querido Téo, seu texto me fez pensar o quão efêmeras são as coisas da nossa vida, os sonhos, os desejos, e o próprio amor...
Em alguns momentos nos sentimos sem chão, diante da necessidade vital de ter algo, necessidade que só semtimos justamente depois que este já foi dado como perdido. Já vivi isso, e sei que ainda virão muitos amores e desamores,conquistas e derrotas - mas sei também que sobreviverei a todos, a vida requer que sejamos mais práticos do que sentimentais. Lembrei-me do que disse o Quintana:

"...a vida é breve,
.....e o amor
.....mais breve ainda."

Moreninha disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Anônimo disse...

Cabeça, depois de ontem já li o texto mais de 10 vezes e já ouvi 'Pra ver se volta' ao mesmo tempo.

Não sai do meu pensamento.

Anônimo disse...

será que todo mundo sabe pra quem é isso tudo?

você é tudo de bom.

Anônimo disse...

Cabeça, não queria falar.
Mas faz falta, mesmo que fosse pra me xingar.



Vê se volta.

Anônimo disse...

'Pra ver se volta'


Vem?